Sombras
3 Decisões
Notas iniciais
Estudos têm demonstrado que as pessoas mais bem-sucedidas tomam decisões depressa porque não têm dúvidas a respeito dos seus valores e do que realmente desejam para suas vidas.
– Anthony Robbins
Taylor
Taylor acreditava que as coisas ruins aconteciam com dois objetivos: avisar e lembrar.
Acreditava é o termo correto. Pois tantas coisas, talvez ruins de seu ponto de vista lhe aconteciam tão frequentemente... Ele analisou que tais coisas acontecem por causa de uma série de decisões erradas que levam a maus caminhos. Foi aí então que Taylor estabeleceu uma nova filosofia: decisões rápidas. Mas Taylor temia não ter certeza de seus valores e do que ele realmente desejava para a sua vida.
Essa filosofia foi adquiria por ele ao ler uma frase de Anthony Robbins aos 19 anos. Robbins é um palestrante motivacional da Califórnia. Ao ler a frase, ele se questionou por ser tão inseguro em suas decisões. Quando leu aquele parágrafo, decidiu definir a si próprio como uma pessoa calculista. Essa definição não foi convincente para ele. Taylor ficou pensando por dias naquela frase de Robbins. Por que aquilo o perturbava tanto?
Decidiu, então, definir o seu ser, da forma mais verdadeira que ele pudesse conseguir. Ele queria se conhecer e descobrir o que ele mais desejava na vida, para tomar as decisões que rumam aos seus objetivos.
Ao desembarcar daquele avião com os seus irmãos, no centro de Atlanta, Taylor foi tomado pelo fantasma dessa frase. A angustia lhe tomou completamente por um instante quando ele se deu conta.
Taylor esqueceu completamente os seus valores e sua definição de caráter desde que a sua irmã desapareceu. Estava agindo de uma forma insensível e irracional. Os motivos que o levaram até aquele lugar, naquela hora, naquele dia, ficaram tão nítidos como um bofetão na cara.
Ele estava ali por sua irmã, inteiramente por ela. Não pensou em seus valores, não pensou nas consequências, não pensou nos seus outros irmãos. Ele buscava desesperadamente por uma conclusão, não importava o quanto custasse. Taylor sabia que aquela não era a pessoa que ele tinha imagem de si. Percebeu que não era a pessoa calculista que achava. Estava, naquele momento, agindo por desespero. E, de uma certa forma, por amor.
Estava perdido.
Os dois irmãos mais novos sentaram no terminal do aeroporto de Atlanta enquanto Taylor ia comprar as passagens do próximo voo para Nova York. Ele decidiu que não iria mais agir daquela maneira. Iria pensar agora em seus outros irmãos, inteiramente neles.
Quando sai o próximo voo para Nova York?
Sai daqui a uma hora, senhor.
O celular de Taylor toca. Ele pede desculpas para a moça, se distancia um pouco e atende o telefone.
Alô?
Ah, graças a Deus! Você atendeu!
Maily?
Maily Mason era a sua vizinha. Taylor não tinha um relacionamento forte com ela, como o de amigos, mas eles sempre se falavam na rua. Ela era uma boa pessoa, com um marido e dois filhos detestáveis que sempre faziam cara feia para Taylor quando o viam.
Taylor, onde você está? ela parecia muito abalada.
Ah... Eu estou em Atlanta nesse momento. Taylor não havia dito a ninguém sobre a sua viagem, mesmo estando planejando a dias. Por que?
Ah, Taylor! Graças a Deus você está aí. Aconteceu um acidente aqui na nossa rua.
Que tipo de acidente, Maily?
Um caminhão cheio de gás passou pela rua em uma velocidade um tanto alta. Então, o caminhão colidiu com o poste. O poste se partiu ao meio e caiu em cima do caminhão, e então o conteúdo dele inflamou e causou uma explosão! Simon, as crianças e eu não estávamos em casa, graças a Deus! Mas a sra. Moore... Ah, pobre sra. Moore... Maily começou a chorar no telefone. Taylor não acreditava no que estava escutando.
Ah, merda!... Que merda!
Se por um lado ele não conhecia muito a Maily, por outro, ele conhecia absolutamente a sra. Moore. Ela era como uma avó para ele e seus irmãos, sempre com mimos e dando amor. Ela era tão velhinha... O antigo mordomo Jasper, no dia em que decidiu envenenar os seus pais, os levou para a casa dela, para comer bolo. A sra. Moore morava sozinha; ainda conseguia fazer completamente tudo. Agora ela se foi.
Taylor não conseguiu se segurar. Virou de costas para os seus irmãos, encostou o telefone em seu peito e chorou. Um choro curto e pesado. Respirou fundo, colocou o celular no ouvido novamente e perguntou:
Alguém mais... alguém mais se... feriu? Ele hesitou. Estava rouco.
Não. Ninguém mais. Deus, como estou cansada.
E a minha casa? E a sua?
Destroços. Escombros. Provavelmente tóxicas com os gazes liberados na explosão. Ainda bem que Simon e eu temos uma casa de praia no litoral. Se quiser, podem vir você e seus irmãos morarem com a gente enquanto encontra outro lugar. A casa é suficientemente grande... Maily parou de falar de repente. Taylor estava pronto para agradecer e dizer que não era necessário quando ela falou: — Afinal, o que vocês estão fazendo em Atlanta?
Ah... A desculpa mais óbvia: — férias.
Ah... eu sinto muito. As férias deveriam ser legais... ela suspira vou desligar agora. Tenho que ver se ainda restou algo nesses escombros. Não acabe com suas férias por isso, Taylor. Divirtam-se. Ela desliga.
Ele olha para os seus irmãos, sentados ali perto, olhando para ele. Então ele olha para os passageiros do seu voo anterior, no outro lado do terminal, se preparando para embarcar em outro avião. Ele ouviu falar que, o que realmente aconteceu no avião foi uma série de ataques epiléticos fotossensíveis.
Os banheiros estavam equipados com um tipo de luz fluorescente com muita instabilidade. Bastou uma pequena turbulência para as sete cores da luz branca se dividirem e piscarem individualmente. Ninguém morreu, mas muitos ficaram machucados ao cair. A maioria quer abrir um processo. Quem diria que havia tantas pessoas propensas a epilepsia naquele avião...
Taylor olhou novamente para os seus irmãos, com pesar. Como ele contaria para eles, quando voltassem para Nova York, que a velha e doce sra. Moore havia morrido na explosão que também destruiu sua casa? Quando fossem para um motel até Taylor arranjar um apartamento para alugar, como ele poderia demonstrar positividade? Que sentido faria voltar para Nova York quando tudo lá havia desmoronado enquanto, na cidade em que eles estavam a caminho, tudo estava preparado para as suas chegadas?
A decisão de Taylor, a pesar de ser óbvia, foi difícil de tomar. Ele obrigou a si mesmo que estava pensando exclusiva essencialmente em seus irmãos. Mas, no fundo, se sentia aliviado por continuar o seu caminho. Ele se odiou por isso.
Ele começou a andar em direção aos seus irmãos. Tinha que lhes contar o que havia acontecido com a sra. Moore. Por dentro, se sentia egoísta por ter que compartilhar de sua tristeza com os seus irmãos mais novos, mas tinha que fazer isso mais cedo ou mais tarde. O importante, é que eles estariam juntos.
Kate
Kate se sentia como uma arma sendo manuseada por uma pessoa sem experiência. Sempre atirava para frente, mas dificilmente acertava no lugar certo. Não importa quantas vezes errasse, a arma iria persistir em acertar o alvo.
A comparação mais estranha que ela poderia criar para as situações que viveu até agora.
Tudo o que fizeram com ela até agora foi mirar e atirar às cegas para ver no que dava. Seus pais, no Kansas, a mandaram para Nova York para ver se ela conseguia arranjar um emprego bom. Seus colegas de trabalho sempre sugeriam que ela se aprofundasse em certos assuntos, para ver no que dava. E agora o seu chefe manda ela investigar um dos fatos não esclarecidos, para ver se a nova coluna iria fazer sucesso.
Kate tinha filosofias e ideias tão esquisitas que até ela se achava uma boba. Tentava amadurecer sua mente, mas sempre coisas bobas voltavam a lhe preencher. Talvez isso fosse o melhor que havia nela, a persistência de sua mente em continuar sendo uma adolescente, mesmo tendo quase trinta anos. Talvez ela fosse assim porque foi criada no interior com os seus pais que a mimavam. Kate desenvolveu uma forte curiosidade para conhecer mais do mundo, e a empolgação sempre lhe tomava quando ia conhecer um lugar novo.
Naquele momento, ela estava empolgada.
Dug e ela já haviam comprado as passagens para a misteriosa cidade Shadowvile. A pesar de saber que, provavelmente, não haveria muita coisa para se ver lá, Kate, de uma forma ou de outra, estava empolgada.
Kate estava arrumando suas malas, no quarto, quando Dug falou:
Você vai fazer aniversário daqui a uma semana. Como eu pude me esquecer?
Eu esqueci das suas férias. Estamos quites. Kate deu uma risadinha, mas Dug não retribuiu. Tá tudo bem, bobão. Não ligo com aniversários.
Dug se aproximou para ajudá-la a guardar alguns livros numa mala.
Por que vai levar esses livros?
Não sei. Na verdade, me sinto mais segura com eles por perto. Kate era uma leitora. Amava ler e era muito apegada a seus livros.
Dug torceu o nariz e guardou os livros na mala.
Já arrumei minhas coisas. ele disse, sorrindo.
Ótimo. ela disse, sem olhar.
Dug continuou olhando para ela. Kate ficou encabulada.
Por que está olhando para mim?
Dug desviou o olhar.
Ah... É que vamos viajar sozinhos, e...
Vamos sim. Algum problema?
Esquece. ele se levantou e sentou na cama. Posso guardar mais coisas, se quiser.
Kate pediu que ele colocasse as roupas separadas que estavam no seu criado-mudo na mala vazia.
Ela não era estúpida. Sabia muito bem das intenções de Dug, e tentava, sempre que podia, desencorajá-lo. Ele era seu melhor amigo e não queria perde-lo. Kate não era interessada sexualmente nele, apesar de ele ser bonito; e também, ela tem uma péssima sorte com relacionamentos.
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Eles dois passaram os dois dias seguintes organizando detalhes para a viagem. Nesses dois dias, eles mal se viram.
Taylor
Depois de horas de choro no avião, eles finalmente haviam dormido.
Assim que contou sobre a morte da sra. Moore para as crianças, Taylor se arrependeu na mesma hora. Sofreu muito ao vê-los tão tristes. Rupert tentou não chorar, mas acabou não resistindo.
Como estavam dormindo, Taylor pode descansar por um tempo, sem se angustiar.
Já era quase meio-dia quando desembarcaram em Dallas. Taylor pegou as suas malas e o seu carro. As crianças, assim que entraram no carro, adormeceram de novo. Taylor dirigiu por duas horas, mais ou menos. Quando chegaram, ele viu uma placa.
Rupert. Samantha. Acordem, chegamos!
Eles abriram os olhos e bocejaram ao mesmo tempo. Olharam para a grande placa de boas-vindas, velha e enferrujada.
Essa placa está tão velha que se cair na gente eu nem vou ficar surpreso. Rupert disse e deu uma risada. Mas parou de rir instantaneamente, como se tivesse se lembrado da sra. Moore e de sua casa.
Ah, qual é, Rupert... Taylor riu, tentando quebrar o clima de tristeza. A placa não vai cair na gente.
Eles passaram pela placa e finalmente viram a cidade.
Shadowvile não era uma cidade tão pequena assim. Ele tinha ela em mente como uma cidade fantasma, do tipo que tem gente morando nela. Taylor achou ela bem preservada até. A única exceção era a placa de boas-vindas.
Caramba... Aquilo é um shopping!? Rupert colou o rosto na janela de vidro do carro.
Parece que sim. Olha, tem um pequeno parque de diversões também.
Par-que... Samantha ficou animada.
Eu achei que era uma cidade fantasma.
Como pode ser uma cidade fantasma se tem moradores aqui, gênio? Taylor riu. Achou engraçado Rupert pensar a mesma coisa que ele pensou.
Tem moradores aqui? Então é mesmo uma cidade! Os dois riram, inclusive Samantha.
Taylor parou perto de uma calçada para pedir informações a um jovem de uns 16 anos que estava passando por lá.
Com licença... Poderia me dizer onde fica a rua Merdith Tav?
A Rua Das Casas Vazias? Meu pai é o proprietário, sei sim. Continue em frente. Quando chegar na lanchonete do sr. Colin, vire a direita. Vai aparecer uma placa da rua.
Obrigado, rapaz.
A propósito... o garoto chegou mais perto da janela Vocês são as pessoas que meu pai fez negócio recentemente, não são? Vocês são de fora, de Nova York. Os forasteiros.
Ah... Sim, somos de Nova York.
Uau. Já é a segunda vez que forasteiros vem aqui esse ano. A garota que veio antes de vocês era de Nova York também.
Taylor viu uma oportunidade.
Você conhecia Doreen Sure?
Sim, claro. Não de intimidade, mas conhecia. Ela tá desaparecida a um mês. O prefeito disse que talvez ela tenha ido embora... ele parou de repente e piscou como se tivesse se dado conta de algo. — Ah, claro! Você é o irmão dela!
Sim, eu sou. Não tenho notícias dela há um mês.
Ah, sim. Sinto muito, cara. A propósito, eu sou o Bradley, mas pode me chamar de Brad. Tenho que ir agora, prazer em te conhecer, cara. ele olhou para o banco de trás Iaê. — e saiu.
Hospitaleiros. Taylor observou.
Só conhecemos um. Disse Rupert. Como sempre, desconfiado.
Taylor seguiu as coordenadas do enérgico Brad, e então chegaram à rua Merdith Tav, ou a Rua Das Casas Vazias. O apelido lhe dava jus.
Haviam muitas casas na rua, mas todas estavam vazias. Pareciam novas, mas, ao mesmo tempo, antigas. Eram todas da mesma cor verde. Provavelmente ninguém morou ali por um bom tempo.
Taylor pegou o celular, ligou para o dono dos imóveis e avisou que haviam chegado na Merdith Tav. Ele disse que já estava a caminho.
O nome dele era Lenon Jackson. O sr. Jackson não tinha um corretor. Ele havia dito que era mais sensato ele mesmo tratar de seus próprios negócios.
Cerca de cinco minutos depois ele chegou e os cumprimentou. Lenon Jackson aparentava ter uns cinquenta anos. Era, também, bastante amigável.
Bem-vindos a Shadowvile. A cidade com um dos nomes mais esquisitos dos EUA. eles riram. Venham, deixe-me lhe mostrar sua nova casa.
A casa era bem bonita. O tamanho ideal. O sr. Jackson disse que fez algumas reformas nela a um tempo atrás. Disse também que Doreen planejava aluga-la no futuro quando conseguisse um emprego melhor.
Rupert escolheu o quarto de cima, assim como Samantha, que escolheu o outro restante. Restou a Taylor o quarto de baixo. Gostou bastante dele, era bem espaçoso, e tinha vista para os campos a leste. Ele adorava campos.
Bom, já que está tudo resolvido, irei agora. Se precisarem de alguma coisa, pode falar comigo, Taylor. Tem um supermercado no centro. E se quiserem um guia para lhes apresentarem a cidade, chamarei o meu filho Bradley. Bom, na verdade vai ser até um prazer para ele porque ele adora conhecer gente nova.
Já conheci o seu filho. Ele nos disse como chegar aqui. Muito amigável.
Taylor disse que queria Bradley como guia no dia seguinte. O sr. Jackson sorriu e acenou para eles em despedida.
Taylor e os irmãos descansaram um pouco. Mais tarde, Taylor foi até o mercado no centro para comprar comida. Todos o olharam, e ele poderia jurar que a balconista piscou para ele.
Eles passaram o resto do dia na sala, conversando e jogando jogos de tabuleiro. De xadrez para banco imobiliário. De vez em quando eles ligavam a TV, mas desligavam na mesma hora, pois, na maioria das vezes uma reportagem cobria o acidente na rua que eles moravam em Nova York. Finalmente foram dormir às 12h da noite.
Na manhã seguinte, Taylor acordou com batidas na porta. Ele vestiu um roupão e foi até a porta. Quando abriu, viu Bradley e um outro rapaz mais velho, mais alto e mais bem vestido.
Acordamos o forasteiro, Bradley. Você é o culpado. O garoto bem vestido falou. Ele tinha um pouco de sotaque britânico.
Eu? Ah, desculpe sr. Sure. Deveria ter vindo mais tarde. disse Bradley, atrapalhado.
Está tudo bem. Taylor amarrou o roupão. Entrem.
Os dois entraram. Taylor foi para o quarto se vestir, mas o quarto era perto o suficiente da sala para conversarem. Olhou o relógio; eram 9:12 am.
Nunca entrei numa casa da Rua Das Casas Vazias. Não sabia que era mobilhada. Até que é bem legal. Disse o garoto de sotaque britânico. Taylor terminou de se vestir e saiu. Não fomos apresentados ainda. Sou Anthony Kenrick. Me chame de Tony, se quiser. Eu preferira; Anthony é um nome muito grande e chato de se falar.
Ah... Oi. Taylor achou engraçado a ousadia do garoto. Por que será que estava ali? Meu nome é Taylor Sure. Sou de Nova York.
Sei quem é você, Brad me deixou informado. Deve estar se perguntando: o que esse garoto metido a rico britânico está fazendo na minha casa? Não está?
Não diria que estou pensando exatamente desse jeito, mas estou. Taylor deu um risinho.
Eu sou o dono da Shadowvile Entertainment, ou, simplesmente SVE. O shopping da cidade, o parque de diversões e o prédio de jornalismo fazem parte da SVE. Aí você se pergunta: como ele conseguiu tanto dinheiro para investir nessa empresa, tão jovem como é!? Aí eu lhe respondo: meus pais são um dos maiores investidores no bloco econômico chamado União Europeia. Eles investiram em mim, que investi nessa cidade. Eu gostaria de ter construído um parque aquático também, mas nem fudendo que meus pais iam me dar tanto dinheiro.
Taylor ficou boquiaberto. Pelo que o rapaz havia dito, não havia dúvidas: ele, com certeza, fazia parte de uma das famílias mais ricas da Europa. O que ele estava fazendo naquela cidade?
Pois bem, meu caro forasteiro. Estou aqui com Brad-Bunda-de-Jegue Brad murmurou um insulto para lhes acompanhar, você e seus irmãozinhos, ao incrível tour na cidade Shadowvile! — Um nome estúpido que já tentei mudar, mas não tenho autoridade suficiente -, e aproveitarei para lhe contar algumas histórias.
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Anthony e Brad mostraram a eles o shopping, o parque e a praça principal, onde estavam agora. Anthony contava histórias bem interessantes durante o passeio.
Eu chamei o Brad-Bunda-de-Jegue de Brad-Bunda-de-Jegue porque, a três anos atrás quando ele entrou no ensino médio, ele decidiu ir para a escola de jegue porque a escola é longe da sua casa e ele não tinha um carro. E seu pai tinha um jegue.
Já pode parar, Tony disse Brad, corando de vergonha.
De jeito nenhum. Como eu ia dizendo... ah sim, Brad-Bunda-de-Jegue foi para a escola de jegue. Como ele não sabia andar de jegue, assim que chegou na escola, ele caiu de bruços.
Ah, qual é, Tony.
Ai, quando ele caiu... Tony sufocou uma rizada o jegue... ai deuses, o jegue começou a apalpar a bunda dele com a pata dianteira, como se quisesse que ele a levantasse para... Tony se tocou que as crianças estavam por perto para fazer alguma coisa que eu não sei. Insistiu tanto que rasgou a sua calça. Todos os seus colegas viram a bunda dele, foi hilário.
E humilhante. Tony estava rindo, assim como Rupert, Samantha e Taylor. Pouco tempo depois, Brad riu também.
Brad, você podia levar as crianças para conhecerem os irmãos mais novos da Julia? Tony sugeriu. Se Taylor estiver de acordo.
O que acham? Taylor perguntou. Eles concordaram, animados em conhecer mais gente. Traga eles de volta às 10h, Brad. Pode me dar o seu número?
Brad gravou o seu número no celular de Taylor e levou as crianças embora.
Sua irmãzinha é bem esperta. Nem parece ser autista.
O autismo dela é leve. Desde bebê ela vêm exercitando suas habilidades. Tem tudo para ser uma pessoa normal quando ficar adulta.
Isso é ótimo! Tony olhou para eles, que já estavam saindo de sua vista. Eu conheci a sua irmã. A mais velha. Taylor olhou para ele. — Ela disse que eles dois são adotados. Eles sabem?
Não. E espero que não descubram tão cedo. Em todas as circunstâncias, somos irmãos.
Isso é lindo.
Eles pararam e olharam na direção que Brad levou as crianças.
Mal o conheço e já estou confiando os meus irmãos mais novos.
Bradley é um bom garoto, Taylor. Seus irmãos estão em boas mãos, dou minha palavra. Ele parou por um instante, olhou para os lados e continuou: — Preciso lhe contar uma coisa.
Taylor parou de andar.
É sobre a minha irmã?
Não, lamento. ele o incentivou a continuar a andar. alguém quer te ver. Quer esclarecer o que não foi esclarecido. Quando sua irmã o viu, ela teve uma reação bem violenta. Acho que você também reagirá assim. Por isso devo lhe pedir, desde agora, que se acalme.
Do que está falando? Quem é essa pessoa?
Alguém do seu passado que está aqui. Ele me contou toda a sua história, e contou também à sua irmã. Você deve escutá-lo também. Taylor fez cara de quem não está entendendo. Venha, por aqui.
Eles entraram por uma rua a oeste, atravessando a praça. Taylor viu uma porção de casas decoradas em diferentes estilos na rua. Parecia até obra de arte. Ele achou que iam parar nela, mas Anthony continuou a guia-lo para mais à frente.
Taylor se questionou, por um momento, se Tony teve alguma coisa haver com o desaparecimento de sua irmã. Se foi com essa mesma história de que alguém queria vê-la que ele a levou para um lugar estranho e a sequestrou ou a matou. Ele só pôde pensar em seus irmãos, mas se obrigou a continuar.
Anthony finalmente disse que haviam chegado na rua. Ele foi até uma casa azul e bateu três vezes.
Taylor, por favor, mantenha a calma.
Eu estou calmo. Por que está mandando eu ficar calmo?
Você está ficando estressado.
Eu não estou estressado, caramba! ele não se deu conta que havia falado mais alto.
Ah claro, engano meu. Você está calmíssimo. disse Tony em deboche.
Taylor ouviu passos chegando na porta. Quando finalmente a porta se abriu ele não pôde acreditar no que viu.
O rosto estava ainda mais velho, mas ele era familiar. E como era familiar. Uma raiva lancinante o preencheu imediatamente. Nunca teve tanta vontade de machucar um idoso como naquele momento. Ele sentiu mãos em seus braços; Tony o estava segurando para não avançar.
Você... Você! Como ousa ter coragem de olhar para a minha cara com essa cara de inocente!? Ele é o Jasper! Matou os meus pais, você sabia? Por que me trouxe aqui? Eu vou mata-lo...
Êpa, não vai ter mortes hoje não. Eu disse para você se acalmar.
Eu vou embora. Vou ligar para a polícia. ele tentou se desvencilhar das mãos de Tony.
Por favor, não faça isso. Eu preciso lhe contar uma coisa... o velho estava com as emoções a flor da pele. Como eu senti saudades...
Vá a merda com a sua saudade. Tony, me solte.
Não. Você vai entrar e escutar. — Tony não o largou.
Eu não quero.
O velho Jasper levantou a mão.
Então eu contarei aqui mesmo.
Taylor parou de se debater. Olhou nos olhos dele.
Conte. — disse ele com toda a frieza que pôde reunir.
Seus pais eram traficantes de crianças. Nenhum de vocês é filho deles. Eu os matei por que eles iam mata-los.
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