Sombras Da Noite

1 Capítulo único


Notas iniciais
Minha segunda fic, espero que gostem!

Já devia ser meia noite quando as luzes se apagaram. Michele estava lendo um de seus livros favoritos no momento que aconteceu. Nenhuma luz, nenhum movimento, tudo que era visível era o próprio escuro.

Ela começou a tatear a parede em busca da maçaneta da porta. A lua nova deixava a noite ainda mais escura o que dificultou o trabalho, se não conhecesse aquele quarto como a palma de sua mão provavelmente teria quebrado tudo no caminho.

O quarto de Michele era o ultimo do corredor e tinha uma janela logo ao lado na parede de fundo a fraca luz permitiu que ela pudesse ver a silhueta do corredor indicando o caminho a seguir. Michele começou a ir em direção as escadas, mas era estranho que não ouvisse nenhum ruído vindo dos outro quartos.

- Mãe, você sabe se nós temos alguma vela aqui em casa?

Não houve resposta vinda de nenhum cômodo.

- Mãe?

Mais uma vez o silêncio se instalou no lugar. Michele foi de quarto em quarto procurando seus pais e irmãos. Em todos os cômodos que entrava era uma massa de trevas que se estendia sem rumo.

Desceu as escadas com cuidado e se escorando na parede. O caminho para a cozinha era fácil, mas com a escuridão em seu encalço era como se nem conhecesse sua própria casa. Atravessando a ala da entrada finalmente achou a porta da cozinha.

Revirando muitas gavetas Michele finalmente teve sorte de encontrar uma vela que, mesmo já pela metade, exibia uma pequena e vivida chama bruxuleante.

Guardou a caixa de fósforos no bolso, pra caso viesse a precisar mais tarde, e voltou-se em direção a escada, mas logo perdeu toda a confiança que o fogo tinha proporcionado-a.

A porta da frente da casa estava escancarada e no chão havia marcas de pegadas, mas parecia muito incomum, pois as pegadas mais pareciam ser feitas de uma escuridão maciça.

Tum, Tum, tum. O som de passos ecoou vindo da sala. Michele correu escada acima com medo do possível invasor, ela voltou pra dentro do quarto e fechou a porta.

O som dos passos também começou a subir as escadas. Ela pôs a vela em cima da cômoda e encostou o ouvido na porta, na tentativa de ouvir melhor. Os passos continuavam a avançar trazendo com eles o invasor.

Michele correu pra dentro do guarda-roupa, mas percebeu tarde demais que tinha esquecido a vela acesa na cômoda ao lado da porta.

A porta se abriu com um rangido alto. Aquela deveria ser a porta mais silenciosa da casa e ainda assim quase estava estalando. Atrás da porta as trevas se juntavam quase formando uma silhueta.

Uma brisa percorreu o quarto apagando a vela e Michele pode jurar que a temperatura do quarto tinha diminuído.

De dentro do armário era como se os olhos azuis gelo de Michele estivessem brilhando de tanto terror. Ela passou uma mão no rosto para afastar uma mecha castanha que tinha estava incomodando. Pressionando o ouvido mais uma vez contra a porta ela percebeu que o quarto estava envolto em silêncio.

BAM! A porta dupla se abriu com um baque, mas Michele não podia enxergar nada. Ela colocou a mão no bolso e tirou de lá a pequena caixa de fósforos. Com as mãos tremulas ela conseguiu acender um pequeno fogo passageiro, mas ela nunca se arrependeu mais do que naquele momento em sua vida.

A pouca luz impedia de ver os detalhes, mas ela pode distinguir a silhueta de um homem grande como um urso carregando um tipo de machado que pingava um liquido levemente vermelho.

Em um rápido vislumbre Michele viu os olhos vermelhos e malignos do homem que cintilavam como a pequena chama e o sorriso largo estampado no rosto de feições brutas.

O homem mudou de posição exibindo sua arma que se preparava para o deleite do sangue dela. Michele fechou os olhos com força esperando impotente por seu fim através da lamina gelada.

Os segundos começaram a se passar e nada aconteceu. Quando abriu os olhos novamente, as luzes estavam acesas e não havia mais sinal do homem. Tudo estava de volta ao normal como se nada tivesse acontecido.

Fixando os pés no chão ela não pode deixar de se sentir aliviada, mesmo que momentaneamente, pois a ponta queimada dos dedos o suor na testa e até mesmo a vela pela metade ainda estavam lá, percebeu também uma mancha negra no piso onde o homem deveria ter estado.

Um calafrio percorreu a espinha de Michele. Não tinha como negar, mas como poderia explicar pra alguém o que tinha acontecido naquela noite?

Envolvendo-se com os braços ela sabia que nunca mais ficaria em paz com a escuridão, pois podia sentir os olhos vermelhos que ainda estavam à espreita.

Notas finais
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