Solitária
32 G-O-R-D-O-N vs. M-O-R-T-E
Notas iniciais
01/09/15
Oi, Amy. Tudo bem?
Hoje o dia na escola foi bem legal, na verdade. Apesar de eu estar com cólicas.
Eu cheguei atrasada e fui recebida por Juliana, que sentenciou exageradamente alto:
– Atrasada!
– Oh, nem percebi. — falei, mal-humorada.
Sentei-me na cadeira (por azar, a única cadeira que restava era atrás da Betânia, aquela garota muito legal que eu sou melhor amiga para sempre ¬¬), jogando minha mochila com tudo sem me preocupar.
Clementine me disse que eu estava com uma cara horrível, e eu não liguei.
Alicia tentou me fazer sorrir, levantando os cantos da minha boca, e eu apenas bocejei.
Eu sei, eu sou terrível de manhã. Principalmente quando estou com sono.
O professor de história entrou e nos fez copiar um assunto de três páginas. Apesar disso, eu queria muito que ele pegasse o primeiro horário da professora de português porque ele é muito engraçado e fez com que eu ficasse menos irritada, sei lá.
E também porque a professora de português anda bem chata esses dias.
Mas, infelizmente, eu tive que aguentar a aula de português bem caladinha, ou a professora iria me pôr para fora.
Fomos para o recreio e Clementine tomou um chá de sumiço, junto com Juliana, Betânia e mais algumas garotas.
Enquanto eu estava lá, lanchando com alguns colegas e quase dormindo na mesa, o irmão de Clementine veio até nós. Ele é até legal.
DEFINIÇÃO DE TYGA (nome de rapper porque foi o único estranho que consegui rapidamente):
Alto, gordo, bochechudo que nem a irmã e ligeiramente entediante. Mais velho (!!!) e com cachos rentes à cabeça. Faz piadinhas sem graça.
Tyga sentou-se na mesa, quase à minha frente, e nos cumprimentou. Eu, a zumbi, apenas acenei porque estava com preguiça até mesmo para falar. Tyga começou a conversar com o garoto ao meu lado, que estava se exibindo com um pau de selfie.
Eu não ouvi nem meio terço da conversa porque estava ocupada tentando acabar o lanche mais rápido para fazer parte da fila que fazemos antes de entrar na sala.
Ficar na fila foi razoável, já que Clementine estava ao meu lado e parecia estar finalmente disposta a conversar comigo.
Eu já disse que nossa amizade se resume a piadas e ataques de risos? Pois é.
Ela me disse que Betânia quer se tornar a garota mais popular da escola. Eu, acidentalmente, ri litros. Não consegui me controlar, sério.
Qual é, se for pra ser popular que seja no mundo inteiro, e não numa escola de merda que ninguém conhece e nem liga.
Então surgiu outra menina que disse que Betânia não seria popular patricinha do jeito que era. Na verdade, seria popular sendo louca.
Não acho que ela deu ouvidos, a Betânia. Não que eu me importe. Que ela vá para o inferno.
Então veio a aula de Educação Física. Eu já disse o quanto odeio essa matéria? É a mais inútil.
Antes da professora entrar, Gordon e eu estávamos conversando, e quando ela entrou continuamos a conversar.
Eu, pela primeira vez em sete meses, consegui falar sobre a morte do meu pai-avô sem chorar nem sufocar. Gordon me disse que ficou admirado com o meu tom de voz tranquilo; eu apenas disse que era uma boa atriz.
Ele riu e disse que me entendia, já que quando falava sobre o suicídio do avô ele também tinha que atuar um pouco.
Vou resumir um pouco da morte do avô dele: ele era depressivo e resolveu juntar todas as suas coisas ao seu redor, jogou gasolina na casa inteira e, já dentro do montinho cercado de objetos, tocou fogo em tudo.
Ele me disse que achava que apenas pessoas doidas, malucas mesmo se suicidavam. Que elas não se importavam com ninguém e tal. Eu o corrigi, dizendo que às vezes elas estão tão tristes que não conseguem ver outra saída a não ser morrer.
Eu já lhe descrevi o Gordon? Estou um pouco obcecada por descrições, na verdade.
DEFINIÇÃO DE GORDON:
Alto, gordo (por isso o nome) e obcecado por videogame e coisas japonesas e pá. Possui um senso de humor duvidoso, porém muito legal, e tem uma família bem estruturada financeiramente (IPhone 6 é o que ele tem). Injustiçado.
O resto do dia foi monótono para caramba.
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