Solitaria - Filha de dois deuses (Hiatus)
10 Capítulo 9: Saindo com Apolo
Corri rapidamente pelo corredor, sem olhar para trás, mas ouvi vários gritos e explosões vindos do quarto de Afrodite, acho que ela ficaria bem.
Ei, mas ela é uma deusa, sussurrou uma voz em uma cabeça, tive que concordar com ela.
Cheguei ao fim do corredor, coloquei a mão na maçaneta quando ela se abriu sozinha, esbarrei em uma pessoa e cai sentada no chão, olhei para cima e o ar fugiu de meus pulmões.
Um Deus grego (Ava Emily, verdade? Jura?) estava parado em minha frente, era alto, bronzeado com cabelos dourados brilhantes, um típico adolescente californiano, e estava seminu, usava apenas uma toalha branca na cintura, deixando seu tórax sarado a vista (pai amado, todo deus é assim?), estava molhado e me encarava com uma cara que dizia: Eu sou o cara.
– Uou, desculpe. – Sua voz era melodiosa, ele estendeu a mão e eu aceitei – Quem é você?
– Hã, me nome é...
– Não espere – ele ergueu uma das mãos e fechou os olhos – Emily Gomes? – Ele abriu um dos olhos.
– Sim e você...? – Deixei a pergunta no ar, ele sorriu, pegou minha mão e elevou até a altura de seu rosto e a beijou, corei.
– Apolo, deus do sol, da medicina, da música e poesia.
Para dar ênfase na parte “deus do sol”, uma aura laranja claro contornou ele e vapor saiu de seu corpo, a água virando vapor.
Deuses...
– Er, obrigado... Eu acho – murmurei – Onde estamos?
– No meu palácio – ele abriu a porta e apontou, observei o cômodo, ligeiramente maior do que o de Afrodite, um lustre pendia do teto, iluminando todo o aposento branco com uma luz dourada, uma mesa de sinuca estava no meio, um pequeno bar em um canto, uma porta provavelmente levava ao banheiro – Quer entrar?
– Acho que não. – Falei, mas ele se postou atrás de mim e colocou as mãos em meus ombros, me empurrando para dentro do lugar, sem que eu quisesse, entrei no palácio e Apolo fechou a porta.
– Espere aqui – ele falou e sumiu pela porta que eu achei que fosse o banheiro, mas devia ser algum closet, encostei-me à mesa de sinuca e esperei, ele saiu vestindo uma calça jeans, regata branca e tênis.
– Prontinho – Apolo fez uma pose de galã, não pude evitar dar uma gargalhada.
– É, tá legal. – I-di-o-ta, eu sou uma idiota, porque eu falei isso, por quê?
– Obrigado – ele foi até o pequeno bar e se abaixou, gritou de lá:
– Quer beber alguma coisa?
– Uma água, por favor, senhor – falei encabulada.
– Ah não – ele surgiu detrás do balcão e jogou uma garrafa de água para mim – Senhor está no palácio de meu pai, me chame de você, ou melhor, de Apolo.
Abri a garrafa e vi que era com gás, eu não gosto de água com gás, transmiti isso a Apolo, ele simplesmente estalou os dedos e o gás surgiu da água.
– Uau – murmurei.
– Certo, então, o que uma garota bonita feita você estava fazendo aqui? – Ele ergueu uma sobrancelha.
– Fugindo de meu pai – falei – Pode não contar que eu estou aqui?
– Claro, se tá comigo, tá com deus. – Quando ele percebeu o que falara abriu um sorriso – Quer dizer, literalmente.
– Obrigada. – Ouvi um grito:
– Emily – ah não – Filha cadê você?
– Apolo, me tira daqui? Por favor? – Pedi desesperada.
– Claro – novamente um sorriso brilhante brotou em seus lábios – Se aproxime.
– Como assim?
– Ah, não se preocupe, você quer sair daqui ou não? – Ele perguntou.
– Quero – falei imediatamente, e me aproximei dele, Apolo abriu os braços, como se fosse me abraçar, eu encostei-me a seu peito, senti a batida de seu coração, ele fechou os braços sobre mim, um calor queimou meu corpo, senti uma tonteira e começamos a girar e girar, e girar.
A tonteira passou, quando senti chão sobre meus pés eu por instinto, comecei a andar, mas tropecei e os braços de Apolo me seguraram, mas ele caiu no chão, eu por cima dele, fechei os olhos e quando abri vi que o rosto de Apolo estava a centímetros do meu, com uma expressão de choque.
Seu rosto lembrou imediatamente o de Ares, então eu inclinei meu rosto para o lado e encostei minha boca na sua, ele, pego de surpresa fechou os olhos devagar, mas então dei conta o que estava fazendo.
Empurrei-o, inútil, pois ele estava caído no chão, me levantei.
– Apolo, me desculpa, eu não queria, entende? Isso... Isso não está certo, eu...
Ele se levantou e se aproximou de mim, recuei e bati em uma parede, onde eu estava?
– Emily – ele sussurrou, sua boca estava perigosamente próxima da minha – Eu quero, você sabe disso, você quer.
– Não. – Empurrei-o e sai para o lado, olhando em volta eu vi que estava em uma espécie de rua, a parede em que eu me encostara era uma vitrine, achei estranho, tinha pessoas na rua e na loja, mas ninguém tinha notado nada.
– Onde estamos? – Perguntei.
– Times Square – ele deu um sorriso maroto.
– E como ninguém nos viu? – Perguntei a curiosidade vencendo a incredulidade.
– Névoa – Apolo respondeu simplesmente.
– Como assim, névoa? – Perguntei sem entender.
– É tipo, o véu mágico que distorce a visão dos mortais, portanto eles não vêm nenhuma coisa do nosso mundo, e se vem, imaginam apenas uma coisa que conseguem entender. – Ele explicou.
– Ah, nem dois adolescentes caídos no meio do chão? – Ergui uma sobrancelha, Apolo riu.
– Não exatamente dois adolescentes – ele sorriu –, uma adolescente e um deus, que prefere parecer um adolescente.
– Ah tá, entendi, mas então, vamos andando? – Perguntei olhando ao redor, eu nunca tinha vindo aqui.
– Claro, tem um café por aqui, quer ir? – Assenti e ele me guiou por um labirinto de pessoas, dois minutos depois estávamos passando pela porta (um sino soou, nos anunciando) e entramos em um lugar pequeno, pintado de branco, com pisos vermelhos, um balcão em C no centro, e varias mesas ao redor, Apolo se sentou na primeira mesa e eu me sentei em sua frente, uma garçonete parou na mesa, mascando um chiclete, eu pedi um chocolate quente e Apolo um café e um donuts.
– Então, não gosta de seu pai? – Apolo perguntou, batucando o dedo na mesa.
– Não sei – respondi –, sinceramente? Eu acho que ele me traiu, quer dizer, ele podia ter me contado alguma coisa.
– Sinceramente? – Ele me imitou e baixou a voz – Eu concordo com você.
Corei.
– Que papo é aquele de que prefere parecer um adolescente? – Perguntei curiosa.
– Ah, não sei se você vai entender, digamos que o titulo de deus do sol não cairia bem para um velinho caquético.
Pensei quando encontrara Apolo, ele estava só de toalha, e imaginei um velho daquele jeito, argh, balancei a cabeça.
– Então, Afrodite prefere ter vinte anos, Atena e Hermes, aparentemente vinte e poucos, Poseidon e meu pai querem ser velhos, Ares...
– Olha os cafés – falei tentando mudar de assunto, realmente, nossos pedidos chegaram, beberiquei meu chocolate e queimei o lábio inferior. – Bom né?
– Sim, quer um pedaço? – Ele ofereceu o donuts, neguei com a cabeça.
O sino da porta tocou de novo, olhei para lá, uma mulher entrou, era alta, sua pele era morena, não bronzeada, sim natural, seus cabelos negros chegavam até a cintura, sua pele e cabelos contrastavam com seus olhos verdes brilhantes.
Ela se sentou em uma mesa atrás de Apolo e ficou me observando, desviei o olhar.
– Apolo – sussurrei, ele se inclinou para frente – Tem uma mulher me observando.
Disfarçadamente ele olhou para trás e uma expressão de pânico tomou conta de seu rosto.
– Emily, quando eu disser já, corra. – Ele falou.
Ps. Apolo:
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