Solitaria - Filha de dois deuses (Hiatus)
9 Capítulo 8: Conversa com Afrodite
– Eu o beijei – gritei, meu pai me encarou com uma cara que dizia: Como é?
– Como é? – ele perguntou realmente.
– Eu. O. Beijei. – falei entre dentes.
– Por quê? – ele me perguntou fuzilando Ares com o olhar.
– Por que... Argh – falei e sai andando e bufando, ele não tinha direito de me tratar assim, ele nunca tinha me visto e queria mandar em mim, e Ares, como ele tinha coragem, de me beijar? Tudo bem, ele era legal, eu xinguei ele, a gente conversou e ficou amigo, mas ele não tinha permissão para me beijar.
Parei em frente a uma porta de prata com a fechadura vermelha, tinha um leve brilho rosa, relei a mão, mas escorreguei na parede, colocando a mão nos lábios, que ainda formigavam depois de meu primeiro beijo.
Comecei a lembrar do que ele dissera:
Garota deixe de ser mimada e me ouça... Por quê? Emily, porque você corre perigo... Nossa você está aceitando muito bem esse mundo louco...
Deus, ele me beijou, me beijou. E involuntariamente um sorriso surgiu em meu rosto.
– Me larga – ouvi um grito vindo de dentro do portão, me levantei assustada – Me solta.
Em seguida um estampido.
Aproximei-me hesitantemente da porta e toquei a fechadura, nada aconteceu, então ouvi outro grito:
– Você não é minha mãe – em seguida explosões.
Natalie, óbvio.
As portas se abriram e eu caí no chão, minha “colega” saiu tempestuosamente da sala, ela me lançou um olhar raivoso e gritou:
– Você... Sua coisa, isso é culpa sua – ela respirava pesadamente – Sua aberração.
Em seguida saiu pelo corredor, gritando blasfêmias para tudo o que encontrava.
De dentro da sala ouvi um tsc, tsc em seguida um convite:
– Emily, entre. – Assustada eu entrei na sala e meus olhos sofreram um choque violento ao ver a cor que a sala era.
Rosa.
Depois de me acostumar com a cor, eu focalizei o resto, um sofá vermelho no centro da sala, uma estante cheia de perfumes em uma parede, um guarda-roupa enorme ocupava outra parede.
Uma mulher estava sentada no sofá, ela usava um vestido longo vermelho, sua pele era linda, assim como tudo nela, seus olhos, seus cabelos, sua maquiagem, seu jeito de sentar, tudo nela era perfeito, assim que encarei seus olhos, o rosto de todos os garotos de quem eu gostara apareceu na minha mente.
– Olá querida, sente-se – ela indicou o lugar ao seu lado no sofá, relutante me sentei.
– O que aconteceu – Perguntei me referindo a Natalie.
– Problemas de mãe e filha, não se preocupe – ela sorriu.
– Quem é você? – Perguntei, tentando não parecer indelicada.
– Não sabe? Aliás, quem é esse ultimo garoto? Cabelos negros e olhos azuis? – Ela perguntou, corei.
– Er... Já sei quem é você, Afrodite, deusa do amor? – Arrisquei, tentando fugir do assunto.
– Sim, queridinha, mas não fuja do assunto, esse garoto é o filho de meu pai não é? – Ela deu um sorriso.
– Tá, é sim, mas, por favor, não conte para ele – pedi, provavelmente parecendo muito idiota.
Afrodite deu um risinho.
– Pode deixar querida, eu torço pelo amor, não contra, afinal, se Ares descobrir... A coisa pode ficar feia. – Ouvi um quê de irritação na sua voz.
Vasculhei minha mente, porque sua voz estava irritada?
Ah... Não.
Lembrei, Ares era o amante de Afrodite, que traia Hefesto.
– Ah, me desculpe... – Comecei, mas ela me cortou.
– Tudo bem! – Ela exclamou com um sorriso, mas percebi que era forçado – Então, foi bom? – Dessa vez sua voz foi sincera.
Ela agia como se fosse minha melhor amiga, e esse tipo de informação eu não iria compartilhar com ninguém, a não ser minha amiga do terceiro ano, a única que fora minha amiga de verdade.
Seu nome era Marcie, e eu contava tudo a ela, até que então ela foi embora para outra cidade e eu nunca mais a vi.
– Foi – abri um leve sorriso –, o abdômen dele é bem definido, barriga tanquinho. – Me lembrei como passei a mão naquela barriga sequinha.
– Ah, mas tem mesmo. – Afrodite se abanou com a mão – Mas conta mais.
– Bem, ele me encostou contra a parede, eu tentei empurrá-lo e ele me beijou – disse simplesmente – Foi só isso.
Afrodite bateu palmas.
– Bom, bom, e vocês gostaram?
– Ele eu não sei – disse cobrindo o rosto com as mãos – Mas eu... Bem... Tá legal, eu gostei.
– Agora, Emily, deixe-me lhe dizer uma coisa. – Sua voz assumiu um tom mais sério – Você... Bem, você precisa treinar para o que vem pela frente.
– Como assim, treinar? E o que vem pela frente? – Perguntei assustada.
– Eu... Eu não posso lhe dizer. – Afrodite respirou fundo algumas vezes e fez uma careta – Ai, seu pai está te procurando, e não está nada feliz.
– Ai meu Deus.
– Deuses. – Corrigiu Afrodite, ela apontou para uma parede atrás de si e uma porta de madeira apareceu – Saia por ali, e se eu fosse você, iria rápido.
– Ah, não sei nem como te agradecer Afrodite – dei um abraço nela – Tchau.
– Ah querida, não precisa, mas eu vou cobrar – ela piscou o olho – Agora vá, eu distraio meu tio.
Agradecendo silenciosamente eu corri para a porta e me vi em um corredor longo, com uma porta dourada no final, corri rapidamente, mas antes ouvi um risinho vindo de Afrodite e um grito:
– AFRODITE!
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