Solstício

1 Capítulo Único: Solstício


Notas iniciais
Olá, olá e olá =)
One-shot (ou drabble?) simples, povo, só pra não deixar essa data passar em branco. Esse natal está sendo um pouco difícil pra mim porque é o primeiro natal que vou passar sem o meu avô. Quem sabe no próximo ano eu me sinta mais motivada a comemorar essa data...
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Enfim, boa leitura!

Solstício

Por Deusa Nariko

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— Foi mesmo uma ótima ideia termos mudado o percurso, Sasuke-kun — Sakura comentou com casualidade assim que cruzou a soleira do quarto da hospedaria.

Sasuke veio logo atrás com passos arrastados e um semblante ilegível, e fechou a porta tão logo entrou, bloqueando a corrente de ar frio que circulava por todo o corredor. Assistiu a esposa despir o manto pesado que usava e, logo abaixo dele, avistou o pequeno volume junto ao peito dela, contido numa tira de tecido amarrada ao seu pescoço e imerso numa quietude que o intrigava, afinal haviam cruzado os últimos cinco quilômetros debaixo de uma tempestade de inverno implacável.

Eles não esperavam ser pegos no meio de uma nevasca, não tão ao sul do território do País do Trovão, mas num golpe de pura sorte se depararam com as luzes amareladas da cidade de Kindara cintilando na noite fria que já caía. Uma vez que as alcaçaram, trataram de encontrar uma hospedaria modesta para pernoitarem.

— Pronto, pronto, querida!

Sasuke ouviu a esposa ninar a bebê ao mesmo tempo em que a desenrolava do seu casulo de cobertas. A pequena exprimiu um lamento de desconforto por isso, por ser afastada do calor do corpo da mãe, e agitou as mãozinhas em punhos cerrados, tornando a resmungar baixinho.

— As mantas dela estão molhadas? — ele perguntou, já avançando um passo na direção delas, mas a negativa de Sakura o deteve.

— Não, ela só tem fome, eu acho — sorriu consigo mesma enquanto embalava a pequena e se aproximava da cama de casal, acomodando-se para alimentá-la.

Sasuke a observou com atenção, tão imóvel que até mesmo sua respiração se tornara imperceptível. Com as luzes do quarto apagadas, apenas um tênue facho de luz prateada permeava a escuridão, empalidecendo o rosto já alvo e de feições finas de Sakura e desbotado o coral do seu cabelo sedoso. Mas o calor febril nos seus olhos e o amor devotado em cada um dos seus gestos bastariam para iluminar e aquecer todo o cômodo e muito mais.

Cuidadosa como sempre, ela amparou a menina faminta num só braço enquanto a mão desocupada descia o zíper do seu vestido e expunha, pouco a pouco, os ossos da sua clavícula e o volume dos seus seios, inchados de leite, contidos no sutiã.

Sarada se alimentou sem pressa, como se houvesse todo o tempo do mundo para tal e Sakura a fechou mais uma vez no conforto do seu abraço, lá estava protegida de tudo, Sasuke não duvidava. Então, ela levantou os olhos brilhantes para o marido:

— Quanto tempo acha que a tempestade vai durar?

Com um suspiro, Sasuke voltou a si e enfim removeu seu manto negro, úmido e pesado pela neve que já derretia nele.

— É provável que passe pela manhã — respondeu ao pendurar a capa no encosto de uma cadeira solitária, no canto do quarto.

Depois de um tempo, no entato, acrescentou incerto:

— Vamos torcer para que passe pela manhã, pelo menos.

Sakura assentiu e voltou o olhar para a filha que sugava seu seio morosamente. O gerador ruidoso tratava de manter o quarto aquecido, mas para Sasuke a fonte de calor mais significante estava ali, esculpida com tanto esmero, na visão de sua esposa e de sua filha num momento tão íntimo.

Pensar em si mesmo como pai despertava tantos sentimentos estranhos no seu peito. Sarada tinha pouco mais do que alguns meses de vida e Sasuke sentia que a cada vez que contemplava o rosto da filha experenciava uma nova sensação diferente e arrabatadora; ela era cativante e era a maior dádiva que a vida poderia ter lhe concedido: um pedaço dele e de Sakura, do amor que os conectava — era o seu milagre.

— Sente aqui, querido — Sakura sugeriu com afeição, indicando com a cabeça o espaço próximo a ela.

O convite era irresistível demais, no fim das contas, e ele se acomodou ao lado dela, na beirada do colchão. Depois que Sarada foi alimentada e migrou de volta a um sono profundo, ele acabou se deitando ao lado delas, com Sarada entre ambos.

— Será uma longa noite — Sakura comentou ao enrolar a menina em mais um cobertor, garantindo que ela estaria aquecida.

— Por que diz isso? — ele perguntou, fitando o teto do quarto.

— Hoje é solstício, o começo do inverno — respondeou-o, voltando a se deitar, por fim, e estendeu uma mão para acariciar os cabelos finos da menina, negros como os do pai, como os dos Uchiha, afastando-os dos seus olhos fechados.

Na escuridão cinzenta, seus olhos encontraram os de Sasuke. Ela o olhou, contente, até que os lábios dele se apartaram num sussurro quase incompreensível:

— Você se arrepende?

Sakura conteve o impulso de se sentar ereta e limitou-se a exprimir um arfar incrédulo para não despertar a filha.

— Me arrependo de quê, Sasuke-kun?

A voz dele demorou a soar novamente entre as paredes finas do cômodo.

— De estar aqui comigo, de ter vindo comigo em primeiro lugar...

De ser minha esposa, era a sentença que ele jamais ousaria pronunciar.

Mas Sakura esticou o braço até o marido para segurar-lhe a mão e entrelaçar seus dedos aos dele.

— Como poderia me arrepender se isso é tudo o que eu sempre quis? — sussurrou com os olhos marejados. — Te ver feliz, meu amor, é tudo o que eu mais quero. E, agora, nós temos a Sarada! Nós a criamos, juntos, Sasuke-kun. Eu nunca vou me arrepender de te amar e definitivamente nunca vou me arrepender de ter te esperado, de ter aceitado ser sua esposa e ter vindo contigo.

O suspiro dele a seguir a tranquilizou, mas assim que fez menção de desentrelaçar seus dedos, Sasuke os segurou com mais firmeza, impedindo-a de cortar o contato físico. Portanto, decidiu relaxar o corpo e acabou descansando a cabeça no travesseiro fino.

O silêncio se aconchegou sorrateiro no quarto, pelo menos até que a voz de Sasuke tornou a soar, sussurrante:

— Eu nunca vou me arrepender de ter voltado para você também... Sakura.

Ela sorriu no escuro para o marido e suspirou, uniformizado o ritmo de sua respiração para tentar dormir um pouco. Sasuke, no entanto, permaneceu insone e vigilante, o olhar atraído para o rosto sereno da menina que dormia entre ambos.

Apesar da tempestade de gelo uivante lá fora, dentro daquele quarto havia calor — e amor — suficiente para aquecer confortavelmente todos os seus três ocupantes.

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Solstício: fenômeno da natureza que marca o início do inverno; ocorre o dia mais curto do ano e a noite mais longa em termos de iluminação do sol. Nos países do hemisfério norte acontece entre os dias 21 e 23 de dezembro.

Notas finais
Qualquer erro de digitação, perdoem-me! Digitei bem rápido e estou com um teclado novo e ainda me adaptando a ele XD
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Nos vemos nos reviews e feliz natal para todos!!! ;*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!