Sombras Da Noite
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Victor se levantou do chão e seguiu Alice pela floresta. Seu vestido arrastava as folhas secas no chão. Alice se virou e reparou que Victor estava parado diante o portão de ferro da mansão, olhando para o deslumbrante edifício. Alice o puxou pelo braço e continuou a caminhar. Quando chegaram à entrada principal, Alice se virou para o rapaz desconhecido:
— Não toque em nada! Não fale com ninguém! Não saia de perto de mim, entendeu?
Victor balançou a cabeça, mas não disse nenhuma palavra.
— O pessoal não gosta de estranhos. Se alguém se irritar com você, seu fim será triste! Está avisado. — Alertou Alice.
Victor ficou pasmo ao ver o salão repleto de gente. Alice o puxou rapidamente pelo braço e o arrastou entre a multidão de vampiros e subiu a escadaria. Enquanto ela abria a porta que levava ao corredor principal, Alice alertou:
— Será uma sorte se meu pai não te encontrar agora...
— Alice, onde estava? — Perguntou uma voz vinda do fundo do corredor. Estava a sua procu... Quem é este rapaz? — Perguntou quando viu Victor.
— Eu sou Victor, senhor! — Respondeu.
— O que ele faz aqui, Alice?
— Eu o encontrei lá fora meu pai. Ele estava no chão. Disse que não tinha onde ficar.
— Sabe que não deve trazer estranhos para cá Alice! Ainda mais um humano. Leve-o embora agora!
— Mas pai!
— Você está com pena dele? Incomum, para uma vampira. Então está resolvido. Fique com ele, mas não se arrependa se um dia acordar e acha-lo morto pela mansão. Não me responsabilizo pelas ações dos outros vampiros.
— Obrigado senhor! Fico muito grato por me aceit...
— Disponha. E você mocinha, vamos ter uma conversinha. — Falou virando-se de costas.
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Alice seguiu seu pai pelo corredor comprido e escuro, iluminado por velas nas paredes. A parede de cor clara. Enfim, Alice e seu pai entraram numa grande porta que dava acesso a uma escada que descia para o subsolo. Uma imponente porta dava acesso a biblioteca da mansão. Não era uma sala. Mais parecia uma torre. Suas paredes eram circulares e cobertas de prateleiras e estantes repletas de livros. Os andares eram como varandas, eram vinte andares ao todo. Para subir de um andar para o outro, existiam rampas que rodeavam rente aos pisos circulares do cômodo. Do topo, era possível ver tudo que estava embaixo. Cada andar possuía uma porta que dava em outras partes da mansão. Havia no chão do primeiro piso, um desenho circular, que abria, revelando ser uma escada que dava numa biblioteca mais profunda e mais perigosa.
— O que deu em você Alice? Por que saiu daquele jeito da festa?
— Aquele pessoal estava me sufocando. — Alice respondeu. — Não sirvo para essa vida cheia de mimos. Quero sair daqui.
— Você acha que pode ir lá fora sozinha? — Pergunta Lúcio, tirando suas luvas de couro de dragão.
— Ao contrario do que vocês pensam, tenho muita capacidade de me virar sozinha. Nem parece que sou uma vampira deste clã.
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Victor caminhava sozinho pelo corredor sussurrando. “Eu não tenho medo dele. Não tenho medo de ninguém aqui!” Um som pesado caminhava pelo corredor. Música. “De onde vem?” Victor se perguntava. Ele seguia a música pelo corredor e entrou numa porta. Decepção. O som não vinha daquele cômodo. Ele estava na sala de armas. Lanças, machados, arcos e flechas, escudos, manguais, espadas e maças cobriam as paredes. Mas havia uma parede que tinha apenas uma única espada pendurada. Ela era muito familiar para Victor. Nela, era refletida a luz das velas que iluminavam a sala. Victor não resistiu em toca-la. Não foi uma boa ideia. Tudo ficou branco, ofuscante, então, sua visão voltou.
Era uma noite de lua cheia. O cenário não era agradável. Victor nunca tinha visto lugar dão devastador. Estava tudo destruído. Lobos se estiravam no chão, mortos. Alguém se movia ao longe. “Ei, quem é você?” Perguntou Victor. O espectro continuou a caminhar. Victor sentiu um empurrão. O lugar começou a se dissolver. De repente, ele estava no pátio de um castelo. Assim como antes, o pátio estava repleto de mortos, tanto lobos, quanto vampiros. Um vampiro e um lobo estavam numa luta. “A espada!” Victor reconheceu a espada na mão do vampiro. A espada que estava na sala de armas. Mas não só a espada que foi reconhecida. O vampiro era Lúcio. Ele empunhava a espada com vigor. Ele estava mais forte. Parecia mais poderoso. O lobo tentava resistir. Em vão. Com um golpe certeiro, o coração da fera foi atingido. Com um uivo da mesma, Victor foi puxado para a realidade.
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Alice ainda conversava com seu pai na biblioteca.
—Agora vá! — Ordenou seu pai. — Vá e procure aquele imbecil que você trouxe e garanta que ele não arrume encrencas.
Alice saiu a procura de Victor. Subiu a escada. Estava de volta ao corredor. “Será onde ele se meteu!” Se perguntava enquanto se dirigia ao salão, agora vazio. Todas as portas estavam fechadas, e as janelas estavam novamente cobertas pelas grandes cortinas, que bloqueavam totalmente a entrada de luz do sol. Victor não estava lá.
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“Que barulho é esse?” Victor recuperava sua consciência. “Onde estou?” Sua mente fazia rodeios. Flashes da sua visão ainda oscilavam. “É a música!” Ele acordou. Estava numa sala grande e vazia, exceto pelo piano localizado no centro da sala e o sofá que em estava deitado. A música parou.
— Ah. Você acordou. — Falou uma voz desconhecida.
— Sim. Tive um pesadelo horrível. — Respondeu Victor.
—Meu nome é Victoria. — Disse a garota, voltando a tocar. — E o seu qual é?
— Victor. Meu nome é Victor. Prazer.
— Bom, ouvi um barulho na sala de armas e fui ver o que era. Quando entrei, te achei caído no chão. Então, te tirei de lá. Lorde Lúcio não gosta que ninguém entre lá, ainda mais um estranho. Você já o conhece não é?
Victor fez sinal que sim com a cabeça.
— Vejo que teve uma ótima primeira impressão dele! ¾ Ironizou Victoria
— Você é um tanto sociável, sendo uma vampira.
— Você acha?
— Digo, todos os que eu vi aqui pareciam ser tão mal humorados.
—Deve ser porque eu não sou uma vampira! Sou humana, mas conheço muito bem os vampiros. Eles me aceitaram aqui. Vivo aqui desde que sou criança. Meu pai era um vampiro, mas minha mãe era humana. Ela morreu quando eu nasci. Embora não seja uma vampira como meu pai, ele me criou aqui, junto com os vampiros.
— Finalmente te achei. — Alice abriu a porta da sala. — Já arrumou encrencas Victor?
— Não! — Respondeu ele. — Só estava conversando.
— Vejo que encontrou uma amiguinha a sua altura.
— Escuta aqui garota! — Victor gritou. — Não é porque você é uma vampirinha, e muito menos porque é a filha do tal Lorde Lúcio, que você é melhor do que eu e que tem o direito de falar o que quer.
— Agora você vai ver quem é melhor! — Revidou Alice, partindo pra cima de Victor.
Victoria entrou na frente dele.
— Não ouse tocar nele. Ameaçou Victoria.
— Por respeito ao seu pai, sua humanazinha desclassificada. — Rugiu
—Vamos Victor. — Disse Victoria. — Já amanheceu, vamos lá pra fora, onde gente da laia dela não pode nos perturbar.
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