Sombras
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Entrei correndo cheio de armários. Tinha acordado atrasada. Dormira mais que a cama — como meu pai dizia. — Vesti correndo uma camiseta qualquer e uma calça jeans, nem deu tempo de comer nada, estava morrendo de fome.
–Abrem o livro na pág... — entrei interrompendo o professor.
–Com licença. — falei. Ele me fuzilou com o olhar, fingi que não vi e corri sentar ao lado de Jud, que estava com seus cabelos alaranjados preso numa trança.
–Oi. — falei deixando a mochila de lado.
–Oi. — disse Judith com a cara amassada. -Falei com Zoey, ela pediu para eu te dar isso. — Ela pegou um Filtra Sonhos de dentro da mochila e me deu. Suas penas eram em azul-celeste e branco, ele era grande, quase do tamanho de uma bola de futebol. Adorei.
No intervalo encontramos com Louis e fomos até o pátio comer os cupcakes que Judith tinha feito. Depois de longos períodos de biologia e matemática o sinal tocou, avisando que era hora de ir pra casa. — para nossa alegria.
Estava saindo do colégio pelo estacionamento, era mais rápido. Avistei de longe um cara encostado em um carro. Ele usava uma calça clara e uma camiseta preta com desenho tribal, seu cabelo loiro estava bagun... Era Johnny. Johnny acenou e eu fui até ele, estava com um cigarro apagado entre os lábios.
–Oi. — Falei.
–Oi. Não vai acender meu cigarro?
–Ah pensando bem. Não! Prefiro assim.
–Ok. — ele deu de ombros. Fez a volta no carro e abriu a porta, me vendo ali parada disse. — Você não vem?
Acabei entrando no carro, Johnny dirigia com agelidade, movendo seus fortes braços pelo volante. Corei, por me pegar observando-o.
–Onde a gente vai? — perguntei.
–Visitar minha avó, e podemos aproveitar e dar um oi para seu pai. — ele sorriu.
Entramos com o carro pelo portão de ferro que em cima formava um arco onde se lida:
Cemitério Local de Portland
Passamos em uma banca e compramos algumas flores. Fomos andando um do lado do outro.
–Soube que Eveline voltou. — ele disse
Assenti. — Sim, voltou.
Chegamos até a lápide da Lanne, avó de Johnny.
Tirei com o pé algumas sujeiras que estavam na grama, peguei as flores de Johnny e coloquei lá. Fiquei abaixada, olhando para o letreiro que dizia: "Lanne, uma avó, uma mãe." Johnny se abaixou ao meu lado e murmurou. — Obrigado.
Sorri.
Ele levantou depressa. — Amy.
Levantei. — O que foi?
–Será que você não... Conseguiria falar com ela?
–Mas Johnny, eu nunca tentei falar com outros, além de Eve.
–Amy, eu preciso dela. Por favor.
–Tudo bem, mas não sei como começar.
Ele colocou a mão na testa, bagunçando ainda mais seus cabelos.
–Já sei. Fecha os olhos, pensa nela. Sei lá, tenta visualizá-la conversando com você.
Fiz o que ele pediu, fechei os olhos, pensei na vó Lanne. Visualizei-a do jeito que a tinha visto pela última vez. Seus cabelos brancos, suas roupas largas, seus amuletos e sua voz suave. Senti um arrepio na nuca e amoleci. Johnny me segurou antes que eu caísse.
–Olá Amy. — disse uma voz. Gesticulei para Johnny se afastar, e ali estava Lanne. Eu tinha conseguido.
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