Solidão
1 Solidão - Capítulo único
Notas iniciais
Espero que goste.
Depois de um ano ela se lembrou. Sim, lembrou-se da solidão que durante quase toda a vida a tinha perseguido. Pensou tê-la vencido quando o conheceu e, de forma intensa — com todas as forças —, creu nisso.
Até que ele a deixou; ela havia reatado seus lados com o isolamento. Tornou-se outra vez nada, tornou-se outra vez ninguém, tornou-se outra vez vazio...
Tornou-se outra vez a Mulher da Chuva, apelido que Juvia, por muito tempo, carregou.
Já não se lembrava da última refeição que fizera. Debaixo da chuva torrencial, Juvia se encontrava assentada num banquinho de praça. Ela esperava e esperava por alguém que deveria voltar para a vida dela. Juvia acreditava nisso. Gray iria voltar.
Um dia ele voltaria, e Juvia estaria ali esperando por ele. Sem nunca ter saído.
O corpo dela fraquejou e tremeu. Juvia estava com frio, muito frio. Era diferente de estar ao lado de Gray. Perto dele, apesar da magia glacial do rapaz, ela se sentia aquecida e confortável; para Juvia Lockser, esta correlação não era paradoxal ou estranha, afinal, ela o amava.
— A Juvia está aqui — sussurrou. — Por favor, volte Gray-sama. A Juvia está com frio...
Seria muito fácil aguardar o retorno do amado em casa, a casa deles, de Gray e de Juvia. Também fácil seria, depois de tanto tempo, procurar se esquecer do tal e seguir com a própria vida para que, em uma possível ocasião, pudesse reencontrar aquele que a conquistara. Entretanto ela queria estar ali, ela deveria estar ali.
A pergunta “por quê?” sempre vinha à mente dela. Não conseguia entender, não sabia de onde tirar uma devida — nem qualquer — explicação para o desaparecimento de Gray. Logo quando eles tinham iniciado uma vida juntos após a diluição da guilda. Talvez o destino fosse mesmo cruel e nebuloso. Talvez ela jamais devesse ter acreditado que estar com Gray tornar-se-ia realidade.
Mas ela o amava. Era inevitável.
Doía pensar no amado, sentia-se machucada ao se lembrar do curto dulçor da presença de Gray Fullbuster e, posteriormente, da assombrosa e repentina partida dele.
A chuva permanecia implacável sobre Rainfell, antiga vila da Lebre do mar. Isolada do mundo, comprimida dentro dos próprios pensamentos melancólicos, Juvia respirava o ar úmido — de chuva, dela mesma; era uma com a chuva, afinal.
— Devo acreditar, Gray-sama, que você voltará um dia?
Solitária, Juvia se martirizava com tal questionamento.
Notas finais
Até mais o/
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