III-Solidão

Se há a verdade nas palavras

Que aqui suponho,

Tendes a entender que a solidão

É o pior castigo

Que alguém pode ter.

Chorar arrependido,

Um olhar mal respondido,

Uma dor escondida,

Na face escurecida

Do tormento enfurecido.

Continuas propenso ao singelo testamento,

Que as coisas continuam sendo

Amargas e insípidas.

Mas no fundo quisera

Acreditar

Que não estivesse sozinho,

E a profissão de Deus

Fosse cumprida:

- Aquele que jamais será temido,

AJUDAI-ME, AJUDAI-ME!

Quem quer que seja aquém,

Virar-te-ei pelos campos e flores

Regando vossas glórias,

Aos templos daqueles

Que vos abandonaram.

E como prova de uma simples

Expectativa,

O sorriso de alegria

Recriará-lhe no rosto

A singela harmonia

Que a solidão tirou.

Sorria; sorria.

Pelos tempos e pelas lutas,

Eu lhe imploro,

Sorria.

Que pelas lágrimas concedidas,

Eu lhe imploro que

Sorria.

(...)

E se há verdade em minhas palavras,

Que sejam comprovadas

Pelo ardor da solidão.

Aquela dor vazia,

Que matou

Meu coração.

O silêncio prova

E resgata precisamente

Aquilo que a nossa mente

Teme mais que qualquer coisa.

E assim tende acabar,

A música da escuridão.

Que com frio e fúria,

Corrente e persuasiva,

Vai entrando na mente

Com via corrosiva,

E estraga o pingente da alegria.

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