Sombra

1 Capítulo 1


Às vezes me recordo de como a vida era ruim na minha antiga cidade, mas lembro-me de como minha mãe me amava e eu a amava, a vida era difícil para todos principalmente com o sumiço de todas as crianças na época.

— Vamos. – Fala uma voz. – Sua nova mãe chegou para busca-la.

Ainda me recordo de como minha primeira mãe conversava comigo, brincava, ria, passeava e muito mais. Mas os dias de hoje são diferentes, eu quis oque aconteceu comigo, pedi para me levarem e a mulher foi presa, hoje em dia não tenho mais noticias dela, eu soube que uma morreu e isso foi triste por um lado.

— Olá, Sou Mary. – Fala a voz carinhosa me levando até a saída. – Você será feliz na sua nova casa, e você terá companhia.

Às vezes eu queria correr para minha primeira casa, mas me lembro de que eu pedi para estar aqui lembro que ouvi e vi o homem e ao mesmo tempo minha mãe estava me chamando, mas eu corri até o homem e ele me segurou e carregou com medo que eu fugisse me colocou no carro e me levou embora.

— Sei que é tudo novo. – Fala a mulher abrindo a porta para que eu entrasse. – Mas você vai ser feliz, vai demorar em se acostumar eu sei, mas saiba que você vai estar em segurança. – Eu entro – Eles me contaram que você não fala, sabe falar poucas palavras, mas com ajuda você falará frequentemente.

Às vezes uma pergunta vem a minha cabeça “Por que eu não sei falar?” já tenho 6 anos e nunca aprendi a falar sempre fiquei no meu canto sem abrir a boca. Vejo o caminho até minha nova casa e vejo que a cidade é cheia de prédios e poucas casas, Lertus sempre foi uma cidade grande nos EUA.

— Vamos. – Fala ela estendendo a mão para mim que a seguro. – Ela me leva até o prédio a frente.

Subimos de elevador e paramos no 15° Andar, quando saímos do elevador entramos em uma das portas e eu vi que havia um homem sentado no sofá à espera da nossa chegada e ao lado dele havia uma menina de óculos.

— Não precisa ter medo. – Ele é meu marido. – E seu novo pai, e Alice sua irmã mais velha.

— Olá. – Fala o homem aproximando-se de mim e se abaixando para ficar cara a cara comigo. – Sou Robert, qual o seu nome?

Eu tento falar alguma coisa, mas acaba resultando em apenas uma palavra.

— Alexandre. – Falo gaguejando com dificuldade. – O-Olá.

— Muito bem. – Fala ele se levantando. – Com o tempo você irá se acostumar.

A mulher me leva ao quarto e me deixa lá para descansar, fico imaginando oque aconteceu com aquela velha cidade, soube noticias que depois do meu sumiço os sequestros pararam e as crianças cresciam em paz lá, fico imaginando se a culpa dos sequestros era minha ou apenas uma coincidência. Mas pensamentos não levavam a nada já que eu estava preso dali para frente em um apartamento tendo que viver uma vida comum, lembro-me daquela pobre mulher falando sobre o circulo ser quebrado as palavras ainda são estranhas em minha cabeça, mas lembro-me claramente.

“O circulo precisa ser quebrado, crianças sofrendo, pobres, sem poder aproveitar a vida, sem poder aproveitar a vida e seus talentos”.