Soluço, o líder de Berk: A guerra pela paz
13 Pedido nas nuvens... aceita?
Notas iniciais
Durante o nosso trajeto acionando as armadilhas subterrâneas por Berk, eu contei para Astrid sobre a minha conversa com o homem misterioso na Academia e como ele me alertou que ela não havia sido sequestrada e que Dagur havia morrido.
–Então Dagur morreu? Sinceramente ele não vai fazer nenhuma falta para mim. Acho que ninguém sentirá sua falta na realidade.
–Eu concordo, eu nunca fui fã dele, assim como ele também não era meu. Mas esse novo líder dos beserkers... Seria seu primo? Ou seu irmão? Sei lá, isso tudo é muito estranho.
–Eu também acho. Tudo nessa guerra é estranho. Ei, acabou? – ela disse referindo-se às armadilhas.
– Hum... Sim, essa era a última armadilha. Acho que agora estamos seguros na medida do possível, já que há uma guerra se aproximando.
–Vai ficar tudo bem. Eu sei que você está preocupado comigo e não adianta disfarçar. Eu vi como você agiu hoje cedo. Mas eu não vou deixar nada acontecer com você ou comigo. Assim como você fará o mesmo.
–Exatamente milady, pode apostar. Mas agora... nós vamos voltar e deixar a Tempestade na sua casa. O seu passeio hoje é comigo e com o Banguela. Não se preocupe que ele é neutro e acho que não vai querer atrapalhar o momento, né amigão – ele deu um sorriso para ela concordando comigo que também a fez sorrir.
–Que mistério... Então vamos lá.
Voltamos para Berk e a Astrid deixou a Tempestade em sua casa, lhe dando comida e esperando que ela dormisse, como uma irmã mais velha muito atenciosa. Eu fui repassando a minha ideia maluca na minha cabeça. Eu estava devendo um encontro romântico para ela. E também um pedido de noivado oficial. Então, por que não um pedido romântico nas nuvens?
A Astrid veio até mim e subiu no Banguela.
–E então senhorita? Pronta?
–Eu acho que sim. Mas por favor, sem adrenalina – eu ri para ela. Não estava nos meus planos assustá-la naquele dia. Não inicialmente pelo menos.
–Para as nuvens amigão – Banguela decolou verticalmente e lentamente em direção ao céu. As nuvens estavam adquirindo uma cor alaranjada e rosada. O sol já estava se pondo no nosso lado do mundo.
Conseguimos uma vista muito bonita de Berk e do sol encontrando o mar para o nosso encontro. O sol iluminando todos os olhos dos que olhavam sem folego para aquela vista. E nós estávamos lá, planando sobre o melhor e mais bonito pôr do sol do mundo, incapazes de falar nada. Eu ainda acho que seja o pôr do sol mais mágico de todos. Na verdade todas as vistas de Berk são incríveis, mas o pôr do sol é realmente encantador. E foi com essas palavras que a Astrid definiu o momento.
–É encantador – Astrid rompeu o silêncio – É tão incrível como na primeira vez que você me mostrou desse jeito o pôr do sol e de quebra toda Berk.
–Quem bom que você gostou Astrid. É uma das minhas vistas preferidas – eu ativei a cauda do Banguela e fiz uma manobra perigosa para me virar de frente para ela e ficando de costas para o pôr do sol. – Como eu te disse, te devia um encontro romântico. Mas eu também te devia um pedido certo?
–Um pedido? – eu tirei a caixinha do bolso e abrindo-a tirei o anel, mostrando para Astrid o meu trabalho. Ela encarou o anel e depois voltou o olhar para mim. Então voltou a olhar o anel e então entendeu o meu propósito. O propósito desse voo. Ela olhou para mim finalmente e sorriu e vi seus olhos brilharem e encherem-se de lágrimas.
–Eu ainda nem comecei a falar sabia? – eu falei implicando com ela. – Não chore ainda.
–Bobo – eu sorri. Ela enxugou uma lágrima que teimou em cair e voltou a olhar nos meus olhos.
–Sabe Astrid. Eu sempre quis saber o que era se apaixonar por alguém, o que era o amor. Quando eu era pequeno, está bem, bem menor, eu queria perguntar para o meu pai como era sentir-se apaixonado. Mas eu tinha medo, já que ele tinha perdido a mamãe. Porém eu descobri isso sem precisar perguntar para ele ou para qualquer outra pessoa. Foi como voar, hoje eu vejo. Eu sentia um frio na barriga como se realmente estivesse voando ou em queda livre no ar. Era e é exatamente como eu me sinto. Um par de olhos azuis. Olhos turquesa. Foi com ele que eu aprendi o que era amar verdadeiramente alguém. – Eu coloquei a minha mão (a que não estava com o anel) em seu rosto, onde ela se aconchegou sorrindo. – Astrid eu quero viver apaixonado pelo resto da minha vida. Quero acordar todos os dias e te ver ao meu lado e sorrir por ser tão feliz. Ter minha vida iluminada por estar contigo. Eu quero me casar com você. Eu quero viver contigo para sempre. Você quer casar comigo Astrid?
Ela derrubou algumas lágrimas e esticou meio tremula sua mão direita e eu coloquei o anel nela (não me atentando ao fato que também estava meio tremulo). Acho que isso indicava que ela havia aceitado. Mas ela responderia com todo carinho que eu tentei passar para ela em meu pedido.
–Toda garota sonha em ter alguém para amar um dia. Alguém com quem se sente segura sempre. Alguém que te admira e por quem também sente admiração. Alguém que faz o coração bater mais forte com cada olhar, com cada palavra, com cada toque. Apaixonar-se é um sonho. Você é o meu sonho Soluço. E eu nunca vou deixa-lo nem que o mundo todo esteja contra nós – ela abriu os braços e a brisa do nosso curto verão/primavera balançou seus cabelos e as poucas luzes do pôr do sol a iluminaram de forma esplêndida – eu vou sempre te amar. Vou viver contigo por toda eternidade – ela me beijou docemente – Seria uma honra casar-me com você Soluço Spansitocus Strondus III. É claro que eu aceito – eu abracei-a carinhosamente.
–A honra é toda minha Astrid Hofferson – e ficamos ali no ambiente daquele momento.
Romantismo puro não acha? Pois eu acho, pois estava lá. Foi um dos momentos mais perfeitos da minha vida. Foi mágico como o pôr do sol e as estrelas brilhando no céu. Foi o nosso momento.
Depois de um tempo nós nos separamos do abraço, eu fiquei olhando para ela e ela também olhando para mim. Eu admirava sua beleza. Os olhos azuis, o cabelo loiro envolto numa trança perfeita e rosto doce. Eu realmente era sortudo por amá-la. Eu ainda sou na realidade.
–Por que você está me olhando? – ela me perguntou cruzando os braços.
–Estou apenas pensando na minha sorte por te amar – ela sorriu e revirou os olhos.
–Então eu também sou muito sortuda.
–Iremos nos casar quando tudo isso acabar Astrid. Poderemos ser felizes. Sem guerra, apenas paz.
–Vai dar tudo certo Soluço. Viveremos novos momentos desse sonho – eu lhe dei um beijo e virei-me para frente novamente e assumi o controle do leme.
Eu me inclinei falando com o Banguela.
–Viu amigo, não vou ficar mais solteiro – ele me olhou com cara de desprezo amigável (é meio estranho, mas é que ele me olhou com desprezo, mas não de verdade, ah acho que você entendeu). Eu ri – Não vou deixar de cuidar de você ou de voar com você, se é o que está pensando amigo – eu dei leves batidas do seu lado demonstrando carinho. Ele ronronou de volta.
–Não se preocupe Banguela, vou lhe dar bastante peixe e você vai poder brincar com a Tempestade – Astrid falou.
–Não o mime, vai estragar todo o treinamento dele – foi a vez de Banguela rir e Astrid acompanhar. – O humor de vocês é comovente. Acho que você se deu bem com o meu casamento né Banguela? Dragão tratante.
–Vocês são uns fofos juntos sabia? – Astrid falou e aconchegou-se em minhas costas. – Parecem dois irmãos. Mas não tão loucos como os gêmeos, já que vocês tem a mesma idade. Se bem que vocês fazem certas manobras malucas.
–Falando nisso... Ei Banguela – ele voltou sua atenção para mim – que tal colocarmos um pouco de adrenalina nesse passeio?
–Acabou o romantismo sabia?
–Desculpe decepcioná-la – Banguela se animou todo.
Esse foi um dos passeios mais loucos e incríveis que eu e a Astrid fizemos juntos em nossas vidas. De loucuras, eu e o Banguela entendíamos e de romantismo... a gente tenta.
Fomos para minha casa e fizemos um jantar que ficou bom. O Banguela ganhou peixes e nós conversamos e nos divertimos bastante.
–Ah, espera, só uma pergunta... – a Astrid falou de repente.
– Diga.
– Você pediu a minha mão para o meu pai? É que tem toda essa tradição viking para os casamentos e tal.
–Ah, claro que sim. Eu fiz tudo direitinho senhorita. Eu já conversei com ele. Mas quando eles voltarem faremos um pedido mais oficial ainda e tudo mais.
–Bom eles esconderam direitinho de mim. Eu não desconfiei de nada. Você me disse que me pediria em noivado, mas não sabia que já havia falado com meu pai.
–Mas você não podia saber de nada, era uma surpresa.
–Foi uma grande surpresa, eu amei.
Depois de mais um tempo conversando a Astrid disse que precisava ir embora.
–Já está tarde e amanhã ainda tem treinamento. Temos que ganhar essa guerra e iremos. Eu amei tudo nessa noite. Foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida depois de te conhecer.
–Hum... Isso deixa as coisas boas para o meu lado – eu falei rindo.
–Vou ser obrigada a te chamar de bobo.
– Eu te amo sabia?
–Eu também. E é por isso que eu sei que você precisa dormir.
– É mesmo?
–Sim, um líder tem suas obrigações e uma delas é ficar em pé durante um dia – eu revirei os olhos – Vem, vou te levar até lá em cima. E nem vem argumentar comigo – eu não falei mais nada e apenas a acompanhei para cima.
Nós subimos e ela me levou até a cama onde eu deitei. Ela sentou-se do meu lado e acariciou o cabelo da minha testa. Isso me deixava mais sonolento. Eu fui adormecendo e a última coisa que lembro é de quando a Astrid me deu um beijo na testa e disse: Boa noite meu amor. E a senti ir embora.
Às vezes, a vida pode ser perfeita nos momentos mais simples.
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