Solitária
43 A Verdadeira A
Notas iniciais
12/10/15
Oi, Amy, beleza?
Decidi me descrever, você já sabe muito sobre mim, mas existem coisas que estão escondidas.
Quando discuto seriamente com uma pessoa, eu sempre viro a pessoa mais cruel, porque por algum motivo eu gosto de "cutucar as feridas" da pessoa. A pessoa geralmente fica bem magoada comigo, e é assim que perco amizades.
Eu nunca consigo dar boas patadas. Nunca, de verdade. Sempre que tento sai um fiasco.
Eu sempre falo tudo. Tudo o que penso. É estranho e eu já me dei mal por isso, porque falar pra tua mãe que ela está ridícula com uma determinada roupa é quase pedir pra morrer.
Eu sou péssima em demonstrar sentimentos, principalmente com palavras. Às vezes eu só queria poder olhar bem fundo nos olhos da pessoa, porque é assim que gosto de transmitir meus sentimentos.
Eu reajo muito mal quando alguém gosta de mim e eu não correspondo, porque de alguma forma me sinto culpada. E, dependendo da pessoa, eu fico bem irritada. Já aconteceu de um garoto ser super amigo meu, mas quando eu descobri que ele estava com outras intenções, fiquei bem furiosa, eu entendo que não se controla sentimentos, mas tentar me manipular do jeito que ele fazia foi simplesmente ridículo.
Eu demonstro estar nervosa fazendo estardalhaço. E geralmente, quando a alegria é muita, começo a tremer. Tipo Parkinson. É horrível você encontrar velhos amigos e começar a tremer, porque eles percebem.
Eu sou bem irritante na vida real, porque sou meeeio espalhafatosa, principalmente com pessoas íntimas. Eu gosto de conversar, fazer piadas e falar sério, tudo ao mesmo tempo.
É por causa do meu jeito que ninguém percebe que, quando eu fico sozinha, tudo desanda.
Eu tenho amigos legais, mas não amigos de verdade. Talvez Alicia, ela já me ajudou numa hora que foi bem difícil pra mim (conto depois). E talvez Letícia. Ela sempre me apoia.
Letícia é uma garota bem legal que eu conheço apenas virtualmente. Ela, às vezes, parece ser tudo o que eu não sou. Sabe, tipo, engraçada e legal.
Ela passou por coisas ligeiramente difíceis, mas graças a esses acontecimentos que nos conhecemos.
Ela tem um pequeno problema com amizades, vendo agora, fico até surpresa que tenha sido ela a começar nossa primeira conversa. Na verdade, ela diz que só não tem muitos amigos porque quer. Mas eu sei que tem mais alguma coisa.
Pois bem, Amy, o acontecimento que fez eu perceber que Alicia talvez fosse minha amiga de verdade foi um breve tiroteio que teve na frente da nossa escola. Eu vou resumir: já tinha passado uma hora desde a saída, eu estava lá por causa da mamãe e Alicia e outros muitos alunos estavam lá por causa de um ensaio.
Quando recebemos a notícia de que havia "um homem atirando na frente da escola", eu, ela e os outros alunos corremos para a secretaria, já que lá podíamos nos trancar com segurança e minha mãe trabalha lá.
Eu entrei em pânico, porque a morte do meu pai-avô também foi num tiroteio, e Alicia me ajudou a manter a calma enquanto permanecíamos deitadas no chão. Eu chorei como nunca, principalmente quando ouvimos os tiros repetidos.
Eu imaginei meu pai levando aqueles tiros. Eu fiquei desesperada.
O mais engraçado foi que, uns 5 minutos antes, eu estava apenas rindo das besteiras que William e Yvis me diziam.
Yvis vem me enchendo o saco, desde o começo das aulas, dizendo que gosta de mim daquele "outro jeito". Besteiras .
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