O salão era mesmo imenso. Chamava muita atenção naquela noite que a lua ja tomava posse. Iluminado, com luzes verdes, flores na frente, bancos de madeiras, janelas imensas enfeitadas com glamour, e uma entrada de palácio. A entrada consistia em uma passarela prata, que passava pelo jardim, e subindo as escadarias, dava para a porta. Cinco seguranças de cada lado, dois fotógrafos iluminando nossos rostos com o flash.

Subimos aquela escadaria, até a entrada principal. Segurava Jenna pela cintura, me sentia como se estivesse no meu casamento.

-Eles se esforçaram bastante pra esse baile.- Disse ela observando a decoração do exterior. – Parece aquelas festas antigas, que eram formadas por donzelas e seu cavalheiros.

-Só por fora tambem.. Espera entrar.

Dois homens abriram as portas para nós. É, estava como eu imaginava. Por fora, um lugar luxuoso, calmo e culto. Por dentro, um lugar luxuoso, agitado, e com muita música. Uma boate. Gigantesca. Todos os alunos do terceiro colegial estavam la. Todas as sete salas vestidas com roupa de gala, e dançando descontroladamente. Todos os meninos com ternos, e as meninas com vestidos enfeitados, quase gastado de tanto dançarem. Estava escuro, com aquelas luzes coloridas, só para enchergar o companheiro.

Um palco no meio do salão, com um microfone, e alguns sofas para os adultos, ou seja, os diretores, professores, cordenadores, e dono do salão.

-Meu Deus- Disse Jenna- Você tinha razao.. Só por fora mesmo.

-Aqui dentro, uma boate.

-Nossa, que povo alegre.

-Você dança?

-Não.. Nunca dancei.

-Eu danço, mas não gosto muito. Vem- Peguei ela pela mão, e a guiei até os barmen.

Passamos por um bando de meninos desoculpados, encostados na parede, a procura de alguma menina pra se aproveitar. Foi só Jenna passar, que começaram a mexer com ela. Opa! Com a minha garota não! Passei o braço pelo seu pescoço, abraçando seu ombro, anunciando ‘’Essa ja é minha’’, ela apenas me olhou como uma forma de agradecimento.

Sentamos naqueles banquinhos do balcão da bebida.

-O que quer pra beber?

-Não quero nada não Drow.

-Duas batidas- Pedi para o barmen

-Duas?- Jenna perguntou pra mim.

-Uma pra mim, e outra pra você.

-Aah teimoso, eu disse que não quero nada!

-Mas vai beber, aproveita essa noite vai.

-Mas eu não quero, não posso beber.

-Porque não?

-Faz tempo que não bebo.

-Uma batida não mata ninguem.- Eu disse e a beijei. Ela apenas sorriu, e pegoou sua batida.

De longe, vi Josh e Stacy na pista, pareciam que conversavam. Ele estava de terno, e ela coitada, com um vestido grande, largo, por causa da barriga. Mas era enfeitado, ainda sim estava bonita.

Depoi que nosso copo esvaziou, ficamos conversando um pouco, e depois resolvi levar ela pro jardim. Uma porta nos fundos do salão levava até um jardim. Nesse jardim, bancos, arvores, flores de todo tipo, iluminado por alguns postes de prata. Nesse jardim tambem tinha um lago. Acho que lagos me perseguem. Uma ponte atravessava ele, e dava para alguns quiosques isolados. Um lugar perfeito para nós. Quiosques cobertos, com relva de flores pelos pilares que o segurava. Bancos em volta, e no meio, um espaço para dança. Esse sim era um cenário antigo. E como as pessoas gostavam do povão e da agitação, o lugar estava vazio,árecia que era reservado apenas para nós dois.

-Que lindo que é aqui!-Disse Jenna sentando no banco do quiosque.

-Melhor que la dentro.

-É.. Eu prefiro lugares assim, sussegado.

-Temos o mesmo gosto.

-Claro Drow, somos feitos um para o outro.

-Vem ca minha coisinha linda.- Puxei ela para perto de mim. Sentada do meu lado, abracei ela por traz, e a deixei presa junto comigo. Com o rosto encosado, dei varios beijinhos pelo rosto inteiro dela, e ela respondi fazendo carinho no meu pescoço.

-Hoje quando eu te vi.. Meu coração por dentro disparou. Foi tão lindo. Eu sai da porta de casa, e vi la na rua, você encostado no carro, de terno, com o cabelo arrumado, olhando para mim. Seus olhos brilhavam.. Foi tão perfeito. – Disse Jenna.

-Oo meu amor.. Não sabia que tinha visto assim. Se eu te contar que comigo foi a mesma coisa, você acredita?

-Acredito. To me sentindo tão bem de tar aqui com você.

-Eu tambem. To mais feliz ainda de saber que depois que sairmos daqui, vamos começar o nosso destino. Vou procurar casas amanhã mesmo.

-Ja??

-Eu to ansioso amor.

-Que adiantado você! –Disse ela sorrindo e apertando minha mão.- Primeiro tem que ter a certeza que quer ficar comigo para sempre.

-Eu ja tenho ela, e faz muito tempo.- Me levantei e estendi a mão.- Aceita dançar Senhorita Baylets?

-E porque eu dançaria com você Senhor Morset?- Respondeu ela entrando na brincadeira

-Porque eu vou te levar pras estrelas- Puxei ela pela mão, e fui para o centro do quiosque.

Puxei ela junto a mim, coloquei minhas mãos em sua cintura, e ela passou os braços por meu pescoço. Olhando em seus olhos, ficamos dançando lentamente naquela noite. Um balanço calmo de um jeito muito romântico. Com a cabeça encostada no meu peito, Jenna fazia carinho no meu rosto, e eu descançava ele em sua cabeça, dando beijinhos no seu cabelo.

Na minha cabeça uma melodia curta se repetia, um som de piano na minha mente, parecia que acompanhava nosso movimento, como se estivesse tocando mesmo, como se passasse de um som preso em pensamentos. Essa melodia, eu ja tinha ouvido antes, Jenna tinha tocado para mim, na noite que nos beijamos pela primeira vez. Sombra de um Sorriso. O nome que ela deu para aquela melodia delicada que sua mãe criou.

Foi aí que fez sentido o nome da música. Naquela noite, as estrelas brilhavam, e a lua sorria para nós, emitindo acima de nossas cabeças, a sombra de um sorriso. É como se fosse uma magia, criado apenas por nós dois, na qual ninguem conseguia perceber, nem ver, apenas eu e Jenna.

A noite acabou se passando rápido, e eu sinto que aproveitei ela da melhor maneira.

Me despedi da festa, dos meus colegas, e professores. Tudo bem que escola é uma coisa insuportavel, mas memo assim eu sentiria falta de tudo que me aconyteceu, de cada segundo, cada conflito, cada conquista, cada momento, cada acontecimento.

Liguei para o motorista particular, e ele veio buscar nós dois. Descemos as escadas, e entramos no carro, sentando banco do passageiro.

Jenna ligou para Ethan, para avisar que estava chegando, mas ele por sua vez não estava presente, estava em um posto de saúde. E como ele estava com a chave da casa, Jenna não tinha como entrar, então resolvi levar ela pra casa, para ela não ter que ficar la fora esperando. Me preocupou Ethan estar em um posto de saúde, eu sei que ele esta piorando cada vez mais, e isso me entristece por dentro. Não é nem por mim, mas sim por Jenna que sinto isso.

O carro estacionou na frente de casa, mas antes que eu pudesse descer, meu celular tocou, vi na tela que era Josh que me ligava.

‘’ –Drow?? Aonde você esta??

-Chegando em casa.. Porque? E porque essa voz de apavoro cara?

-Stacy!! Ela vai ter o bebe!! Chegou a hora!!

-Hm? Ja?

-JA UAI! CORRE VOCE PRECISA VIM AQUI URGENTE! ELA PRECISA DE VOCE!

-Ta eu vou onde voces tao?

-NO HOSPITAL CENTRAL, COOORRE DROW PELO AMOR DE DEUS! ‘’

A voz de Josh estava angustiada, ele gritava falava rápido e apavorado, e por traz dava pra ouvir os gritos de Stacy. Tinha chegado a hora, agora eu ia encarar a verdade e a realidade, ver nascer um filho meu. Eu não tava preparado para isso. Mas eu não ia bancar de covarde.

-Oque foi Drow?- Perguntou Jenna do meu lado.

-O bebe de Stacy vai nascer.

-Ela precisa de você la né?

-Precisa.

-Então vai, eu fico aqui.

-Tudo bem por você?

-Claro que sim, tudo bem, eu entendo, vai la.

-Ok então- Sai correndo pra dentro de casa, encontrei Marcos comendo na mesa da cozinha- Marcos, cade Susana?

-Ela saiu com Thiago.. Acho que vai passar a noite fora.- Respondeu Marcos limpando a boca.

-Hm.. Você pode fazer um favor pra mim? Toma conta de Jenna, é que eu tenho uma coisa pra fazer agora, e ela vai ficar aqui.

-A sua namorada?

-É.

-Ta eu cuido. Boa sorte Drow, não se preocupa com ela.

Avisei Jenna que ela ficaria em casa e que meu tio estaria la com ela, ela concordou e entrou. Entrei no carro o mais rápido possível, e fui direto para o hospital.

Chegando la, fui na recepção, ver em qual quarto Stacy estava, achei.

Ela estava anestesiada, a enfermeira me disse, o parto normal seria realizado e só uma pessoa podia estar junto. Mas antes de eu me candidatar, outra pessoa ja tinha entrado la, quem acompanharia ela no parto, seria Josh. Isso porque eu cheguei tarde, e não dava mais tempo para eu entrar. Então fiquei na sala de espera. Confesso que estava um pouco nervoso. O hospital estava um pouco vasio. Uma hora da manhã ja era, e nos corredores só passavam médicos, enfermeiras, macas, e pessoas com soro.

Como não tinha nada para fazer, resolvi abrir aquele envelope. Eu tinha guardado ele no bolço do terno, e agora ja que estava desocupado e esperando o parto de Stacy, resolvi ler. Dentro dele, uma carta dobrada. Uma imensa carta.