Solitária

1 Até quando pode-se estar só?


Pensei na minha vida hoje

Refleti como era vazia

Vazia de cores e sons

Era repleta de um silencio mórbido e sombrio

Meus olhos esquadrinham o céu cinzento

Procurando um mero resquício de vida

Um pequeno sinal de aquarela

Um leve traço do verde da esperança

Minhas mãos tentam tocar um horizonte distante

Tentam pegar as nuvens distantes

Tentam sentir a vida

Aquela que me escorreu pelas mãos

Minhas pernas tentam se mover

Andar para alcançar o mar

Sentir a água salgada entre os meus dedos

Mergulhar nos meus mais profundos sonhos

Imagino os campos

As flores acenando sorridentes para mim

As folhas cantando para que pudesse ouvi-las

Os pássaros alçando vôo como um livro de paginas abertas

Vejo-me a sorrir

A cantar sobre as belas coisas da vida

A escrever sobre meu dia

A deitar nos verdes campos para contemplar os céus

Sem me preocupar com o entardecer

Sem pensar no amanha

Sem querer saber do resto do mundo

Sem conflitos ou problemas

Mas aqui fico só

Eternamente solitária

A procura da vida que me tiraram

Dos rostos que eu via

Agora só

Quero os risos

Quero as vozes

Quero a vida que emana destas pessoas

Quero o sorriso da criança

Quero o rosto terno do avô

Quero o orgulho da mãe

Quero o afeto da avó

Devolva-me!

Ache e devolva o que me roubou

Traga meus dias de volta

Traga meu riso, meu canto

Faz-me voltar a ser...