Sombras
1 Capítulo 1
Notas iniciais
— Mate-me.
Sting piscou várias vezes antes de conseguir processar as palavras saindo da boca de seu amigo. O mesmo que a poucos segundos estava tentando matar ele, agora pedia a morte. Um arrepio correu em seu corpo quando finalmente entendeu o que aquilo significava.
— R...Rogue?
A figura, seu amigo, caiu para frente, e nem mesmo tentou parar sua queda de maneira alguma. Apenas se deixou cair, mas alguém o segurou.
— Rogue! — O nome era a única coisa que conseguia dizer e a única coisa com qual se importava. Segurava seu amigo com cuidado, e tremendo, o deixando apoiar a cabeça um pouco acima de seu peito. Sangue contaminava as roupas, as suas e de Rogue, mas não importava.
— S... — A letra mal saiu de sua boca quando ele teve que tossir, mas logo, ele continuou. — Sting. Por favor.
Tolo, sua guarda está baixa, agora é a chance. Mate ele agora, Rogue.
Uma aura dolorosamente familiar envolveu Rogue, e por um momento, parecia que ela iria tomar controle. Não foi o suficiente, mas Rogue deixou um resmungo de dor sair antes de abrir a boca novamente.
Ah, que sentimentalismo. Ele está no seu caminho. Se livre dele.
— Me faça esse favor. — Suas palavras já podiam ser classificadas como uma imploração, mas ainda assim, Sting balançou a cabeça.
— Não.
— Sting.
— Rogue, não. Eu não vou te matar. Eu me recuso.
Braços fracos deslizaram em volta de seu torço, e Rogue o deu a coisa mais perto de um abraço que ele conseguia dar em seu estado.
Mate-o.
— Você me conhece, e sabe que eu não vou aceitar um ‘não’ como resposta.
— Essa sombra não é você, tem outro jeito, Rogue. Tem que ter.
— Se esse jeito inclui colocar você, Frosch ou Lector em perigo, eu não quero saber.
Sting ficou calado.
De repente, Rogue conseguiu se apoiar com seus próprios pés, ainda que precisasse colocar uma mão no ombro de Sting para não cair. O encarou, olhos vermelhos praticamente brilhando em contraste com seu rosto pálido e cabelos escuros. Sua pupila estava dilatada, e um sorriso compreensivo estava em sua boca. Sua mão livre se esgueirou por trás da mão de Sting, e a trouxe perto de seu coração.
MATE-O. AGORA.
— Você é a única pessoa em quem confio para tomar conta de Frosch. — Ele sorriu ainda mais, seus dentes pontiagudos se mostrando. — E a única pessoa a qual eu aceito que me mate. Agora, — Moveu a mão mais perto, — por favor.
Por alguns segundos, Sting analisou todo centímetro da face de Rogue, e as marcas negras pulsantes em seu rosto foi o que mais chamou sua atenção. Com cada segundo, elas prosseguiam, envolvendo-o pouco a pouco.
NÃO SE ATREVA—
Sting fechou os olhos, e por um instante, viu o sorriso de Rogue em sua mente.
Após disso, o mundo foi engolido por luz. A luz mais corrompida que já vira em sua vida, e ainda assim, tão pura.
Quando finalmente abriu os olhos para ver o corpo de seu amigo, viu as sombras desaparecerem como vieram, pulsantes, pouco a pouco deixando o corpo que tomaram.
Um sorriso amargo se formou em sua face, e com ele, vieram lágrimas que ele não se atreveu a segurar.
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