Solidão
4 Cap. IV – Nunca mais vou te deixar
A manhã estava cinzenta, o céu estava nublado. O dia tinha um ar de tristeza, todos estavam muito sentidos pela morte de Hyoga. Na mesa do café da manhã; silêncio. Ninguém falava nada, até porque ninguém conseguia. Alguns ainda choravam, outros apenas permaneciam calados. Ikki nem estava lá. Passara mal a noite toda e, agora pela manhã, não queria se levantar da cama. Shun explicou tudo para seus amigos, tanto de Ikki, quanto de Hyoga:
- O Ikki deve estar muito sentido, sua consciência deve estar pesadíssima! – Comentou Seiya.
- É verdade, ele está muito mal. – Disse Shun.
Nesse momento, entra uma pessoa no local. O ambiente estava tomado pela tristeza. Essa pessoa se sentou à mesa e tentou animar a todos:
- Bom dia pessoal! Nossa, por que estão com essas caras de enterro? Até parece que alguém morreu!
- É, realmente, uma pessoa muito querida morreu. – Disse Shiryu.
- Sério? Quem morreu?
- Deixe de perguntas idiotas, você sabe quem! – Disse Kanon.
- Não, não sei.
- Foi o Hyoga, ele morreu. – Disse Shun.
- Eu morri? Desde quando?
- Desde ontem. – Disse Seiya.
- É mesmo? Então por que ninguém me contou que eu estou morto?
- Ora, porque... – Kamus parou de falar, finalmente sua “ficha caiu” – HYOGA! Vo... você... você está vivo!
Kamus saiu de seu lugar para abraçar o discípulo. Todos queriam saber porque e como Hyoga sobreviveu. Mas a felicidade era tanta que todos, somente, queriam abraçar Hyoga. Kamus não soltava Hyoga, ele chorava e agradecia aos deuses por ter seu pupilo novamente em seus braços. Kanon teve que interferir, senão não conseguiria abraçar Hyoga:
- Chega Kamus, deixa um pouco para nós! Também ficamos tristes com a notícia e queremos abraçar Hyoga.
- Tudo bem, desculpem-me. É que estou muito feliz.
Kamus soltou Hyoga e todos o abraçaram. Depois de todos terem certeza de que Hyoga estava mesmo vivo e que aquilo não era ilusão, foram para a sala querendo respostas:
- Nossa, se eu soubesse que sentiriam tanto a minha falta, nem teria feito as malas. – Hyoga riu do acontecido.
- Muito bem, pode ir se explicando! Que idéia foi essa de nos enganar? – Disse Kamus.
- Hã? Do que estão falando, eu não enganei ninguém. Vocês se enganaram sozinhos, até pensaram que eu estava morto.
- Não se faça de bobo! Você deveria ter pegado o avião para a Sibéria!
- Se vocês querem tanto que eu pegue, posso comprar outra passagem e ir agora mesmo. – Hyoga já estava se levantando para sair.
- NÃO! – Todos gritaram.
- Afinal, por que pensaram que eu estava morto?
- É que o avião que você deveria pegar caiu e não houve nenhum sobrevivente. Achamos que você estava no avião. – Explicou Shun.
- AH! Bom, é que quando eu estava lá no aeroporto, me lembrei que tinha esquecido duas coisas muito importantes aqui. Eles fizeram a última chamada, mas eu estava indeciso se ia ou não. Já que eu não queria ir mesmo e deixei coisas importantes para trás, resolvi voltar. Então eu não peguei o vôo.
- Por que não voltou para a Mansão? – Perguntou Shiryu.
- É que eu fiquei com vergonha de voltar depois de tudo que aconteceu. – Hyoga corou.
- Mas, como a Saori não conseguiu encontrar seu cosmos? – Perguntou Seiya.
- Bem, é que eu estava muito cansado e meu peito começou a doer de novo, então fui para um hotel e acabei apagando de vez. Meu cosmos ficou enfraquecido por causa da Bronquite, que voltou a atacar.
- O que você esqueceu aqui de tão importante? – Perguntou Milo.
- Isso!
Hyoga mostrou dois objetos. O primeiro era o crucifixo que havia ganhado de sua mãe. Todos sabiam o significado daquele objeto para Hyoga. O segundo objeto era uma foto, nela estavam todos os cavaleiros; de ouro e de bronze, e Saori. Aquela foto era uma coisa simples, mas Hyoga gostava muito dela, pois essa era a sua razão de viver; seus amigos, seu Mestre, sua deusa e seu verdadeiro amor. Não poderia deixar uma lembrança como essa para trás.
Todos perceberam o quanto Hyoga estava sendo sincero, ele realmente era um amigo de verdade. Mas, mesmo em um momento tão bom, tem que ter gracinha:
- É mesmo um Pato, voltou por causa de coisas tão bobas! Ninguém merece! Só podia ser o Hyoga! – Disse Seiya.
- Você quer que eu vá embora? – Perguntou Hyoga, debochado.
- Mudei de idéia! Não está mais aqui quem falou.
Todos riram, realmente estavam felizes pela volta de Hyoga. Mas havia ainda uma pessoa que não estava partilhando dessa alegria. E Hyoga queria muito que essa pessoa estivesse presente:
- Onde está o Ikki? – Perguntou Hyoga.
- Está no quarto, não saiu de lá desde que você “morreu”. – Brincou Shun.
- Por que não vai lá? Ele deve estar sentindo a sua falta. – Disse Saori.
- Quem? O Ikki? Só podem estar brincando! Ele deve ter feito a maior festa quando soube!
- Isso é o que você pensa. – Disse Seiya.
Todos começaram a sorrir maliciosamente. Hyoga não entendeu nada:
- Tudo bem, eu vou lá falar com ele.
- Finalmente! Cuidado, viu! – Disse Kanon.
- Hã... tá bem.
Hyoga subiu e foi para o quarto de Ikki. A porta estava fechada, porém não estava trancada. Hyoga bateu na porta e chamou por Ikki. Nenhuma resposta. Tentou de novo, nenhuma resposta. Hyoga começou a se preocupar, sem hesitar entrou no quarto. Estava tudo escuro, a cortina estava fechada e a luz apagada. O quarto estava muito quente, não só por estar abafado, mas também por causa do cosmos de Ikki. Seu cosmos estava descontrolado, era como se ele estivesse em uma batalha dentro de si. Hyoga estranhou esse comportamento, se aproximou mais um pouco, até ouvir a voz de Ikki:
- Vá embora, seja lá quem for! Não quero ver ninguém! Deixe-me em paz!
Sua voz estava embargada de culpa e tristeza. Ele estava tão abatido que nem se preocupou em saber quem estava no quarto. Ikki estava deitado, coberto dos pés à cabeça. Hyoga não sabia como Ikki conseguia ficar daquele jeito. Ele mal entrou no quarto e já tinha começado a sentir calor. Por fim, perdeu a paciência e abriu as cortinas e a janela:
- Vamos levantando daí! Que folga é essa! Dormir até esse horário, pode ir se levantando!
- Que saco, me deixa em paz. – Ikki nem se moveu.
- Não deixo! Posso saber por que está com esse péssimo humor? Isso é normal, mas hoje está diferente.
- Não é da sua conta! Vá embora!
- AH! Só pode ser brincadeira! Primeiro eu chego e todo mundo pensa que eu morri. E agora, você fica com esse mau humor e com o cosmos cheio de tristeza! Pode ir se levantando daí! Eu não estou brincando! – Hyoga tirou as cobertas de Ikki. AH! Pra que! Ikki estava só de cueca.
Hyoga corou violentamente, tinha que sair dali ou não ia agüentar. Ikki, por sua vez, finalmente, viu quem era. Primeiro ele sentou-se na cama e coçou os olhos para ver se não era uma ilusão. Depois ele balançou a cabeça, ainda não acreditava. Hyoga ficou ainda mais corado, Ikki começou a fitá-lo de uma forma muito intensa:
- Er... eu acho que lhe devo desculpas, não sabia que você estava... bem... de roupas íntimas. Vou me retirar. – Hyoga estava saindo, quando sentiu Ikki segurando sua mão. Teve que usar todo seu autocontrole para não cair quando Ikki o abraçou.
Ikki soltou Hyoga por um momento e segurou seu rosto. Ele já estava com lágrimas nos olhos, não conseguiu contê-las:
- Hyoga, vo... você... você está... você está vivo! Não é uma ilusão, você está mesmo vivo! Eu não posso acreditar! Mas... como... quando... por que?
- Calma, uma pergunta de cada vez.
- Esquece o que eu perguntei! Você não imagina o quanto eu estou feliz em vê-lo! Você quase me matou do coração! Eu ainda não consigo acreditar que você está aqui, na minha frente, no meu quarto!
Ikki pegou Hyoga no colo e começou a rodá-lo no ar. Ele não cabia em si de felicidade. A quanto tempo ele esperava por isso! Hyoga, no SEU quarto e em SEUS braços. Não tinha mais volta, agora era para valer. Ikki não agüentava mais segurar:
- Ikki, o que pensa que está fa... – Hyoga foi calado com um beijo. No começo ele tentou se afastar, mas depois cedeu e retribuiu.
Hyoga estava confuso e feliz ao mesmo tempo. Ikki estava beijando-o e Hyoga começou a acreditar que Ikki sentia algo mais forte por ele. Mas não poderia deixar-se levar apenas por um beijo. E se fosse só atração física? Tinha que descobrir! Param de se beijar por falta de ar, Hyoga juntou todo fôlego que tinha e perguntou:
- Ikki, o que pensa que está fazendo? Tá me achando com cara de idiota! Eu não vou ficar aqui para você se divertir as minha custas! – Hyoga se virou para sair, mas Ikki o segurou e voltou a abraçá-lo.
- Não vá embora! Não vou deixar! Você não imagina o quanto eu me senti culpado quando soube que você tinha morrido! Eu preciso de você!
- Não quero servir de diversão para, depois, você me jogar fora! Conheço sua fama, sei que você nunca teve um relacionamento sério! — A vontade de Hyoga era parar de conversar e acabar logo com aquele sofrimento, mas tinha que saber se Ikki sentia alguma coisa por ele!
- Hyoga, eu não vou fazer isso! Nunca mais vou te deixar! Você não vai fugir de mim nunca mais! Eu não sou muito bom com palavras, mas... mas eu... eu... eu...
- Fala Ikki!
Ikki juntou toda a coragem que tinha e disse:
- EU TE AMO!
Saiu mais alto do que queria, mas saiu. Hyoga ficou paralisado! Não acreditava no que estava ouvindo! Era tudo que mais queria em sua vida! Aquilo não era um sonho, era real! Se fosse um sonho ele não queria acordar. Finalmente, agora, ele poderia ser feliz, ao lado da pessoa que amava. Os dias de sofrimento haviam acabado.
Ikki ficou preocupado, Hyoga estava demorando muito para responder. Hyoga não dizia nada, só ficou parado na frente de Ikki, com os olhos arregalados. Mas não conteve as lágrimas, deixando Ikki ainda mais preocupado:
- Hyoga! Você está me ouvindo? Hyoga! HYOGA! – Ikki se desesperou sem necessidade, mas só se acalmou quando ouviu a voz de Hyoga.
- Era tudo que eu precisava ouvir! – Não agüentando mais, Hyoga abraçou Ikki, chorando sem parar. – Eu também te amo! Sempre te amei! Você me deixou tão feliz!
Ikki escutou tudo, sentiu seu coração se acalmar. Agora ele seria feliz! Chega de sofrimento, já bastava ter visto seu Patinho sofrendo! Queria esquecer todo o sofrimento e viver feliz! Abraçou Hyoga mais forte. Nunca mais o deixaria! Hyoga, mesmo feliz, estava intrigado com alguma coisa:
- Ikki, é verdade que todos já sabiam que nos amávamos? Nunca deixei isso evidente e nem você.
- Bom, você contou para o Kanon e depois o Kamus ficou sabendo. Shun descobriu sozinho e deve ter contado para os outros.
- Como o Shun ficou sabendo?
Ikki pegou o caderno e deu para Hyoga. Quando Hyoga viu o objeto, corou. Se Ikki estava com o caderno, provavelmente tinha lido:
- Você... você leu?
- Li, por que?
- Bem... é que... – Hyoga ficou ainda mais corado, se é que tinha jeito. Ikki começou a rir. – Qual é a graça?
- Você fica lindo envergonhado desse jeito. – Hyoga agora estava roxo. Ikki riu ainda mais. De repente Ikki parou de rir e ficou sério. – Hyoga, promete para mim que não vai tentar se matar nunca mais.
- Não tenho mais motivo para morrer, quero viver e ser feliz! Eu prometo!
Ikki ficou ainda mais feliz com isso, se é que tinha jeito. Finalmente, depois de tanta luta, eles poderiam ficar juntos. Ikki não queria perder tempo, beijou Hyoga apaixonadamente. Não queria se separar dele, nunca mais! A solidão tinha acabado... Para sempre!
Fim!
Notas finais
Ja ne ^^/
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