Notas iniciais
Oi amores!!! Como estão. Apenas uma coisa sobre esse capítulo: Eu cresci mil vezes o tamanho da minha raiva pelo Drago. Talvez seja uma coisa pequena que ele tenha feito. Mas para mim tem grande significado... Obrigada pelos reviews, sempre me animam... Até as notas finais....

Eu e o Banguela já estávamos bem cedo na Academia no dia seguinte. Por sorte conseguimos dormir na noite anterior sem pensarmos na ideia de que estaríamos indo direto para a boca do leão que tinha o apelido de Ilha dos Exilados. Ilha dos Exilados de Berk. E acho que quem foi exilado da nossa ilha não eram boas pessoas, não acha?

Eu fui até a minha sala e vi se estava tudo em ordem. Por incrível que parecesse a minha mesa estava quase sempre arrumada (na medida do possível. Na verdade tudo em minha vida estava na medida do possível...). Vendo que estava tudo em ordem, saí e tranquei a porta.

Antes que me virasse, um par de mãos tampou meus olhos. Eu sabia que a Astrid havia entrado na Academia devido à agitação do Banguela ao meu lado que pulava alegre quando vira a pessoa. Ou era a minha mãe ou era a Astrid. E o mais provável era a Astrid.

–Quem é? – perguntei quase rindo.

–A princesa dos contos de Snoggeltog – ela disse ironicamente.

–Muito engraçada, seu censo de humor está em 100% hoje — ela tirou as mãos dos meus olhos e eu virei-me, dando-lhe um beijo demorado que terminou com um selinho.

–Bom Dia senhorita Hofferson – eu disse.

–Bom dia senhor Strondus – ela respondeu e nós rimos.

–Desculpe, mas ainda não comecei a ler o livro ainda. Ele está na minha mesinha de cabeceira.

–Não se preocupe com isso Soluço. Na verdade acho que irá se decepcionar, eu não sei escrever muito bem. Só achei uma ideia boa e... – eu coloquei o meu dedo indicador em seus lábios para silenciá-la.

–Sei que você escreve perfeitamente bem. Tenho certeza que vou adorar.

–Obrigada – ela disse sorrindo.

Banguela e Tempestade começaram a correr em círculos, um atrás do outro no meio da Arena. Eu e Astrid rimos, eles estavam sempre brincando juntos.

Eret entrou na Academia e eu fui até ele e Quebra Miolos.

–Bom Dia Eret – eu acariciei Quebra Miolos. – Pra você também amigo.

–Bom Dia Soluço... Eu espero – ele respondeu. Mas a sua voz estava estranha. Você acharia estranho se alguém dissesse para você que esperava que você tivesse um bom dia com um ar triste. E você esperaria que algo terrível estivesse por vim. E nesse caso, sempre vem.

–Está tudo bem com você Eret? – eu perguntei encarando-o. – Você parece preocupado, algum problema?

–Acho que sim. Eu tenho uma carta para você – ele pegou um pedaço de papel dobrado do seu bolso e entregou para mim. Mesmo dobrado, dava para ver que havia frente e verso escrito na carta. Seja o que fosse, era grande.

–Uma carta para mim? Mas quem te entregou? – eu perguntei pegando o papel de suas mãos.

–Foi a sua mãe. Ela pediu que te entregasse imediatamente Soluço – Astrid se aproximou de nós.

Eu abri o papel julgando ser aquele lado o que começava a carta e com as mãos meio tremendo comecei a ler o que estava escrito:

Como vai grande treinador de dragões? Tenho certeza que não sentiu a minha falta. Julgava-me morto? Ora essa, acha mesmo que água pode me deter? Espero que não seja tão burro a esse ponto. Mas eu lhe digo encantador de dragões: eu posso ter perdido uma batalha, mas ainda não perdi a guerra. Talvez essa frase seja clichê, mas é isso que define esse momento. Saiba que eu fiquei muito chateado com o seu dragãozinho. Tão fiel a você que se tornou o dragão Alpha só para protegê-lo. Irônico. Pena que ele não poupou o seu pai não é mesmo? Digo a você que são coisas da vida. – eu virei a folha e fui terminar de ler a carta. – Agora você deve estar se perguntando: o que eu quero? Revanche? Não, é muito pouco. Vingança? Não é a palavra certa. Eu quero destruição. Destruir Berk, destruir você, seu Fúria da Noite e tudo que você ama. Cuidado Soluço. Quando você menos esperar, vai perder o que te resta. Do seu amigo, DSB.

Eu terminei de ler a carta e quase caí no chão. As minhas mãos tremiam ainda mais. A Astrid se aproximou e me “segurou”.

–Soluço? Você está bem? – ela perguntou-me. Por um tempo me esqueci de respondê-la e apenas encarei aqueles olhos azuis. “e tudo que você ama...” Aquilo se repetiu na minha mente “e tudo que você ama...”. Eu apenas balancei a cabeça em negação e então as palavras saíram.

–Não – eu respondi sinceramente. – Do seu amigo Drago Sangue Bravo. Leia você mesma – eu falei calmamente e entreguei-lhe o papel me esforçando para não amassá-lo.

O Banguela aproximou-se e olhou para mim com os completamente dilatados. Ele sabia quando eu estava nervoso. Sabia quando eu estava com raiva. Sabia o quanto eu odiava Drago. E sabia que eu precisava dele naquele momento.

A Astrid terminou de ler e me lançou um olhar de fúria. Eu não era o único que odiava Drago. Havia uma fila que queria mata-lo. Ela deu o bilhete a Eret que olhou rapidamente e fez uma bolinha de papel com ele e lançou com toda sua raiva na parede da Arena.

–Eu sabia da maioria das coisas escritas – eu comecei a falar. — Sabia que ele estava vivo. Sabia o que ele queria. É só que... Astrid, ele falou do Banguela como se fosse o verdadeiro inimigo aqui. O verdadeiro vilão. Sendo que quem fez isso tudo não foi o Banguela. Quem matou meu pai não foi o Banguela. Foi o Drago. Nem a besta Implacável tem culpa disso. Foi o Drago Sangue Bravo – eu estava ajoelhado com a cabeça do Banguela em meu colo, que me olhava com culpa. Ele se culpava pela morte de Stoico, o Imenso. Mas eu não o culpava. Eu continuei a acaricia-lo. – Não foi culpa sua amigo – ele me olhou e ronronou. – Ele acha que as ameaças deles me assustam? Acha que pode fazer sentir raiva do meu dragão? Pois ele se enganou, pois a única pessoa por quem eu sinto raiva é dele mesmo.

A Astrid se ajoelhou ao meu lado e me abraçou. Eu coloquei meu braço direito por cima do seu ombro e ela colocou seus braços em torno da minha cintura. Eu apenas acariciei os seus cabelos macios. E então os outros pilotos chegaram e viram o Eret com raiva no olhar e nós dois ajoelhados acariciando o Banguela.

–O que está acontecendo Soluço? – Perna de Peixe perguntou nervosamente. Provavelmente estava pensado que coisa boa não poderia ser.

–Dê a carta para eles Eret, por favor – eu falei calmamente.

Eret pegou a carta do chão e tentou desamassá-la decentemente. Ele entregou a carta para Perna de Peixe e os outros se aglomeraram ao redor dele e leram. Ao final, Perna de Peixe quase teve um ataque do coração.

–DSB? – Cabeça Quente perguntou rindo. – É a Dona Sandra Barata?

–É aquela que mora perto do porto. Não sabia que ela sabia escrever. Isso me deixou confuso – Cabeça Dura disse. – Mas do que o normal – ele completou e os dois começaram a rir mais ainda. Nós olhamos para eles tentando entender o que eles tinham na cabeça. Provavelmente nada.

–Que tal Drago Sangue Bravo? – perguntei seriamente. Eles se calaram na mesma hora. – Vamos pessoal – eu falei me levantando e a Astrid também. O Banguela levantou-se e pôs-se ao meu lado. – Não podemos chegar muito tarde à Ilha dos Exilados.

–Espera um minuto – o Melequento disse. – Você quer ir direto para onde pode ter, quer dizer, têm com certeza pessoas querendo matar você e o Banguela? Já percebeu o quanto isso é muita loucura até para o seu próprio padrão de loucuras Soluço?

–Sim eu percebi, mas essa carta apenas confirmou tudo o que eu desconfiava. E que já estava mais do que provado. Nós não vamos pousar na ilha, apenas observaremos.

Eu peguei meu pequeno telescópio e coloquei-o no bolso da sela do Banguela e então montei nele.

–Eu sei que é loucura. Mas eu não tenho escolha agora. Olha se não quiserem vir, não precisam. Mas eu vou. Tenho que ir – eu falei.

–Não! – a Astrid falou. – Nós vamos com você Soluço. Não podemos deixar você ir sozinho. A Academia fica unida, certo? Eu vou com você.

–Certo! – os outros afirmaram e assentiram que também iriam.

–Obrigado. E se é assim, vamos logo. Quanto mais cedo irmos, mais cedo voltaremos.

Nós levantamos voo e partimos para a Ilha. Estávamos organizados como quando tínhamos o Clube do Voo do Dragão: eu estava à frente, Astrid mais a minha direita, Perna de Peixe a minha esquerda e os outros atrás. Fomos passando pelas Ilhas vizinhas a Berk do Arquipélago Barbárico uma a uma, e eu dizia mentalmente o nome de todas elas.

Depois de um tempo, avistámos uma grande ilha. Todos sabiam qual era, mas Perna de Peixe fez questão de anunciar.

–Ilha do Dragão Soluço – ele disse.

–Ótimo – eu falei. Banguela fez uma curva para a direita e os outros fizeram o mesmo.

–Agora que estamos mais perto, o que faremos Soluço? – Astrid perguntou.

–Quando avistarmos a Ilha, iremos para as nuvens e o Banguela usará a ecoalização para procurar um lugar seguro para observá-los sem sermos vistos.

Ficamos em silêncio até avistarmos a Ilha dos Exilados. Subimos para as nuvens. Não dava para enxergar muita coisa. O Banguela iniciou o seu trabalho emitindo o som em forma de luz e orientando-se pela ecoalização. Nós nos guiamos com a luz e conseguimos um lugar seguro para observar.

–Aqui Banguela – eu falei. Então paramos e eu peguei o telescópio. Comecei a observar a ilha.

–Bom, não tem nada nas margens da ilha. Ela foi rebaixada no centro e agora há um grande lago no meio da ilha.

–E os soldados? – Astrid perguntou.

–Ousaria dizer que têm milhares. Além de armas, catapultas, armadilhas para dragões, barcos...

–O símbolo deles é o Skrill ou o símbolo dos exilados de Berk? – ela perguntou.

–Nem um nem outro, é um... – eu paralisei a minha fala. Eu nunca imaginei que continuaria aquela fala. Eu nunca imaginei que eles fossem fazer isso na realidade.

–O que foi Soluço? – Astrid perguntou nervosa.

–O símbolo deles é o Fúria da Noite – eu continuei mesmo assim e isso calou a todos. Exatamente, um Fúria da Noite. Imagine a carta, combina ao símbolo deles e mais tudo o que eles fizeram contra Berk. Misture tudo e resultará na minha raiva naquele instante. Eles não sabiam que eu iria até eles antes e sim queriam me desestabilizar na guerra. Mas não fariam isso, pois eu estava ali.

–Por que colocariam o símbolo dos Incontroláveis o Fúria da Noite? – Perna de Peixe perguntou.

–Porque é o meu símbolo. Porque eu tenho um Fúria da Noite. E eles querem... – eu comecei.

–Te intimidar – Eret terminou. – Esse dragão é o símbolo da inteligência, rapidez, força, ataque, tudo. Eles querem mostrar que também são fortes como vocês dois juntos são. Querem nos intimidar. – Eu pensei o quanto eles são idiotas. O Dagur nunca conseguiu pegar o Banguela e leva-lo definitivamente com ele, muito menos os Exilados. O Drago foi derrotado pelo Banguela. E eles decidem que o símbolo deles será um Fúria da Noite. Vai entender...

–Tem algo se mexendo na água – eu falei quando voltei a observar. E então arregalei os olhos. – É a besta implacável!

–Como conseguiram colocar ele lá sem destruir toda a ilha? – Eret perguntou.

–A ilha tem uma entrada secreta embaixo d’água. Devem ter aumentado a entrada e usaram água do mar para fazer o lago. Bem que eu achei um lago grande demais.

Então nós fomos embora em silêncio. Ninguém falara sobre Fúria da Noite, Incontroláveis, Beserkers, Exilados, Drago ou guerra. Apenas o som do vento.

Pousamos no porto e todos vieram saber as novidades.

–Pessoal, podem ir embora. Encontramo-nos no Grande Salão no jantar – eu falei para os pilotos. Eles assentiram e foram embora, com exceção da Astrid que permaneceu do meu lado enquanto falava sobre os Incontroláveis para o povo. Nem uma palavra ainda sobre Fúrias da Noite.

Termine o que tinha para dizer e minha mãe veio até nós.

–Olá Valka – Astrid falou. – Acho melhor conversar com ele. Nós todos não gostamos do símbolo deles. Mas tenho certeza que ele detestou – ela virou para mim. – Fale com ela. Vai sentir-se melhor.

Eu não sabia se estava tão chateado assim. Depois vi que estava. Senti-me roubado sem nem ver. Acho que uma conversa não era uma má ideia. E achei lindo o fato da Astrid dizer que faria bem para mim eu falar com a minha mãe. Ela sempre sabe das coisas. Ela me deu um beijo na bochecha e se despediu.

–Vamos para casa mãe, temos que conversar – eu suspirei e me dei por vencido e caminhamos até em casa rumo a conversa sobre o Fúria da Noite.

Notas finais
E então, gostaram??? Eu disse que era uma coisa pequena, mudar um símbolo, mas é o FÚRIA DA NOITE! É O SÍMBOLO DO SOLUÇO! E por isso a minha raiva só aumentou e por isso que eu terei o prazer de matá-lo, já que eu só dessa vez decido o destino dele... OK, spoilers demais... Um beijo enorme queridos... Até o próximo capítulo, Temp