Sole

1 Capítulo Único.


Leo Fitz e Jemma Simmons estava nos últimos retoques do aperfeiçoamento do soro da verdade.

— Plutonio em versão líquida? — perguntou Fitz, estendendo a mão para Simmons.

— Plutonio em versão líquida — disse Simmons, o entregando a Fitz.

— Obrigado — ele disse, o adicionando a mistura que tinha na sua frente — Acha que Consul usará isso contra quem agora?

— Não sei, depois do que ouve com o Ward é difícil saber em quem confiar — admitiu Simmons, ajeitando os óculos de proteção.

— Ele não aplicará em nos, não é? — perguntou Fitz.

Simmons deu de ombros e Fitz esqueceu aquela hipótese.

Aquele soro que estavam fazendo era o Protótipo 13, os outros 12 não deram certo. Os outros sempre tinham efeitos colaterais (queda de cabelo e perda de memória) e nunca funcionavam. Haviam semanas que estavam aperfeiçoando esse soro.

— Protótipo número 13.7 está quase pronto — concluiu Fitz — Preciso de só mais uma coisa... Pode pegar o Bicarbonato de soja?

— Bicarbonato de soja? — perguntou Simmons, estranhado.

— Vamos ver o que vai dar — disse Fitz, se voltando a fórmula.

Simmons obedeceu e pegou o bicarbonato de soja na estante do laboratório do Bus. Era um bom laboratório, deveria admitir, a S.H.I.E.L.D. tinha feito um bom trabalho.

Simmons entregou o bicarbonato ao companheiro de trabalho enquanto o mesmo o aplicava a fórmula do soro. Ele acrescentou uma gota de um líquido esbranquiçado na fórmula e a colocou dentro de uma seringa.

— Protótipo número 13.7 está pronto — disse Fitz — Em quem testaremos?

— Ainda estou com coceira no calcanhar por causa do protótipo número 13.6 — disse Simmons — Sua vez.

Fitz resmungou qualquer coisa sobre "tudo pela ciência" e amarrou um elástico grosso e amarelado no braço, arregaçando as mangas da blusa xadrez e esticando o braço em cima da mesa.

— Pode puxar a ponta? — perguntou Fitz, se referindo ao elástico — So para apertar mais o braço e as veias ficarem certas.

— Claro — disse Simmons, puxando com força o elástico.

Fitz resmungou um "ai" e enfiou a agulha na parte oposta do cotovelo, bem dentro da veia.

Ele gemeu de dor e empurrou o protótipo número 13.7 dentro da veia do braço. O mesmo tirou a seringa e colocou a manga da blusa ao normal enquanto Simmons tirava o elástico do braço dele.

— Ótimo, o efeito pode demorar alguns segundos — disse Simmons — E, provavelmente, terá um efeito colateral.

— Olhos que saltam do rosto, lá vamos nos — resmungou Fitz — De novo.

E se estendeu um minuto longo de silêncio. Ela não sabia quando ele estaria pronto e com o protótipo 13 ativado na veia. O momento era de esperar.

— Então... — perguntou Simmons, após alguma minutos — O que acha do Bus?

— É legal, mas acho que balança demais — disse Fitz — Acho que até a Skye deve ser melhor motorista que a May.

Fitz colocou a não na boca na mesma hora, como se tivesse falado algo errado. Simmons sorrio impressionada. Estava funcionando, e o efeito colateral era dizer a verdade mesmo sem perguntarem.

— Ótimo! É um ótimo avanço! — disse Simmons, se virando para trás para anotar qualquer coisa e fazendo seu rabo-de-cavalo balançar.

— Prefiro solto — ele disse.

Simmons se virou a Fitz, as sobrancelhas arqueadas.

— Como?

— Seu cabelo, prefiro ele solto — ele disse — Claro que preso lhe da um ar mais maduro mas, ainda sim, você fica mais bonita de cabelo solto.

Simmons corou e Fitz começou, instantaneamente, a gaguejar.

— D-Desculpa Jemma eu... Eu queria falar isso... — ele bateu a não na testa — Não! Eu queria falar isso! Sempre quis! — ele bateu a mão de novo e, então, escreveu em um papel qualquer a frase "Eu não queria falar aquilo!" E mostrou para Simmons.

A mesma riu.

— Tudo bem, eu fico melhor de cabelo solto mesmo — ela disse, e voltou a escrever na prancheta.

— Você fica linda de qualquer jeito.

Jemma levantou o rosto para encarar Fitz. O olhar e a expressão dele eram de pânico e pavor mas, ainda sim, ele continuava dizer:

— Sempre foi linda, todos achavam isso, até os garotos que pegavam no meu pé — ele disse, gaguejando — Por isso eles pegavam no meu pé: porque eu era um nerd e porque eu andava com a garota mais linda da escola toda.

Simmons guardou a prancheta na mesa e encarou Fitz.

— Isso é verdade? — ela perguntou.

— Você sempre foi linda, talvez por isso eu tenha ficado tão feliz quando a novata bonita se interessou pelos meus desenhos de máquinas — ele disse — Eu não tinha amigos e você podia ter sido popular, famosa, perfeita. Mas, ainda sim, você almoçava comigo no recreio. Você conversava comigo sobre ciência e física. Você fazia dupla comigo em todos os trabalhos.

Simmons encarou Fitz e se aproximou dele. Ela não tinha ideia do que Fitz pensava sobre aquela época. Foi ruim para ambos: os valentões em cima de Fitz e as populares em cima de Simmons.

— Oh, Leo — disse Simmons, aflita — Eu nuca me enquadraria naquele grupo. E, acredite, se eu soubesse que eu iria ser tão perturbada na escola só por ser sua amiga eu nunca teria mudado isso para virar uma popular.

— Eu me apaixonaria por você mesmo se você fosse popular — ele disse, beliscando o braço com força — E, você sendo desse jeito, só me fez me apaixonar... Mais! — ele gritou a última parte por causa da dor do beliscão que ele deu em si mesmo.

Simmons ficou parada, estática. Então as brincadeiras, as besteiras, as idiotices que falavam sobre o "casal Fitz-Simmons" eram... Eram verdade?

— Um amor de adolescente — sussurrou Simmons, com um meio sorriso, levando na brincadeira — Eu também me apaixonei por você naquela época. Mas a nossa amizade era mais importante. Por isso seguimos em frente.

— Acha que eu segui em frente? — perguntou Fitz. O olhar de preocupação e medo foram substituídos por um olhar de alívio, como se estivesse desentalando algo muito antigo — Eu sempre te amei! Escola, faculdade, PHS, graduação, agora... Sempre — ele admitiu, a encarando com olhar de suplico.

— F-Fitz... V-Você n-não acha que e-está co-confundindo as co-coisas? — ela perguntou, gaguejando e, com certeza, ficando vermelha.

Ele se aproximou dela e, cuidadosamente, desfez o rabo-de-cavalo que ela usava. Os cabelos marrons caíram pelos ombros e rosto de Jemma Simmons. Ele colocou as mãos na bochecha dela e agradeceu por ninguém além dele ter a honra de ver aquela bela imagem.

— Não — ele sussurrou — Eu nunca confundi.

Então ele a beijou.

Os lábios da cientista eram doces, como ele imaginou. Ele colocou, timidamente, as mãos na cintura dela e ela, na mesma timidez, colocou as mãos nos cabelos castanho-claro do cientista. Era como ele imaginou e, sem ela perceber, também era como ela imaginou.

Ele se separou dela por falta de ar e a cientista se afastou dele devagar, quase sem acreditar. Jemma Simmons abriu e fechou a boca e, de ultima hora, desistiu de falar e saio aos tropeços do laboratório.

Fitz sorrio ao passar os dedos pelos lábios dele e continuou ao fazer algumas anotações na prancheta.

Imagina quando ela descobrir a verdade?, pensou Leopold Fitz, ainda sorrindo, Imagina quando ela descobrir que o protótipo número 13.7 também não funcionou?

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!