Sombras - Ascensão.
4 4- Autossacrifício.
Notas iniciais
Ele nos encarou por muito tempo sem falar nada, seu rosto não existia era apenas um vazio imenso. Não consegui distinguir seus sentimentos, se é que soldados negros têm sentimentos.
Eu realmente não ia esperar ele dar o primeiro passo, então me teletransportei, atrás da massa escura e peguei sua arma, era uma espécie de pistola, e então disparei em direção à cabeça da criatura, mas nada aconteceu apenas um click do gatilho, nenhuma bala, nenhum tiro, nenhuma sombra virando pó.
Eu senti minha espinha se arrepiar, quando vi acima de minha cabeça duas massas escuras voando e vindo em nossa direção, era tudo incógnito até se aproximarem, duas sombras pousaram bem atrás de mim, só que essas tinham asas, asas feitas de material sombrio, nada palpável. Eu e Dark Kyle estávamos cercados, sem saída e com absoluta certeza em grande perigo, eu não sabia o que fazer, minha Katana estava dentro do porão e eu não tinha nada para matar nossos inimigos. Eu imaginei que não sairíamos daquele lugar, mas Dark Kyle pulou em minha direção e me envolveu nas sombras tudo ficou escuro e então estávamos no porão da casa de Nagasaki.
– Pegue a espada Kyle! Eles vão estar aqui logo. – Dark Kyle gritou.
Eu corri até as espadas, que estavam no porão, peguei-as e as coloquei nas costas. A adrenalina que eu sentia naquele momento era inexplicável, minhas pernas pareciam estar ligadas a uma grande rede elétrica que fazia com que eu as sentisse pulsando, meus braços estavam rígidos e firmes, meus sentidos aguçaram-se e eu senti naquele momento desejo de lutar. Eu realmente precisava lutar.
Alguns segundos depois as sombras aladas estavam no meu porá, puxei a espada, me teletransportei e cravei minha katana no que seria o estômago do monstro e ele se desfez em pó. Enquanto isso Dark Kyle fez algo que se viesse de outra sombra eu teria ficado assustado, ele abriu suas mãos e transformou-as em garras, agarrou a cabeça da sombra alada e a apertou até que o monstro morresse, mas ele não se desfez em pó apenas caiu e desapareceu no chão, como se nunca tivesse existido. Então o soldado negro surgiu das sombras eu me teletransportei para trás dele como sempre fazia mas então ele agarrou uma de minhas espadas e me lançou longe. Eu bati contra a parede e senti como se tivesse quebrado todo o meu corpo, mas consegui levantar com alguns gemidos.
–Saia daqui, Kyle! – Dark Kyle esbravejou.
– Eu vou lutar, eu tenho escolha! – Eu respondi no mesmo tom.
– Eu não estou te dando escolhas- disse ele me abraçando nas sombras e me levando para cima. Quando nós chegamos eu estava tonto da viagem e da pancada na parede, ele aproveitou e fechou a porta do quarto.
Eu lutei para levantar, mas meu corpo não atendia ao chamado eu só conseguia ouvir a luta na parte de baixo da casa, entretanto não consegui distinguir quem estava vencendo. Depois de um bom tempo eu me recuperei da tontura e enfim consegui me levantar. Tentei abrir o alçapão, mas não consegui e então me teletransportei, depois de milésimos de segundo eu estava no porão, mas infelizmente eu só cheguei a tempo de ver o ultimo golpe.
Eu vi a mão de Dark Kyle se esticar até minha katana, enquanto ele abraçava o soldado negro. Depois de conseguir agarrar a espada ele a lançou como um dardo em si mesmo, tentei me teletransportar para impedir que a espada chegasse até ele, mas eu estava nervoso e não consegui me concentrar em atingir a distância suficiente para pegar a espada eu tentei segura-lá, mas eu apenas caí e então eu vi a espada atravessar Dark Kyle e o soldado negro, em conjunto eles começaram e se tornar pó quando Dark Kyle disse suas ultimas palavras:
– Leia a carta, dentro da katana!
Ele se desfez por completo e então ele havia ido embora para sempre.
Eu me arrastei com minhas ultimas forças até o monte de pó negro, que havia se formado. Eu me sentei na frente do montinho que um dia foi meu amigo e chorei por muitas horas, fiquei ali esperando que não fosse verdade, mas tudo realmente havia acontecido. Era a terceira criatura que gostava de mim que eu perdia e o fato agora era que eu não tinha ninguém mais para perder. Eu não entendi porque eu tinha que perder todos que estavam ao meu redor. Eu não poderia permitir que eles todos morressem em vão.
–Não mesmo. — Disse em voz alta.
Eu iria vingá-los, eu não sabia como, mas assim eu iria fazer. Eu senti a raiva inundar meu corpo, o ódio, a ira, tudo que se resumia a vingança.
Então eu me lembrei das suas ultimas palavras: Leia a carta dentro da katana. Fui até o andar de cima e me joguei no sofá. Eu estava cansado e adormeci. Quando acordei já era noite eu me recusava a ler a carta ainda, então decidi guardá-la em um lugar antes de lê-la. Peguei a katana e retirei uma espécie de tampa que ficava na parte inferior do cabo da espada, lá dentro havia três folhas que estavam repletas de coisas escritas.
Peguei os papéis e coloquei-os em baixo da televisão, o único objeto na casa que eu não podia utilizar. Dark Kyle não permitia que eu assistisse televisão, ele dizia que era para o meu bem e eu apenas acreditava em sua palavra.
Alguns dias se passaram, eu não me sentia pronto para ler aquelas cartas, mas algo eu não podia negar: Sem Dark Kyle ali eu estava vulnerável à radiação. Após o terceiro dia da morte de Dark Kyle fui até à TV nunca utilizada e peguei as três folhas que ali estavam. Mirei as costas de um dos papéis e dizia:
Para Kyle quando eu não estiver mais aqui. Abra-o! Ele vai esclarecer tudo.
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