Soluço, o líder de Berk: A guerra pela paz
5 O Grande Encontro de Todos
Notas iniciais
O Grande Encontro de Todos consistia numa reunião onde participavam todos os representantes dos clãs da Tribo Hooligan. Era convocado se houvesse uma situação necessária da decisão de todos ou uma situação clara de guerra. A razão desse encontro pendia para a guerra...
Para quem não sabe os clãs para os vikings são como as famílias de uma tribo. Então aqui em Berk temos diversos clãs. Temos o clã Hofferson (Axel, Léia e Astrid), o clã Jorgenson (Gosmento e Melequento), o Thorston (Cabeça Dura e Cabeça Quente), o Strondus (Eu e minha mãe Valka) entre outros. Porém, os pilotos formavam um grupo separado dos seus clãs na reunião após a paz com os dragões. Eles gostaram de se sentir importante depois disso.
Então o Grande Encontro de Todos era diferente da Coisa (nem me pergunte como é que os vikings apoiaram o criador dos nomes dessas reuniões, porque sinceramente eu não entendo). A Coisa é o grande encontro das tribos. Cada ilha tem uma tribo. Esse encontro acontece uma vez por ano. O meu primeiro encontro como líder foi assustador (imagine um menininho magrinho líder da Tribo Hooligan, no meio de um monte de vikings enormes. Saí vivo pelo menos. Eles me respeitam muito por ter feito a paz com os dragões daquela maneira).
Temos algumas tribos principais: a Hooligan, a Beserk (que nunca participa da Coisa), a das Ladras do Pântano, os Pacíficos entre outras. Bom, depois dessa explicação, vamos voltar as minhas lembranças, certo?
Quando eu cheguei ao Grande Salão, minha mãe estava do lado de fora, provavelmente me esperando. Eu desci do Banguela e parei na frente dela. Ela me olhou bem no fundo dos meus olhos e disse:
– Você pode me explicar agora? O que está acontecendo?
–Tudo bem... mãe desculpa. Eu ia falar com você depois de ir à Academia, mas acabei saindo tarde de lá porque eu cheguei tarde lá e ainda tive que almoçar e... – eu estava falando tudo tão rapidamente que minha mãe me interrompeu.
–Soluço acalme-se. Diga-me o que está acontecendo.
Eu expliquei tudo para ela. Eu olhei para ela e pensei no meu dia. Eu acordei às quatro da manhã. Eu fiz tanta coisa e tinha que fazer tanto ainda... Eu olhei para minha mãe e comecei a chorar. Eu bem que tentei a todo custo espantar as lágrimas. Tentei mas não consegui. Minha mãe me abraçou.
E aí eu desabafei. Eu percebi que havia trancado tudo isso dentro de mim, todo esse tempo. Eu falei com a Astrid, mas não desabafei. Ela me animou, mas eu escondi o dia inteiro isso dentro de mim. Tentei parecer forte.
–É tanta coisa que eu tenho que fazer ainda. E se não for o certo? E se der errado? A responsabilidade minha protege-los, mas é por culpa minha que essa guerra está acontecendo. Esse plano tem que dar certo mãe. É tanta coisa na minha cabeça... eu... queria que meu pai estivesse aqui. Ele daria melhor com isso – ela colocou as mãos nos meus ombros e até me sacudiu um pouco.
–Soluço, pare! Pare! Não seja duro demais consigo mesmo, Soluço. Você é um líder maravilhoso. Você está fazendo a coisa certa. Você tem que acreditar em si mesmo. Se as coisas não derem certo no fim, saiba que os verdadeiros heróis como você, fazem o seu melhor. E você vai dar o seu melhor! Por favor! Estre lá e mostre aos berkianos sua força.
–Eu vou tentar. Juro que vou – eu enxuguei as lágrimas e sorri. – Você é incrível, sabia? Eu te amo muito.
Seus olhos se encheram de lágrimas e ela me abraçou de novo para segurá-las.
–Como eu me orgulho de você.
A conversa com ela me fez muito bem. Essas mulheres na minha vida... sempre me fazendo sentir-me melhor (refiro-me à Astrid e minha mãe, né).
–Obrigado. Ah, a Astrid vai jantar conosco hoje.
–Olha Soluço, eu não cozinho muito...
–Não se preocupe. Eu vou cozinhar e a Astrid vai me ajudar. Você sabe que nós fazemos uma bagunça divertida. E eu não quero que ela fique sozinha também.
–Vocês se amam muito. É a coisa mais linda. Agora vá. O Banguela fica comigo, certo Banguela?
Ele se aproximou dela e eu entrei no Salão. Já passava das duas horas da tarde.
E estava uma bagunça lá dentro. Eu olhei em volta e tinha viking rindo, viking comendo, viking brigando, viking bebendo, viking...
– OK PESSOAL! VAMOS ESCUTAR O LÍDER! – Bocão gritou. Levei um susto, mas agradeci a ele, porque eu não sabia como fazer para chamar a atenção deles.
Eu me sentei na cadeira do líder (que era enorme, devido à... características dos vikings anteriores à mim).
–Convoquei essa reunião, pois temos sérios problemas. Parece que Dagur e Drago de juntaram. E infelizmente pretendem atacar Berk. O problema, é que eles vão atacar no inverno, e as nossas habilidades no frio não são muito boas. – houve expressões de exclamação e concordância. Felizmente eu estava falando calmamente, embora eu sentisse algumas palavras saindo enroladas. – Então pensei que poderíamos treinar essas habilidades. Então pensei na Ilha de Gelo. Aquela que é perto da Ilha do Santuário de Dragões. É sempre frio lá e não fica tão longe assim de Berk, podendo chegar lá no mesmo dia de barco.
–Como assim de barco? Não podemos ir com os dragões? – um dos representantes perguntou.
–Não agora. Eu e os pilotos faremos um grupo de dragões de diversas espécies, principalmente as principais da Academia, assim poderemos lutar organizadamente com os dragões. Além disso, temos o dragão Alpha. Eu pensei em ficarmos uma semana na Ilha de Gelo e aprimorarmos nossa resistência e técnica no frio. Podemos voltar e ficar mais uma semana lá uma duas ou três vezes antes do inverno.
–Espera Soluço, você não pode ir conosco... – e aqui se iniciou uma discussão. Acontece que eles não queriam me deixar acompanha-los e deixar Berk sozinha com a Academia. O motivo principal: os Gêmeos e o Melequento. Eles alegaram que se eles ficassem em Berk sem vigilância, embora alguns vikings fossem ficar na ilha, Berk seria destruída. Eu concordei plenamente, embora confiasse que a Astrid daria um jeito neles. Mas achei melhor não arriscar. Não estávamos na hora de arriscar. Então ficou decidido que minha mãe os lideraria e eu ficaria tomando conta dos gêmeos. Francamente...
Embora as coisas tivessem sido na medida do possível resolvidas, todos estavam preocupados. Então eu tomei coragem e me levantei para falar:
–Pessoal, eles não sabem que nós temos conhecimento de seu ataque contra nós. Eles podem ser fortes atacando de surpresa, mas se estivermos preparados nós seremos fortes. Somos Vikings! Lutar está em nosso sangue. Eu nunca desisti de Berk, e não é agora e nem nunca que vou desistir. Espero que vocês também não. Então quem está comigo? Vamos enfrentar o que vier juntos?
Houve gritos de “eu” por todo Grande Salão, com grande euforia (do tamanho das pessoas que os gritaram também, os vikings são bem fortes, acho que já é do seu conhecimento). Então todos bateram palmas com alegria, na medida do possível considerando que estamos em situação de guerra. Eu bati bem forte com as minhas mãos na mesa:
– Então ninguém vai nos deter!
É, o Soluço foi corajoso uma vez na vida...
Nós acertamos mais alguns detalhes em relação ao nosso plano. Ele não podia admitir erros. Depois de muito tempo, dei por encerrada o Grande Encontro de Todos. Com isso os vikings começaram novamente a comer, beber, rir, gritar, dançar, brigar...
Eu fui falar finalmente com Eret.
–Olá Eret, como vai? E o Quebra Miolos?
–Oi Soluço, vou muito bem, obrigado. O Quebra Miolos também. Ele é um ótimo dragão, assim como todos são. Ótimo discurso. Bem encorajador, considerando as circunstâncias.
–Ah, obrigado. Eu gostaria que você se unisse a nós treinadores de dragões. Você já é de grande ajuda e poderá ser mais ainda, já que trabalhou pro Drago, infelizmente.
–É, infelizmente sim. Mas se posso ajudar com algo eu adoraria. Mas ser treinador de dragões... Eu fico honrado, mas acho que não serei muito útil.
– Eu tenho certeza que será. Você é uma grande pessoa e se juntou a nós por saber o que era o certo. E entendeu como se deve tratar um dragão. Você já é um treinador. Por favor... – ele sorriu pra mim.
–Se é assim... Você venceu. Adoraria participar desse plano e esfregar na cara do Drago que ele não pode mais se meter com esse povo.
–Muito obrigado. Até amanhã então, na Academia.
–Está certo, até amanhã.
Então eu procurei pela Astrid. Ela estava sentada na mesa dos pilotos ainda. Ela me viu e acenou sorrindo. Então eu fui até a mesa e sentei-me ao lado dela.
–Um ótimo líder, não acham? – ela perguntou. Os outros concordaram, com exceção do Melequento que deu seu usual comentário desnecessário.
–Nem dava para perceber que era você! – Astrid lançou um olhar para ele que dizia: “Mais uma, uma palavra, e será a última que irá pronunciar”. Melequento engoliu em seco e eu engoli o riso.
–Amanhã começaremos o nosso treinamento. Eu conversei com o Eret e ele concordou em se juntar a nós. O que acharam do resto do plano? – eu perguntei.
–Meio suicida, mas acho que irá dar certo – Perna de Peixe disse.
–Destruição na certa! Adoramos – os gêmeos disseram ao mesmo tempo. Eles não têm cura quanto à necessidade de destruição.
–E o Eret estará treinando comigo. Ele é o meu sonho – a Cabeça Quente disse. O Perna de Peixe ia mencionar algo, mas o Melequento interrompeu.
–Eu adorei o plano! – todos olharam para ele, surpresos. Afinal, ele não perdia a chance de implicar comigo, mesmo eu sendo o líder, mesmo nós sendo amigos, mesmo nós sendo primos, mas é... bom, é o Melequento. Acho que ele queria apenas impressionar a Cabeça Quente. – Quer dizer... Eu teria pensando no mesmo plano – pronto, agora estava melhor.
O Banguela apareceu do meu lado e começou a me lamber, provocando risadas.
–Banguela! Gostou amigão? – ele sorriu daquele jeito muito fofo. Eu ri. – Obrigado amigo.
–Vamos Soluço? – minha mãe encostou a mão no meu ombro. – Que bom que conseguiu, foi incrível.
– Obrigado e vamos embora sim. Astrid? – eu estiquei a mão para Astrid, lembrando-a que ela jantaria conosco. Ela não pareceu ter esquecido de toda forma.
– Claro, vamos. Até amanhã pessoal. E Cabeça Dura, controle as paqueras desses dois.
–Até amanhã. – eles responderam. Eu ri do comentário da Astrid. Só ela mesmo.
Fomos no dirigindo para a saída. Então gritei para o Bocão:
–Tchau Bocão!
–SOLUÇO! TCHAU! UM BRINDE AO LÍDER!- ele respondeu ainda mais alto. Canecas se chocaram e bebidas foram derramadas por todo o Grande Salão.
Nós saímos do Salão. Eu sorri. Eu estava feliz por ter conseguido falar tudo que devia e poder dado um pouco que seja de esperança para os berkianos.
Internamente eu agradeci ao meu pai. Muito obriga pela força, pai!
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