Sombra De Um Sorriso
25 Capítulo 25
Cheguei em casa, estava tudo escuro. Tudo menos o jardim de inverno, que estava com a porta de vidro aberta. Resolvi dar uma olhada. Minha mãe tava lá. Cochilando na cadeira de balanço de madeira. Como já era mais de meia noite, eu fui acordar ela, pelo menos para coloca-la na cama né.
-Mãe??- Chamei cotucando ela, que depois de um pulo, e quase me acertar com um tapa, acordou.
-Aaa muleque que susto!!! Nunca mais faz isso!
-Mas eu só vim te acordar! Vai deitar na cama.
-Espera um pouco.. Eu tava te esperando.
-Me esperando? Pra que?
-Eu queria falar com você. Sobre hoje.
-Fale.
-Primeiro, nao fiquei contente com voce nao ir com nós no restaurante!
-Eu já te expliquei o porque! E até parece que não se divertiram.
-Nos divertimos mas seria melhor com a família toda junta.
-Não pra mim.
-Aa ta bom vai- Disse ela começando a ser como mães bravas. Mas depois mudou de atitulde o mais rapido possível.- E como foi la?
-Bem.
-Ela esta bem? Oque ela tinha?
-Desde quando se importa com Jenna?- Eu perguntei com cara de confuso. Até parece que minha mãe queria saber sobre ela, queria mesmo puxar o saco.
-É impossivel falar com você neh?...
-Se é só isso que quer falar.. Boa noite.
-Nao Drow, eu queria falar sobre oque voce fez hoje.
-Oque?
-Porque mexia na maleta?
-Porque toda essa preocupação com ela?
-Eu perguntei primeiro- Minha mãe e suas falas de crianças.
-E eu em segundo- Eu e minha respostas das falas de crianças.- E isso nao muda nada!
-Me responde.
-Uai, deve ser porque eu sou filho de Deus neh!!
-Drow, é serio.
-Eu to falando sério, sou filho de Deus, ser humano, tenho curiosidade.
-Voce nunca abriu ela antes?
-Nao- Menti. Como mentiroso eu era bom.
-E porque resolveu mexer nela entao??
-Meeeeu Deus eu já te respondi isso!
-Ta, ta bom é verdade- Disse ela levantando- Boa noite
-EEEEEEEEEE!! Onde se vai com essa alegria?
-Dormir!?
-Nao antes de me falar porque que voce nao quer nem que eu respire no mesmo lugar que essa maldita.
-Ah Drow nao devo todo tipo de satisfaçao pra voce!- Disse ela saindo, pra que nao de tempo de eu discutir.
Tudo bem, se ela quer assim, vai ser assim. Não estou dizendo que não vou mexer naquela maleta, mais sim que vou procura-la e descobrir por conta propria. Em algum lugar minha mãe pois, talvez no carro, ou em algum armário e maleiro dos quartos da minha casa. Ela não teria sumido com aquilo, eu conheço minha mãe, ela guarda até o papel de bala que ve pela rua, não jogaria nada fora, muito menos coisas importantes como aquela maleta macabra.
Fui dormir, amanhã seria um longo e cansativo sábado..
-AlÔ??- Disse assustando acordando com meu celular tocando do meu lado.
-Drow? Sou eu aqui, Josh!- A voz do outro lado era tao alta que me doia a cabeça.
-Josh..?- Resmunguei sentando e olhando no relógio, 8h02 da manhã.
-E aí tudo bem cm voce parça?? Faz tempo que não nos falamos!
-To bem e voce?? Verdade ne.. foi mal.
-To bem tambem. E ai nós podia ser encontra hoje? Faz tempo que não saimos para zoar e conversar.
-Hoje to meio enrolado..
-Oque tem que fazer?
-Hoje é o dia da minha entrevista de emprego.
-Emprego?.. Eu tambem preciso arrumar um.. Mas tu tem mó grana, nem precisa de emprego.
-Responsabilidade né Josh.
-Verdade, tenho que aprender muita coisa ainda com sua mudança de hábitos.
-Pode ser amanha entao? Nós da um rolé por aí.
-Beleza entao.
-Falow Josh
-Falo- Disse ele e desligou.
Hoje, minha entrevista de emprego. Daqui a pouco ja vou fazer 18, e quero começar a minha vida, com Jenna de preferencia. Quero ter meu proprio dinheiro, meu salário, para gastar como bem quizer, economizar para comprar meu carro, e minha casa ou apartamento, onde vou viver e passar o resto da minha vida com a minha princesa.
Eu ia trabalhar em uma loja de eletronicos no shopping, por enquanto que faço a faculdade de engenharia. Como eu ja disse, sempre admirei meu pai em sua profissao, mas eu nao iria ser pedreiro, prefiro ser engenheiro. Sempre gostei de acompanhar obras, matematica, calculos, e tudo que envolve essa profissao.
Talvez de tardezinha, eu ia ver Jenna de novo, depois de voltar da entrevista, porque agora seria mais dificil, eu teria aula de manha, de tarde o emprego, e de só de noite livre. Isso se eu for aceito. Mas conheço tudo de tecnologia e me dou bem com Humanas. Eu pudia muito bem pedir para minha mae e Thiago dinheiro, mas eu sei que na vida nao posso ser dependente deles pra sempre, entao quero começar a me virar desde cedo.
-Drow, coma alguma coisa, vamos levar voce e Robert na cidade, para ficarem ate o almoço, e depois voce vai para sua entrevista. –Disse minha mae quando eu desci- Eu e Thiago vamos fazer algumas compras para a casa, temos que dar um jeito na decoraçao que combine mais com nossos gostos junto.
Me troquei, comi uma torrada com manteiga, e entrei no carro com o resto do povo. Robert do meu lado, tava encostado no vidro, segurando seu celular e seu fone de ouvido. Me deu dó olhar para ele quietinho. Porque ele nao queria se inturmar com ninguem?? Nem na escola ele esta indo mais. Nossa, nem tinha me dado conta, ele largou a escola. Porque? Quem larga a escola do nada?
Descemos na avenida perto do centro, e seguimos o mesmo caminho, resolvi acompanhar ele até que a fome bata, ou se nao bater, até o horário da minha entrevista.
-Aonde vai?- Perguntou ele me olhando pelo canto do olho.
-Te acompanhar.
-Não preciso de companhia, eu me dou bem comigo mesmo.
-Não tenho nada para fazer até as duas horas da tarde.
-Hmmf- Gemeu ele encomodado.- Nesse caso, fique.
-Não quer eu por aqui neh?
-Ta muito na cara?
-É.. Oque eu fiz de errado? Sério, é por causa de que?
-Não quero ninguem sendo meu amigo.
-Não preciso ser seu amigo, nem seu irmão, apenas .. um seguinte.- Improvisei.
-O problema nao é com voce- Disse ele sem parar de andar.- O problema é comigo, não quero que ninguem fique perto de mim, que se aproxime muito, que se apegue.
-Não entendo.. Nunca vi ninguem querer ficar só.
-Agora sabe que eu sou assim ne? Entao..- Que indireta mais direta..
-Porque é assim? Algum motivo, nao particular?
Ele parou de andar, se virou pra mim, e seu olhar se cravou no meu, como uma faca, me percorrendo inteiro. Um olhar traumatizando, triste.
-Eu poderia causar mal e dores e voce, e em todos.
-Mal? Dores?-Resmunguei baixinho.- Ja causou isso em alguem?- Prefiri nao saber doque se referia.
-Não, mas provavelmente causarei, e não será muito facil de curar, a ferida e dor fica pra sempre. – Ele disse ainda me encarando. Senti um embrulho no estomago. Ele estava falando sério.
-Em todos?-Eu disse engolindo em seco.
-Nos mais próximos- Ele disse, e se virou saindo andando de volta no seu caminho. Me deixando plantado com a cara mais intrigada que eu poderia apresentar naquela situação.
Que tipo de irmão ele é? Aquele assassino que do nada mata e corta seus parentes? Ou talvez aquele que é louco, mas que ninguem sabe de sua loucura, mas um dia ele mostrará, e não será legal. Prefiro opnar sobre a segunda, parece mais tranquilizador, pelo menos comparado com a outra. Oque ele tem eu não sei direito, mas vou seguir oque ele me disse, oque ele quer, distancia.
Almocei em silencio em uma barraca ali perto, mais pasmo e perturbado que nunca. As coisas começavam a aparecer lentamente, e a cada vez que apareciam, mais noticias ruins e misterios me rodiavam. Por mais que eu queira acabar com isso logo, vou ter que esperar, no meio do medo e da curiosidade.
Duas horas estava eu no escritório da loja de eletronicos, que por sinal se chamava Touch. O meu talvez futuro patrão, era aqueles tipo de pessoa alegres, de bem com a vida, que fazia piadas sobre o tudo, e ria simplismente pelo nada, com alto astral, oque me fez sorrir pela primeira vez no dia, e isso seria um bom partido, pelo menos poderia contar com ele quando precisasse me distrair um pouco. Quem via ele, diria que ele saiu daqueles filmes antigos de comédia, em que o personagem era um careca feliz, barrigudo, gordo, que usava um terno e uma gravata quase que borboleta, e oferecia para todos um sorriso caloroso e acolhedor.
Como ja esperava assim que o vi, o Sr.Borges era uma pessoa muito simpática, e me dei muito bem, nao só com ele, mas com a entrevista tambem. Sim, ganhei o emprego. Agora todo dia, sairia da escola, almoçaria, e iria direito para o shopping, começando entao minha própria vida e com meu ganha-pão.
-Bom Drow Morset, foi um prazer te-lo aqui! E vai ser um prazer trabalhar com voce nessa minha loja!!-Disse ele apertando minha mao antes de eu ir.
-O prazer foi meu Sr.Borges- Sorri contente, e sai de la.
A tardezinha estava terminando quente, as 17h, o sol queimava cada um que naquela cidade estava, o mormaço era forte, oque era estranho para uma cidade fria como a minha. Estava claro, tudo aquilo era frescura dos céus, para poder anunciar que mais tarde viria chuva, ou talvez um pequeno temporal.
Meu celular no meu bolso vibrou, uma sms de minha mãe tinha chegado.
‘’Drow, nós pegamos Robert mais cedo, ele não estava bem. Ele esta em casa descansando, e eu ainda estou nas compras, mas se quiser que eu lhe busque é só dizer, mas pode tambem pegar um onibus, oque seria mais facil para mim. Beijos.’’
Nao sei porque ela ainda perde tempo escrevendo sms pra mim, de um jeito ou de outro eu ia acabr indo de onibus mesmo para casa. Robert e seus problemas ocultos.. Na verdade nao sao mais da minha conta, eu agora mais doque nunca quero respeita-lo e cuidar da minha própria vida sem intromete-lo, de acordo com ele, seria melhor para mim e para ele, to começando a concordar com isso.
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