Sombras

9 Capítulo 9 - Beijo com poesia.


Notas iniciais
Mais um capítulo pra vocês, espero que gostem. Boa leitura seus linds.

–Oh. Já? Eu... É...

Mordi o lábio inferior, segurando o riso.

–O que foi? Estou tão sexy assim? — ele riu, sujando a ponta do meu nariz com molho, e limpou com o polegar em seguida. -Entra.

Johnny foi um pouco para o lado e eu consegui passar. A sala era bem aconchegante e cheirava a lavanda. Acompanhei-o até a cozinha, que ao contrário da sala, estava uma bagunça.

Uma panela estava caída no chão, sujando-o de molho vermelho, por pouco não pisei em cima. -Hm. Aqui é seguro? Tipo, nenhuma panela vai explodir né? — perguntei, fazendo cara de espanto.

–Bom. Você entrou em território inimigo. Certamente algo explodirá. — ele sorriu de canto.

–Certo. Mas eu tenho como me defender. Devo ter... -coloquei a mão no bolso da calça e tirei um objeto. — um grampo. Muito útil, sabe.

–Uou. Vai com calma com esses instrumentos de tortura. — ele levantou as duas mãos.

–Vou pensar. E ai, quer ajuda para limpar essa bagunça?

Johnny veio arrastando uma cadeira da sala de jantar até a cozinha. -Você senta ai. A lasanha já está no forno e eu vou limpar essa bagunça.

–Ok. Hã... Posso perguntar uma coisa? — vendo que ele assentia, continuei. -Antigamente você podia sentir a presença de Eveline e tudo mais. Ontem você não falou nada, não a sente mais? — perguntei tentando usar as palavras certas. -Eu sempre quis perguntar. Por que você a sentia? Você era o único, além de mim...

–Foram duas perguntas. -disse ele parando de limpar o chão e encarando a janela aberta.

–D-desculpa, eu...

–Tudo bem. -ele tentou um sorriso. — Depois de várias pesquisas e muitas idas a biblioteca, não descobri. Eu nunca contei a ninguém. -disse ele um pouco mais baixo. — Eu não só sentia a presença de Eveline. Em meus sonhos, eu era levado a lugares de que eu nem sabia da existência. Só que tudo mudou quando você foi embora. — disse ele corando de leve. -Mas depois de um tempo voltou e agora parou de novo. Eu não entendo, e cansei de tentar.

Então esse era o problema. Me perguntei se deveria falar sobre o sonho, mas descartei essa hipótese rapidamente quando me lembrei do que Zoey tinha dito.

–Interessante.

–Já que estamos num momento de revelações, não terá problema se eu fizer mais uma não é?

Balancei a cabeça.

–Certo. Aconteceu uma coisa no cemitério que eu não contei... F-fiquei receoso em... -ele riu nervoso. -Enfim, eu consegui falar com minha avó Lanne. Mas foi de uma forma esquisita. Ela falou em sua boca. Eu falei, que não tinha mais os sonhos, então ela me disse que você me ajudaria. E peço que não concilie o que Ashley falou a você com isso, pois...

–Está tudo bem. — com o dedo, limpei a mancha de molho de sua bochecha. — Eu não faço a mínima ideia de como vou poder te ajudar, mas o que estiver em meu alcance eu farei.

Após Johnny ter terminado de limpar o chão, ele começou a tirar o avental e corei quando me peguei olhando seu abdômen.

Ouvi um latido forte. -Dragon? -perguntei a Johnny.

–Ah é. Já ia me esquecendo.

–ele pegou em minha mão e me levou até os fundos. -Temos visita, Dragon.

Mais um latido. Só que dessa vez eu senti medo. Um Dobbermann veio em nossa direção. Minhas pernas amoleceram. Esse é Dragon? To ferrada.

Dragon se aproximou de Johnny, que fez carinho em sua cabeça. -Vem cá. Ele não morde. -Johnny riu.

–Ah claro que não. Ele só vai arrancar um, ou os meus dois braços.

–Talvez a sua perna também, nada mais. — vendo minha cara de espanto, acrescentou. -É brincadeira, me dá sua mão.

Estendi o braço com cautela, Johnny pegou minha mão e me trouxe mais perto. Colocou sua mão em cima da minha e levou até a cabeça de Dragon. Fiz carinho atrás das orelhas, e Johnny acariciou minha mão e depois soltou. Olhei para ele, aqueles olhos esverdeados me incentivaram a continuar, e assim eu fiz. Demos comida e brincamos com Dragon até lembrarmos que tinha uma certa lasanha no forno.

***

– E ai como vai a banda? — perguntei guardando a última louça.

–Eu saí. Estava me expressando e estava ocupado com outras coisas.

–Entendi. — olhei no relógio que marcava 15h30min. -Acho que já vou, a aposta já ta paga então...

–Há-há-há. Muito engraçada você. Ainda faltam seis dias. E é cedo, fica mais.

–Sei não. — falei, querendo dizer um animado "claro/sim".

–Sem essa. Vem aqui, quero te mostrar uma coisa.

Acompanhei Johnny pelo corredor, até seu quarto. Um skate Longboard estava apoiado na cama de casal. Em cima da cômoda algumas miniaturas,
As que eu pude reconhecer foi Dumbledore, Misa Misa e Darth Vader. As paredes eram pretas e apenas uma, a metade de baixo era preta e a de cima branca. Na parte branca, ele tinha escrito com uma letra arrastada, -porém linda- poesias e citações. Johnny apontou e leu "Afinal, aqueles que amamos sempre será parte de nós. -Harry Potter".

–Lembra que você lia pra mim? — ele sorriu, passando o dedo onde estava escrito com "Harry Potter".

Assenti e ri surpresa. Eveline tinha razão, as pessoas não mudam assim. Perdida em meus pensamentos, não vi quando Johnny se aproximou, demais até. Ele acariciou minha bochecha, me olhando nos olhos recitou:

Como o céu tempestuoso eu me tornei

Vaguei pela imensidão dos mares

Pela terra atormentada, a procura da minha felicidade

Você abriu os meus olhos

E pude ver que ela sempre esteve comigo

Meu coração bate em seu peito

Seus olhos me arrebatam desse mundo de tormenta

Seu sorriso ilumina qualquer escuridão

Você carrega um coração nas mãos, o meu

E isso não pode ser jogado fora.

Eu estava sem reação, não esperava por aquilo. Ele me olhava nos olhos, como se quisesse enxergar a minha alma. Johnny sorriu me puxando pela cintura. — o que fez meu coração acelerar ainda mais -, seus lábios se encontraram com os meus de uma forma lenta e metódica. Era tão difícil não corresponder que nem.tentei e quem tentaria? Enrosquei meus braços em seu pescoço, deslizando minha mão por seus cabelos loiros. Perdi a noção do tempo, meus sentimentos estavam tumultuados. Eu me sentia extasiada.

Por fim, nossos lábios se separaram e eu abri os olho, estonteada. Estávamos ambos ofegantes. Ele beijou a ponta do meu nariz e sorriu.

***

Cheguei em casa, deixei a chave do carro na pequena mesa de vidro ao lado da porta e me joguei no sofá com um sorriso bobo no rosto. Fiquei deitada lá até meu celular tocar e me trazendo de volta para a Terra.

–Alô?

–Amy? Oi. Aqui é a Zoey. Eu tava pensando se você não podia vir aqui?

–Aconteceu alguma coisa?

–Ah não. É que eu precisava de um favor, se não for incômodo...

–Que nada, chego ai em alguns minutos.

Deixei o carro em casa e decidi ir de magrela. Passando pelo calçadão na margem do rio. Um vento fresco trazia o perfume das flores. E rapidamente agradeci por morar na capital das rosas.

Zoey tinha mudado a cor da loja — graças a Deus. — e o nome. Agora quando olhava para aquela pequena loja no meio de duas grandes, não se via mais aquele azul-celeste descascado e sim um iluminado roxo que na fachada se le: Lua Mística.

Entrei e o sino que pedia na porta tocou. O perfume da loja era tão bom que me deu fome. Zoey estava mexendo em uns papéis atrás do.balcão. Seus cabelos vermelhos caiam como cascata nas costas, ela usava seus famosos amuletos por cima do longo vestido de malha verde.

–Zoey. — sorri.

–Ah. Olá. — ela deixou os papéis de lado. — Como você ta?

–To bem e você?

–Em harmonia. — ela sorriu. — Então, eu preciso ir à prefeitura entregar uns papéis, por causa do Saturday Market. Vai ir né?

–Claro. — sorri.

Fazia meia hora que Zoey tinha saído e estava meio perdida. Tinham. chegado duas clientes, e eu consegui atendê-las adequadamente, mas outras queriam leituras. Eu estava lendo alguns livros da estante, quando entrou uma senhora. Seus cabelos brancos formavam uma tiara de trança -que a deixava muito linda, aliás -e ela se vestia de uma forma diferente das outras senhoras, usava um vestido até o joelho. Que a deixava mais jovem, sem contar nos colares e anéis.

–Olá jovem. — disse ela com uma doce voz.

–Olá, como posso ajudar?

–Vejo que a Srta Zoey arrumou uma ajudante.

–Ela teve que dar uma saída, e sim, vim ajudá -la. — sorri.

–Encantador. Bom, eu preciso de uma pena de fênix e acho que chifre de uni... Não, esse não. Apenas isso. — ela sorriu gentilmente.

–Como? Eu...

–É um amuleto, sua bobinha. Atrás de você, Amy.

–Ata. -ri sem graça e peguei o amuleto que tinha algumas penas cor de fogo. -Aqui está. Espera, como a senhora sabe meu nome?

–Está escrito no crachá. — ela colocou o dinheiro no balcão. — Até logo, minha jovem. — e saiu pela porta, fazendo o sino tocar.

–Mas não to usando crachá. -murmurei. Essa senhora zoeira me trollou.

Peguei um livro que falava de curandeiros e retomei minha leitura. Assustei-me quando o sino tocou novamente, só que dessa vez era Zoey. Contei a ela das vendas e das clientes que marcaram leitura e sobre a senhora, que Zoey confirmou não ser sua cliente.

–Então ta, já vou indo. -dei-lhe um abraço.

–Calma. Tenho um negócio pra você. -ela abriu uma gaveta e tirou de dentro, um pequeno frasco de vidro, que continha um líquido azul. -Aqui dentro tem uma coisa muito importante e útil. Antes de dormir, você bebe ele e terá sonhos realmente incríveis. — ela piscou.

***

Eveline tinha sumido o dia todo. Conversei um pouco com minha mãe, que avisou que surgiu uma nova viaje na semana que vem. Com Louis pelo Webcam, que me disse que faria um show com a banda, no Saturday Market, no domingo à tarde e com Judith que me fez milhares de perguntas sobre o almoço com Johnny.

Depois de comer quase uma caixa inteira de danut's, subi até meu quanto. Já era 23:03 e eu estava doida para beber o líquido. Que tipos de sonhos "realmente incríveis" eu teria? Era uma das dúvidas que eu queria desvendar.

Tomei coragem e bebi o líquido azul de dentro do frasco. Uma queimação passou por minha garganta lentamente até minha barriga. Depois que eu pensei que tinha passado, ela subiu rapidamente até minha cabeça e eu apaguei.

Notas finais
E aí o que acharam? É muito importante eu saber a opinião de vocês. Até o próximo e beijos.