Solitary Ground

4 Capítulo 4: Escute-me


Notas iniciais
Obrigada a todos os comentários que voces deixaram, me motiva muito muito mesmo! Boa leitura! E para acompanhar a leitura de hoje : http://www.youtube.com/watch?v=0Tgj-nfrfUg amazing - aerosmith

Estava um pouco frio e minhas costas estavam nuas apara aquele vento cortante. Segurei minha vontade de me encolher e continuei na mesma posição.

Eu queria minha família, meus amigos, gente que realmente gostasse de mim. Eu queria me sentir querida... E a saudade de minha antiga vida estava começando a me matar aos poucos, e sem nenhuma hesitação meus olhos mandaram algumas lágrimas para fora.

Desde que eu cheguei tentei me fazer de durona, mas não conseguia mais. Tudo estava voltando a mim e me machucando como nunca. Os meus olhos já não aguentavam mais e nem meu coração que estava doendo. Tudo que eu era e tudo que eu acreditava se esvaiu mais rápido do que eu pude acompanhar, e agora eu encontrei um grupo, provavelmente em algum lugar dentro de mim eu tinha esperança de tudo ser lindo. Mais aquele jeito que todos me tratavam estava começando a me machucar. Os ruídos do meu choro começou a ficar mais alto, e Daryl se virou para me ver. Ainda envergonhada passei minha mão em meus olhos procurando secá-los. Não queria que ele visse minha fraqueza que eu tentava fingir que não tinha, mas era mais forte que eu e minha vontade de sair correndo para qualquer lugar estava começando a me sufocar. Talvez morrer não seria algo tão ruim.

--- O que houve? --- Ele perguntou voltando seu olhar para frente e ainda tentando parecer seco e distante.

--- Nada... --- Disse com minha voz ainda rouca e tremula pelo choro.

--- Porque está chorando? --- Ele perguntou ainda com a mesma atitude da pergunta anterior. Ele queria saber o que eu sentia e ao mesmo tempo queria parecer longe.

--- Saudades do que eu era.

--- Inútil. Agora parece ser mais forte.

--- Mas antes eu era mais feliz.

--- Felicidade não te mantém viva. A força sim.

--- Se eu não tiver felicidade não consigo achar minha força.

--- Se estiver viva já teria achado sua felicidade ou força... --- Ele voltou seu olhar para mim e com um meio sorriso ele escondeu seu rosto na escuridão novamente.

Continuei sentada abraçada aos meus joelhos e me autoconsolando. Eu mesma estava segurando todas as minhas fraquezas.

Saudades de tudo... Que virou pó.

--- Qual é? Pare de chorar, nada que fizer vai fazer as coisas voltarem ao normal.

--- É impossível que você não sinta falta do mundo como era antes.

--- Sinto, mas sei que se eu chorar ou me fizer de fraco esse mundo não vai me perdoar e o antigo não vai voltar.

--- Não quero ser fraca.

--- Então não seja... Não adianta remoer o que passou.

--- E o que aconteceu com sua família?

--- Minha família era meu irmão mais velho, Merle.

--- E o que aconteceu com ele?

--- Provavelmente foi morto... --- Daryl baixou a cabeça mostrando a falta que o irmão lhe fazia.

--- Sinto muito. --- Disse tentando sorrir em meio as minhas lágrimas. --- Me desculpe colocar facas em sua garganta... Eu estava tensa...

--- Dá próxima vez é melhor certificar que eu morri. --- Ele deu risada olhando para trás, e o pouco da luz que tinha eu pude ver seu lindo sorriso e seu rosto maravilhosamente bonito. Eu retribuí seu sorriso.

O silencio se estabeleceu por alguns minutos. Quando eu estava quase dormindo, ali sentada, Daryl colocou seu lenço em minhas costas.

--- Oh! --- Eu ergui minha cabeça e ele já estava de pé olhando para frente ainda. --- Obrigada!

--- parecia estar com frio. Mas não vá dormir hein?

--- Não vou. --- Fiquei em pé ao seu lado enrolada.

--- Temos que ficar a noite toda?

--- Não sei... Provavelmente alguém vai vir trocar com a gente... Não quero passar a noite olhando para o nada.

--- É inútil não? Acho que os zumbis não entrariam lá dentro.

--- Chagamos aqui a pouco tempo, ainda temos que ver quanto zumbis temos na área.

--- Ahh sim.

--- Você é dessa cidade mesmo?

--- Não sei. Eu simplesmente não sei aonde são as divisas.... Mas não tem nada de familiar aqui, provavelmente não... E também, não vi placas.

--- Somos dois então.

--- Aqui é a nossa residência fixa?

--- Provavelmente, pelo menos até Lori ter o bebe e tudo mais..

--- Ela é mulher de Rick certo? Mas já vi Rick dar algumas patadas nela.

--- Relação complicada.

--- Entendi. E você? Tinha namorada ou alguma coisa do tipo?

--- Nada! --- Ele respondeu sorrindo mais ou menos. --- E você?

--- Nada! --- Respondi e sorri igual á ele. --- E pelo jeito nem vou ter.

--- Provavelmente.

Paramos de falar e novamente a tristeza voltou a me atacar. E meus olhos estavam cheios de lágrimas. Elas começaram a escorrer e eu entrei em desespero. Daryl percebeu minhas lágrimas caindo e se virou para mim.

--- Sei que sou bruto, mas não consigo ficar olhando uma menina chorando sem fazer nada. --- Ele passou suas mãos sobre meu rosto e secou minhas lagrimas. E eu comecei a chorar mais ainda, era como se tivesse uma faca em meu interior.

--- Eu... Eu... --- Eu tentava falar alguma coisa no meio das lágrimas mas eu tropeçava nas minhas próprias palavras e não consegui dizer nada.

Daryl continuou olhando para meus olhos, e eu estava me perdendo naqueles oceanos profundos e azuis, e minhas lágrimas se perdiam em suas mãos que as paravam antes de chegar a minhas bochechas.

--- Chore. --- Ele disse enquanto coloca sua arma no chão para que suas duas mãos ficassem livres.

E quando ele disse chore eu decidi soltar tudo que estava em um, e com um pulo eu me joguei em seu peito procurando qualquer coisa que eu pudesse segurar a chorar. Percebi também que seus braços demoram para encostar em minhas costas, provavelmente ele tinha se assustado com minha atitude, mas senti o calos de seus braços depois de alguns minutos. Eu sentia a respiração dele.

--- nem mesmo todas as lágrimas do mundo trará tudo de volta. --_ Ele me disse enquanto tentava me consolar, do seu jeito, ainda sendo um pouco distante e um pouco seco, ele ainda tentava me ajudar.

--- tem razão. Eu tenho que seguir em frente... --- Respondi enquanto me afastava dele e secava minhas próprias lágrimas. --- obrigada Daryl.

--- De nada. --- Ele pegou sua arma do chão voltando a sua forma de malvado.

Mas eu sabia o quanto Daryl era doce por dentro. Mas a vida talvez o fizesse assim. Não era culpa dele, e tudo que ele precisava talvez fosse um pouco de paciência.

Notas finais
Comentários?! HAHA Beijos até mais.