Solitária
46 Resoluções de Ano Novo & Jesus Cristo
Notas iniciais
Tecnicamente, hoje já é dia 23/01/16.
Hey, Amy!
Kristen pediu resoluções de ano-novo, no livro Cartas de Amor aos Mortos. Mesmo sendo quase fevereiro, farei as minhas.
Jesus disse certa vez: "Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo." ou alguma coisa assim. Eu quero renunciar a mim mesma em 2016. Não para ser discípula de Jesus (sou uma católica meio atéia. Espero que a Virgem Maria me salve). Quero renunciar a mim mesma porque estou cansada de mim, cansada da minha vida e cansada das pessoas da minha vida. Queria nascer de novo. Queria ter uma "página em branco", mas infelizmente eu já escrevi 17 páginas. Queria voltar em 2014. Queria parar de querer. Queria que o mundo fosse melhor em todos os sentidos. Queria ser eterna, não do tipo viver eternamente, mas ser eterna do tipo de pessoa que permanece "viva" mesmo depois de morta. Queria ter filhos, mas por amor à eles não os terei, porque o mundo não será um bom lugar e eu não quero que eles morram cedo por falta de água ou numa guerra por petróleo. Queria sorrir mais, abraçar meus pais, viajar o mundo e socializar (okay, tirei isso da música Piloto Automático, acho que é assim que se chama). Queria que meu pai-avô estivesse vivo, e queria parar de chorar toda vez que penso nele ou que ouço músicas que me fazem lembrar dele. Queria, mesmo relutante, ser poser como eu era esses anos todos porque durante esse tempo eu fui muito feliz. Eu quero crescer e não quero crescer.
Amy, eu quero tantas coisas! Eu devia parar de ser exigente e ficar grata com o que eu tenho. Eu sempre magoo as pessoas desse jeito, porque sempre que elas fazem algo para mim especial, sabe, de coração, eu encontro defeito. Minha tia me deu um batom de presente de aniversário, mesmo que não tenha dinheiro para gastar com essas bobagens, e eu fingi estar feliz quando na verdade estava triste porque o batom era rosa. E pode parecer meio clichê, mas eu não gosto de usar batom rosa. O mesmo aconteceu quando mamãe recheou meu bolo com todo o amor e carinho, mas eu não gostei porque o recheio era de doce de ameixas e não de cupuaçú.
Como eu disse no começo da carta, eu queria renunciar a mim mesma. Meu aniversário passou e eu não me sinto mais velha. Eu vi o Natal e o Ano-Novo passarem num piscar de olhos, mas eu ainda me sinto em 2015. Foi um péssimo ano e eu ainda me sinto nele, é como se fosse interminável.
Hoje eu estava muito chateada comigo mesma, então passei o dia lendo fanfics ruins e me enfurecendo com as protagonistas porque ou elas são nerds posers ou são putas. Também me enfureci com o par romântico delas e com o enredo inteiro. Me enfureci inclusive com as autoras por estarem fornecendo um material tão ruim num site tão bom como esse, embora reconheça que algumas delas estão em "início de carreira" e que talvez melhorem com o tempo e com muita leitura, como aconteceu comigo, embora minha escrita seja uma droguinha.
Eu citei o livro Cartas de Amor Aos Mortos e vou citá-lo de novo. A protagonista basicamente faz o mesmo que eu faço: escreve cartas. Mas ao invés de escrever só para uma pessoa, ela escreve para vários famosos mortos, tipo Kurt Cobain e você, Amy.
Estou cansada, e acho que agora, às 02:03 da madrugada, já posso dormir.
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