Solitária
34 Mudanças Platônicas
Notas iniciais
04/09/15
Oi, Amy, tudo bem?
Não escrevi ontem porque faltou energia, para variar.
Mamãe ficou tão irritada que cogitou a ideia de se mudar. Eu fiquei tipo: "Vamos A-GO-RA nos mudar para Brasília, mãe, olha que ideia maravilhosa". Mas ela não estava falando sério.
No quarto, estava frio. Mas eu estava morrendo de tédio, então fechei os olhos e comecei a imaginar situações que provavelmente nunca aconteceriam na vida real.
A primeira situação que imaginei foi como seria se eu chegasse na escola com cabelo bem curtinho, estilo Hazel Grace vs. Emma (Azul é a cor mais quente).
Imaginar as reações das pessoas foi muito divertido, sério. Imaginei Betânia falando mal do meu cabelo, imaginei Alicia rindo e dizendo o quanto havia adorado (ela com certeza o bagunçaria), imaginei Gordon dizendo o quanto eu estava irada e imaginei Clementine tirando onda.
Imaginei todo mundo de boca aberta.
E me imaginei no meio de tudo isso. Não sei se lançaria meu foda-se, ou se primeiramente teria coragem de cortar estilo garoto e ainda por cima pintar de azul.
Depois, eu imaginei meu corpo como o de um pônei alado. Eu sei, totalmente sem sentido. Mas foi legal.
O resto da noite foi totalmente quente, já que a central não funciona sem energia, obviamente. A esta altura, eu estava muitíssimo irritada.
E então, eu dormi.
Quando eu acordei, minha irmã estava dizendo algo sobre tomarmos café-da-manhã no supermercado, já que não havia energia (a energia tinha dado as caras durante uma hora e depois se foi novamente).
Eu tomei um banho rapidamente à luz de velas (mais romântico não existe ¬¬) e vesti meu uniforme.
Hoje o horário de entrada foi modificado justamente por causa da falta de energia. Ao invés de entramos às 7:15h, entramos às 8h.
Então, eu achei meio desnecessário o fato de ter sido acordada às 6h30min. Mas relevemos.
Fomos tomar o esplêndido café-da-manhã lá no supermercado. Não havia quase ninguém, e as mulheres ainda estavam pondo a comida e pá.
Eu peguei apenas um pão de queijo e um sanduíche. Acompanhado pelo meu Nescau (que eu não agito por ser muuuito rebelde e revoltada com a sociedade).
Depois de comermos, fomos deixar minha irmã na escola e depois mamãe foi me deixar.
Quando chegamos, tinha umas 10 pessoas na escola. Tipo, só dez pessoas.
Tive a sorte de três delas serem da minha sala.
O resto do dia foi inútil. Começamos a fazer uma maquete na aula de história e a professora de artes mandou fazermos uma paródia com o tema preconceito.
Finalmente falei com meu pai biológico após uns 5 meses silenciosos.
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