Solitária.
1 Tarde Fria
Notas iniciais
Segunda, tarde fria. O vento gelado passa por meus cabelos, logo mais escurece, a chuva cai... E aqui estou eu, sim, aqui estou eu. Torcendo para que toda essa melancolia que mais combina com quartas-feiras acabe. Ah, como eu queria que acabasse! Nem mesmo a fé, a esperança, o amanhecer, o tardar, pode me ajudar. Onde você esteve?! Por onde andou, e principalmente, por que me deixou? Aqui, sozinha. Nesta segunda-feira de tarde fria, o relógio bate, os pássaros já não cantam, o sol já não brilha tanto, não como nas tardes longas de verão... Tudo mudou. Eu mudei. Você mudou. Nós mudamos. O motivo?! Não sei, talvez tenha sido os longos abraços que lhe dei quando você precisou, pode ser também por causa dos mimos que lhe ofereci, talvez, talvez tenha sido todo o amor que te dei. É, talvez tenha sido. Talvez. A noite aparece, a tarde desaparece, o dia dorme. Eu continuo aqui, de pé, rindo para o meu reflexo na água, a água que muitas vezes foi testemunha de nosso amor, mesmo que falso, mas amor. Ainda espero pelo dia que você irá me abraçar calmamente, inquietamente, com aquele sorriso que ninguém mais tem além de você. Minha inquietante obsessão por você está me matando, estou morrendo de amor, morrendo por amar. Tudo parece uma poesia triste, daquelas que o autor está numa profunda depressão, profunda, bem profunda, tão profunda a ponto de dizer que já não sente o amor, mesmo que ele sinta continuará negando.
Os fantasmas nunca são gentis, eles sempre querem voltar de onde saíram, mas... Muitas vezes, os corpos dos quais pertencem já não servem de nada, então como mágica eles entram em você. Ocupam um espaço que não são deles, o espaço que pertence à alguém, o alguém que você e eu sempre procuramos, e quando eles chegam, não temos mais espaço para eles, então ficamos solitárias novamente, tristes, observando o vento carregar as folhas que as árvores não conseguem mais segurar. Até a natureza é cruel, criou os animais para morrer, para matar. É esquisita a forma de como tudo nos leva a morte, a perdição. Na inquietante busca de amor esquecemos-nos de buscar a si mesmo. O interior. Aquilo que você sabe que tem, lá no fundo, mas tem. Precisamos sair, distanciar, procurar e depois voltar. É triste e longo o caminho, e como é triste e longo, estou nele faz 25 anos, nunca achei o túnel, somente as luzes que levam até eles, mas alguém sempre se lembra de apagar, então não escuridão estou eu novamente, a escuridão me tornou e da escuridão me tornei. A estação de rádio não toca canções sobre o amor, como iremos escutar o amor?! Só escuto os sussurros da indecência, da profanação do amor, escuto tudo, menos o amor. Sexo, drogas, carros e champanhas, é tudo tão tolo que dá náuseas, parecem ser compositores para ninfomaníacos. Mas nesta quero lhe dizer algumas coisas, coisas que jamais esqueceram e peço que pense duas vezes antes de esquecê-las: Dê-me um sinal, dizendo que não é o fim. Dê-me tempo, dê-me vida, dê-me seus beijos e caricias, nunca, leia novamente, nunca se esqueça de mim. Por que onde você estiver, ou sei lá onde eu estiver, ainda terá marcas e detalhes que ira me lembrar de você. Serei sua sombra enquanto você estiver em luz, e você será minha sombra em quanto eu estiver em luz, e quando a luz cessar, estará nos dois na sombra. Na sombra que somos, na sombra que nos tornamos.
Fale com o autor