Notas iniciais
A vida no passado nao foi muito boa

Na saída, eu estava com Josh, sentado no encosto do banco, do jardim da escola.

-Drow, pô! Qual é? VocÊ ta tao parado hoje, pensando o tempo inteiro!

-Malz.. nem percebi..

-Que foi hein? Eh por causa da Stacy neh?

-Não inultil. Acho que eh coisa minha mesmo, da cabeça sabe..

-Beleza, mas se precisa to aqui do seu lado.

-Valeu.

Nessa hora, Jenna passou por nós, com a cabeça baixa, falando no celular. Andou um pouco, e sentou em outro banco, do outro lado do jardim, em baixo da sombra de uma arvore, e depois abriu um livro para ler.

Sem perceber fiquei a olhando de longe, pensativo e misterioso.

-Opa! É a menina nova neh? Mexeu com voce?

-Na boa, cala boca- Respondi- Ela não tem nada a ver.

-Vamos Drow! Se abre comigo, sou seu parça!

-Na verdade só acho que conheço ela de algum lugar, só isso.

-Impressão sua, voce vive achando que conhece as pessoas, mas eh diferente, é os outros que te conhece, cara voce eh pop! Tem a gata mais linda da cidade nas suas mãos! Agora olha, nao me vm troca a gostosa pela nerd hein!

-Ixi mano, com ela nem rola, é a gata na mao e ta dentro!

Continuamos la, de papo pro vento, jogando conversa fora. A fome bateu, tomamos os rumos e voltamos para casa. Almocei e dormi

-Filho acorda- Disse minha mãe acendendo as luzes.

-AFF!! Deixa eu em paz!

-A GO RA! Levanta e vai buscar janta pra voce.

-Claro né, como sempre- Disse eu tampando a cabeça com o travisseiro- E a bonita ai só na folga.

-Folga o cacete! Por acaso fui eu que durme das 1h as 6h da tarde né? NÃO! Eu to indo ta, vou dormir na casa do seu padastro, durante dois ou tres dias.

-Pra que isso?

-Pra preparar e acostumar , nós vamos nos casar e morar juntos em breve.

-Não vão não! Eu nao vou deixar!

-E voce tem que deixar ou nao? Drow, seu pai foi em bora, ACEITE!

- NAO ELE NAO FOI EM BORA! ELE MORREU ! — Gritei revoltado, sentando na cama.

-ELE NOS ABANDONOU! Precisamos de alguem melhor, que cuide de nós direito, melhor que seu pai, e o Thiago vai ser um ótimo pai pra voce!

-Cuide de nós direito? Melhor que seu pai? Oque voce quer dizer com isso? Meu pai fazia o melhor que podia, era um pai trabalhador que se esforçava e nos amava, voce é que nao foi uma mae, nao soube dar valor, só sabia sair de noite com as amigas, me deixava aqui com ele, e ele fazia o trabalho dele com ninguem, pois ele era um pai e UMA MAE pra mim! Ele juntava centavo por centavo pra cuidar de nós, gostava seu salário com nós, nos alimentando, e olha que nem salário era, era mais pra gorjeta.

-PELO AMOR DE DEEEEUS!! Que enxessao de saco hein? Olha como eramos antes, e olha agora! Antes naquela casinha de madeira no meio do mato. Agora, uma mansao na cidade, temos tudo que queremos, um pai que nos oferece melhores condiçoes!

-Sim, temos de tuuuudo!! Menos AMOR!- Levantei, peguei minha roupa, e entrei no banheiro, mas antes de fechar a porta, finalizei a conversa — Ah.. e só pra te informar, o Thiago nunca, nunca vai ser meu pai falow?

Sai de casa, fui ao mercado, e comprei um saco de batats semi-fritas, e como estava revoltando ainda, fiquei andando pela cidade antes de voltar pra casa.

Como minha mae podia ter falado tudo aquilo?

Meu pai que era pedreiro, trabalhava todo dia, no sol e na chuva para nos sustentar, chegava em casa sempre cansado, de tanto esforço, e ainda sorria pra me abraçar, nunca me deixando perceber sua tristeza. Minha mae, Susana, saia de tarde ou a noite com suas amigas, que a levava ate a cidade, pra viverem suas vidas, e voltaram de madrugada , bebadas e minha mae nao satisfeita, ia no fundo da casa com suas garrafas, e bebia cantando sozinha.

E claro que de manha ela estava acabada, tacada no quintal, com garrafas quebradas em volta. Meu pai fazia de tudo para eu nao ver aquilo, entao de manhazinha, ele me levava junto com ele pro trabalho, e eu ficava la, brincando com pá e colher na terra, carregando tijolos só por diversao, pra ver o olhar de orgulho de meu pai, que me via tao pequeno, tentando o imitar. E imita-lo era oque eu mais queria, cada manha eu aprendia mais, admirando ele quando trabalhava, construindo muito mais que entulho, montando casas e lares para outras pessoas.

Meus olhos brilhavam de admiraçao, e ele sempre sorrindo, e ensinando liçoes valiosas sempre que podia.

Mas um dia, quando tinha seis anos, ele saiu de casa, pra ir em algum lugar, viajar para uma cidade proxima, visitar seu irmao Marcos. Oque eu nao sabia, é que essa viajem o levaria para tao longe, levando meu pai ao céu. Nao sei nada sobre como aconteceu, ninguem nunca me disse nenhum detalhe, dizem que nao sabe.

Alguns anos depois, minha mae conheceu esse tal de Thiago, e começaram com um relacionamento serio, e desde entao, virou o banqueiro de casa, tudo para nos agradar eh claro. Assim mudei para cidade, morando agora em uma mansão, com roupas de marcas, as mais caras e desejadas do momento.

Sou jogador de futebol no colegio, popular e pegador, fama de amante sedutor, Mas desse passado ninguem sabe.

Viajando nos meu pensamentos, nem percebi que tinha ido parar na avenida do cemitério.

Aproveitei para ir ver meu pai.. Que aperto no coraçao.

'' Antônio Sillva Morset

41 anos ''

Minha cara esquentou e eu comecei a chorar. Muito mesmo. Sentei do lado da lápide, e fiquei conversando com ele em pensamento.

Horas se passaram , estava prestes a anoitecer, comecei a levantar, quando ouvi um choro bem longe de mim, mas vindo do cemitério, É, parece que eu nao era o único, havia mais alguem como eu, lamentando pela perda de um amado. Procurei ver quem era, e encontrei, agachada no chão, chorando no túmulo do outro lado do cemitério, estava Jenna.

Eu estranhei, por quem sera que ela esta lamentando? Aquilo nao era problema meu, e ir la perguntar naquela hora nao era uma boa ideia, respeito tambem é necessário né?

Voltei pra casa, comi minhas batatas, e fui dormir.

No outro dia, no intervalo, sem saber procurei Jenna com os olhos. Ela nao estava por la, pelo menos nao no refeitório.

Notas finais
Por quem Jenna se lamentava? Aonde podia estar?