Notas iniciais
Olá pessoas! Eis aqui o primeiro capítulo da fic 'Sombras'! Espero que gostem dos personagens e da história. Tenho em mente fazer mais ou menos 40 capítulos. Comentem se gostarem (ou se não gostarem), me ajudem a melhorar! Desde já, peço desculpas aos errinhos de português que talvez eu venha a deixar passar nas revisões. Divirtam-se! :)

Não, Tempo, não zombarás de minhas mudanças!
As pirâmides que novamente construíste
Não me parecem novas, nem estranhas;
Apenas as mesmas com novas vestimentas.

–William Shakespeare

Taylor

Um mês. Era demais.

Taylor tentou por um mês se comunicar com a sua irmã, sem resposta. As vezes queria deixa-la lá, esquece-la, mas era impossível. Doreen sempre lhe vinha ao pensamento quando fazia qualquer coisa simples, como comer, andar pela rua e até trabalhar. Um mês atrás tentou ligar para ela, mas sem sucesso. Vezes e mais vezes tentando, mas o celular sempre caia na caixa postal.

Então, a uma semana atrás, ele recebeu a notícia do desaparecimento de sua irmã por uma amiga que havia encontrado seu celular na rua. Foi então que decidiu ir lá ele mesmo saber o que houve. Já estava saindo da câmara de vereadores e não planejava se candidatar novamente por um bom tempo. Conseguiu economizar um bom dinheiro com seu salário de 16 mil dólares durante os últimos quatro anos. Arrumou todas as suas coisas e a dos seus irmãos para a viagem.

– Por que eu preciso fazer minhas provas finais hoje, Taylor? – Disse Rupert aborrecido, sentado na copa da cozinha com um lápis na mão e algumas folhas grampeadas a sua frente. A pequena Samantha estava ao seu lado, rindo, falando com o cachorrinho de pelúcia chamado Pilo.

– Lembra-se que temos que viajar, garoto? Reclame menos e trabalhe mais. Iremos partir amanhã pro Texas. – Taylor havia falado com os professores de Rupert para adiantarem logo as provas para o irmão, já que ele não teria mais aulas naquele semestre.

– Por que temos que ir pra lá?

– Você sabe por que.

– Mesmo assim, não vejo motivos para irmos.

Rupert tinha apenas onze anos, mas já entendia algumas coisas. Ele sabe que a irmã os abandonou por puro egoísmo e não pensou duas vezes antes de o fazer. Taylor tentou de várias formas convencê-lo de que não foi bem assim, mas o próprio não tinha argumentos suficientes para o que dizia. Rupert e Taylor descobriram ao mesmo tempo que Doreen havia ido embora. Rupert viu a surpresa de Taylor. Samantha chorou dias seguidos com saudades da irmã.

Taylor não respondeu. Apenas sorriu e bagunçou o cabelo castanho do irmão antes de sair dali. Precisava se preparar psicologicamente; aquela seria uma viagem e tanto.

Kate

A redação estava uma loucura. A culpa era dela.

O deputado Sador Mace cogitou um processo contra o jornal; especialmente contra Kate Blast, redatora do Jornal Tomorrow Chicago, por tê-lo difamado seguidas vezes por corrupção. Kate não parava, sempre procurando mais e mais evidencias contra o deputado. Muitos estranhariam tal ódio, mas o motivo era simples, controverso e estúpido: eles haviam tido um caso em que, no final, o deputado a descartou de uma maneira imperdoável. Isso a deixou furiosa.

Quando estavam juntos ele contava coisas a ela, coisas que não deveria contar. Seu repúdio por ele começou a aumentar, até que, quando decidiu terminar, ele a tratou como qualquer coisa sem importância em seu caminho e ignorou tudo o que ela tinha para dizer. Estava disposta a esquecer tudo o que sabia sobre ele, mas, depois daquilo, o que havia descoberto era a única arma que tinha contra ele. Se dispôs a usá-la.

No começo era estúpido o que pretendia fazer. Não podia, do nada começar a soltar especulações contra o deputado em sua coluna política sem provas. Depois que concluiu isso, ela elaborou um plano de investigação e se tornou um verdadeiro urubu-repórter encima de pessoas com ligações com Mace.

Conseguiu colher documentos e conseguiu testemunhas dispostas a expor algumas das corrupções do deputado. Ela se sentia a personagem Zoe Barnes da série House Of Cards, da versão da Netflix, sempre que mergulhava fundo em pistas e evidências contra pontos fracos na política de Chicago. Mas o que ela tinha de diferente da Zoe era 1) Ela não era tão disposta a tudo pela sua carreira como a personagem, 2) Ela não conhecia de intimidade um Francis Underwood para lhe contar os podres da casa branca de Washington, 3) Ela não morava em Washington e 4) Ela não era ruiva. Sem contar que a Zoe Barnes não era tão fodona assim, porque ela era só um peão do Underwood, mas isso é um caso à parte.

Naquela manhã de quarta-feira Kate se sentia diminuída e perdida. Todos a estavam culpando e com toda razão. O jornal não tem tanta chance de ganhar um processo se um for levado adiante e, isso certamente ia acabar com a credibilidade da empresa. E, novamente, a culpa era dela.

O chefe dela chamou-a no seu escritório. Certamente ia ser demitida, claro. Não queria ser demitida, iria implorar por seu emprego, mas certamente não o teria de volta. Estava preparada para qualquer bronca por pior que fosse.

Então entrou na sala de seu chefe. O nome dele era Ryan Harris, era baixo e gorducho. Todo seu cabelo ainda estava preservado em sua cabeça, mas assim como todo mundo lá na redação, Kate suspeitava que aquilo fosse algum tipo de peruca porque o cabelo parecia artificial demais.

Ele fez um gesto com a mão para que ela se sentasse na cadeira a sua frente. Ela se sentou e esperou ele começar a falar.

– Srta. Blast. Deve presumir por que eu a chamei aqui, não presume?

– Ah... Sim. Para me demitir. Estou certa?

– Está meio certa, mas aconteceu algo recentemente. No período entre a hora que eu te convoquei aqui até a sua chegada eu recebi uma ligação reconfortante.

Kate não sabia onde ele queria chegar. O incentivou a falar mais.

– Ligação de quem?

– Do próprio deputado Sador Mace. Ele me disse que não ia levar o processo a diante, desde que você o deixasse em paz. Foram essas as suas palavras.

Um alívio imenso preencheu seu peito. Então estava tudo bem de novo. Ela sorriu de alívio.

– Eu prometo não escrever mais nada sobre Mace, sr. Harris. Lhe prometo.

– E não vai mais escrever mesmo. Por que a senhorita está demitida.

Kate foi pega de surpresa. Ficou parada com a boca aberta olhando para o sr. Harris.

– Mas o senhor disse...

– Tudo está bem sim, srta. Blast. Mas não precisávamos passar por esse vexame todo se a senhorita não tivesse se afundado tanto em seu lado emocional e começado a executar a sua vingança boba no nosso jornal. Sinto muito, mas está demitida.

Kate entrou em pânico. Chegou a hora de implorar pelo emprego.

– Sr. Harris, por favor! Esse emprego é tudo que eu tenho. Saí do interior só para vir trabalhar aqui. Eu sou uma boa redatora e repórter. Me desculpe por tudo isso, eu prometo que daqui em diante eu vou me esforçar mais e não vou cometer o mesmo erro. Mereço sim ser punida, mas não me demita, sr. Harris. Daqui em diante eu irei...

– Tá tá tá, srta. Blast. Já chega. Não irei demiti-la, ainda. Estava blefando. – Kate sentiu sua bochecha corar. O sr. Harris parou por um momento, pensativo, e então continuou: — Não vou te castigar. Bem que você merecia, mas não vou. Vou lhe dar uma chance. Só uma. A não ser que você veja essa chance como um castigo.

– Estou escutando – disse Kate, ansiosa.

– Você vai dar um tempo nisso. Não vai mais fazer parte das notícias políticas. Você vai fazer sensacionalismo.

– O que? – Kate engasgou com a proposta. Jamais havia se imaginado fazendo sensacionalismo. Ela achava esse tipo de jornalismo barato e desprezível.

– Sim. Sensacionalismo. Tenho alguns temas que você pode escolher para, abre aspas, desvendar. – Ele abriu uma gaveta em sua escrivaninha e deu a ela uma apostila com nomes berrantes em sua capa anunciando: 5 CASOS JAMAIS ESCLARECIDOS.

– Sr. Harris... Achei que o jornal fosse contra ao sensacionalismo.

– Nunca isso foi dito. Na verdade, vamos criar uma nova coluna só para o sensacionalismo, não com esse nome, claro, pensaremos em um bom nome. E você fará a reportagem de estreia. Já venho com essa ideia a tempos. Os leitores precisam de um pouco mais de suspense em suas vidas. Vai ser demais.

– Mas, senhor, e a credibilidade do jornal? Além do mais, eu vou ser ridicularizada pelos meus colegas.

– Sinto muito, Blast. Estou te dando uma segunda chance de fazer algo direito. Você vai ser ridicularizada sim, mas é a sua única chance de conseguir seu emprego de volta. Faça isso, e está dentro novamente e poderá voltar para as notícias da política. Se não for capaz de fazer essa tarefa, se seu orgulho for tão grande quanto a sua precipitação para fazer besteiras, então, sinto em dizer, mas você não serve para esse ramo.

Kate ficou parada por um tempo, processando. Claro que teria que fazer aquilo. Não tinha mais para onde ir, precisava daquele emprego, e o adorava. Tudo bem que o sensacionalismo era barato e desprezível, mas podia fazer aquilo numa boa. Podia enterrar o orgulho até o final. Talvez fosse até divertido, nunca havia pensado em escrever ficções.

– Tudo bem, sr. Harris. Eu vou fazer... eu posso fazer, sem nenhum problema.

– Ótimo. Procure algo na apostila que queira investigar e vá fundo. Se precisar fazer alguma viagem, pode fazer. O prazo para você me entregar essa reportagem é de um mês. Não mais. Entendido?

– Sim, senhor.

Kate saiu da sala já folheando a apostila.

– Não chora, Blast. Vai ver você consegue um emprego bem bacana de vendedora de hot-dog numa esquina dessas. – Disse Sarah Wilson, uma vadia que escreve na coluna de saúde, sentada numa escrivaninha lá perto.

– Não fui demitida, sua retardada. Tenho que ir embora agora.

Kate saiu a passos largos antes que a Wilson fizesse mais uma piadinha deprimente. Encontrou seu amigo Dug na saída do prédio.

– Sinto muito, Kate. – Ele pegou na mão dela e a olhou com solidariedade.

– Pois é. É foda ter que fazer sensacionalismo pra ter meu emprego de volta.

– Hã? Do que você está falando?

– Não fui demitida, bobão. Em troca, ganhei uma chance do meu chefe para ter meu emprego de volta. Eu tenho que estrear uma coluna sensacionalista.

– O que? Meu Deus. – Dug riu. Ele também era redator, mas era da equipe de contabilidades e bolsas de valores.

– Aqui está uma apostila com algumas opções de rumo. Estava pensando em ir investigar esse bairro em Oakland.

Dug deu uma olhada. Fez tsc tsc e balançou a cabeça em negação.

– Você está pensando baixo demais. Esse bairro não é interessante. Você vai investigar o que lá? Fábricas desativadas?

– Ah, sei lá. Pensei nesse lugar porque fica aqui em Chicago. Os outros lugares estão distribuídos pelos EUA.

– Esse lugar parece muito mais interessante – Dug apontou para uma página a qual Kate ainda não tinha chegado. – Uma cidade com desaparecimentos inexplicáveis. Muhahaha! – Eles dois riram.

– Mas nem sequer é uma cidade abandonada.

– Não, muito melhor: uma cidade independente com o seu próprio governo. Está dizendo aqui. A cidade é esquecida e não aparece em muitos mapas dos EUA. Sem falar que o nome dela é sinistro.

– Sério? Governo Independente? – Kate deu uma analisada na página. — E por que diabos uma cidade tem nome Shadowvile? Deve ser tradução para: façam sensacionalismo aqui! Aqui! Eu sou bastante sensasionalizável!

Dug riu.

– Cara, você tem que ir pra lá. Vai ser demais. Sua reportagem vai ficar incrível.

– Eu não queria ir sozinha para o sul. É uma viagem bem longa.

– Hum... – Dug moveu seu corpo para frente e para trás, em ato de empolgação. – Talvez eu vá com você.

– Você tem trabalho, não pode ir comigo.

– Na verdade, não. Minhas férias são no mesmo tempo que as férias do período escolar, esqueceu? Claro que esqueceu, você nunca lembra de nada a meu respeito. Sendo como for, fico de férias daqui a uma semana.

– Pega leve Dug. Mas uma semana é muito tempo, e eu só tenho um mês para preencher a coluna.

– Relaxa, eu peço ao George para me cobrir. Ultimamente não tá tendo nada de muito extraordinário na bolsa de valores. Eu peço ao sr. Harris minhas férias mais cedo para te acompanhar e então embarcamos rumo ao Texas daqui a três dias. Essa viagem vai ser minhas férias. O que acha?

– Acho ótimo! Você é demais, Dug!

– Talvez seja um pouco demais, como diz.

Kate dá um soco de leve no ombro dele.

Dug levou ela para casa.

Taylor

No dia seguinte, Taylor e os irmãos saíram rumo ao aeroporto tarde da noite. Quando chegaram, esperaram no terminal. Rupert percebeu uma carta que Taylor estava lendo lá, sentado, todo atento.

– Que carta é essa? – ele perguntou.

– Nada. – Taylor, rapidamente, dobrou a carta e a guardou no bolso do seu casaco.

A voz, então, ecoou lhes avisando para embarcarem.

– Onde está a Samantha? – Taylor pergunta quando se dá conta de que ela não está por perto.

– Ela está conversando com aquele senhor. – Rupert apontou para um velho bem desgastado, sentado bem afastado das outras pessoas. Taylor e Rupert vão até lá para busca-la.

Samantha e o velho senhor os olharam chegar. O velho senhor olhou, assombrado.

– A pequenina veio me fazer companhia – o homem falava num sotaque diferente que Taylor não soube qual era. Ele sorriu. Taylor se sentiu obrigado a retribuir o sorriso.

– Vamos embarcar agora. Venha, Samantha.

– O moço... conhece a... cidade, Tay. Ele é... Set. – Disse Samantha, com cuidado para não errar as palavras.

Taylor soube, pelo nome, Set, que aquele homem, provavelmente, era egípcio.

– Não temos tempo para conversar agora. Temos que ir. Foi um prazer conhece-lo, sr. Set.

– O prazer foi meu. E devo te dizer uma coisa, filho.Essa cidade guarda segredos.

– Toda cidade guarda segredos, senhor. Agora temos que ir, mesmo. Adeus.

Taylor pegou as malas numa mão e a mão de Samantha na outra. Eles embarcaram e seguiram uma viagem tranquila. Até a primeira hora.

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Muitos no avião estavam fazendo alguma coisa, mas a maioria estava dormindo – ou tentando dormir.

Taylor pegou um travesseiro de pescoço e se acomodou. Olhou para Rupert e Samanta; Samantha estava sentada, imperativa como sempre, brincando de colorir. Rupert estava escutando música nos fones de ouvido e, aparentemente, adormecendo. Depois de olhá-los, Taylor fechou os olhos e rapidamente adormeceu.

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Quando acordou de novo, viu que todos no avião estavam dormindo. Todos mesmo. Aquele comportamento não era normal.

Ele olhou para o lado e viu que seus irmãos também estavam dormindo. Ele cutucou Rupert, que estava sentado ao seu lado. Nenhuma reação.

– Rupert? Samantha? – Os dois não respondiam. Teriam eles...

Taylor entrou em um frenesi de pânico e levantou de seu acento.

– Alguém está acordado? – Nenhuma resposta. Ele andou por todo o compartimento do avião, visando encontrar alguém com consciência. Todo mundo parecia estar morto.

Ele correu mais um pouco e viu aeromoças e comissários de bordo no chão, dormindo. Ele sacudiu alguns. Voltou e sacudiu outros. Bateu na cara de mais um bocado. Nada.

Então, a coisa mais estranha acontece. Ele olha para a janela do avião e então percebe que o avião parou no ar. Nenhum movimento para frente. Simplesmente, parado no tempo.

As luzes do compartimento ameaçam apagar, até que apagam finalmente. Taylor sente uma presença terrível. Vozes sem sentido começam a falar. Ele não entende. Ele queria muito entender. Ele queria uma resposta para aquilo tudo. Ele se agacha atrás de um acento.

Felizmente, uma única voz fala em sua língua:

– NÃO CONTINUE!

Então, outra voz fala:

– CONTINUE! CONTINUE! ESTAMOS LHE ESPERANDO!

– NÃO DÊ OUVIDOS A ELE! VOCÊ AINDA TEM MUITO PARA VIVER, E SEUS IRMÃOS TAMBÉM! NÃO CONTINUE!

– SE VOCÊ QUER SABER O QUE ACONTECEU COM A SUA IRMÃ, CONTINUE!

Taylor achou que aquilo fosse sua dupla consciência brigando para ver quem ganhava. Ele deveria continuar para descobrir o paradeiro de sua irmã, levando seus outros irmãos mais novos para um lugar estranho, ou deveria voltar, abandona-la e protege-los? Era uma briga complicada, já estava no caminho para a primeira opção.

– NÃO SOMOS SUA CONCIÊNCIA, HOMEM. VOCÊ, NUNCA, EM TODA A EXISTÊNCIA DA HUMANIDADE, TERIA UMA CONCIÊNCIA TÃO MÁ.

– AH, POR FAVOR! TOLICE VOCÊ FALAR ISSO, SEU TOLO. O FIM DA HUMANIDADE ESTÁ PRÓXIMO. MAIS DOIS BILHÕES DE ANOS, E ENTÃO, QUE COMECE O GRANDE JULGAMENTO!

– O que está acontecendo!? – Taylor perguntou. Estava apavorado e confuso. Aquelas vozes se odiavam e implicavam como aborrescentes. Obviamente, estava sonhando. A ideia o acalmou.

– DEVEMOS NOS APRESENTAR? – pergunta a voz, maldosa.

– VOCÊ SABE QUE NENHUM HUMANO PODE OUVIR NOSSO NOME E SOBREVIVER DEPOIS, MALDITO.

Uma pausa perturbadora rondou o compartimento escuro. Então, a voz bondosa fala novamente:

– NO FINAL DE TUDO, É VOCÊ QUEM TEM QUE ESCOLHER. VOCÊ NÃO VAI PARA UM LUGAR BOM. VOCÊ VAI PARA UM LUGAR MAL. AS ÚNICAS PESSOAS QUE VIVEM LÁ SÃO PESSOAS PRESAS, PESSOAS QUE NUNCA MAIS SAIRÃO. SE VOCÊ FOR PARA LÁ COM OS SEUS IRMÃOS, VOCÊS NUNCA MAIS SAIRÃO. ASSIM COMO ACONTECEU COM A SUA IRMÃ.

– NOSSA! COMO VOCÊ É DRAMÁTICO! DEUSES!

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Taylor acordou de repente, ofegando e suado. O sono foi tão bobo que ele riu ao recobrar a consciência. Já era noite. Samantha estava dormindo, mas dessa vez, o sono era normal. Quando se deu conta, Rupert estava olhando para ele.

– Pesadelo ou sonho realmente bom? – perguntou ele.

– Tenho que ir ao banheiro.

– Não vai conseguir.

– E por que não?

– A maioria dos banheiros estão ocupados a mais de 20 minutos. Será que essas pessoas estão cagando a 20 minutos? Que exagero... Enfim, os outros passageiros estão reclamando da demora para os comissários de bordo. Todos estão nas portas dos banheiros agora mesmo tentando fazê-los sair. Parece que não estão respondendo.

– Meu Deus...

Taylor se levantou e mandou Rupert ficar e tomar conta da irmã. Ele correu para o banheiro mais próximo e viu um comissário de bordo tentando abrir a porta com um pé de cabra e cinco passageiros em volta, formando um círculo.

– O que está acontecendo? – Ele perguntou a um dos passageiros. Um homem de meia idade aparentando impaciência.

– As pessoas nos banheiros não respondem. Todos estão temendo que estejam mortos, mas eu tenho quase certeza de que foi vandalismo. Eu preciso muito mijar...

Taylor empurrou o homem para o lado e assistiu o momento em que o magrelo comissário de bordo consegue abrir aporta. Uma pequena massa de gente se apressa para ver, depois recuam, aterrorizados. Uma mulher dá um gritinho de pavor.

Dentro da pequena cabine, havia uma senhora de meia idade caída no chão com os olhos revirados e a língua inchada. Os membros estavam rígidos. Ataque epilético.

Outro comissário de bordo, suado e nervoso, veio de outro compartimento e falou para o colega:

– Conseguimos abrir a porta da cabine, Jimmy. Tinha um garoto desmaiado lá. Acham que deu convulsão nele.

Jimmy olhou para a cabine novamente. As pessoas estavam começando a falar mais alto, se alarmando.

– O que vamos fazer? – ele pergunta para o colega.

Taylor que responde:

– Mandem seu piloto pousar o avião o mais breve possível. Ninguém mais vai querer voar aqui, todos irão ficar alarmados.

E também, Taylor não disse, tinha que levar seus irmãos em segurança de volta para casa. Ele sabia que aquilo era um aviso, não sabia ao certo o significado, mas era um aviso. Tinha certeza de que não existia o sobrenatural, mas não podia arriscar a vida dos seus irmãos com essa certeza. Iriam voltar para Nova York naquele dia.

Notas finais
Trailer: http://youtu.be/zGuuv8ZhXJE