Sinto a escuridão voltar ao meu ser

Uma névoa negra cega minha mente

Minha visão aperta-se, desorientada

A agonia constante que faz meu coração bater mais rápido

Impedindo que eu consiga dormir

Noite após noite a solidão é minha amante

No escuro ninguém ouve nossas juras de ódio

O rancor devora meu coração e meu sangue enegrece

O calor abandona minhas veias

Minha vida se esvai

Meus olhos pesam, carregados pelas visões tormentosas

Mais uma vez tomo consciência de minha existência vazia

O significado necessário para continuar não está lá

Não há nada, apenas o vazio silencioso e frio

A dor da real condição humana estremece meus músculos

Sinto em minha carne o desespero, a súplica

Súplica por algo melhor, mesmo que uma mentira

Afinal a verdade apodrece enquanto a mentira perdura

Vejo com minha turva visão um mundo em decadência

Uma humanidade com seu destino selado há muito tempo

Autodestruição

É tarde demais, sempre foi

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