Notas iniciais
Espero que gostem! ;)

Capítulo 3 — Trevas Born

** FLASH BACK ON **
(Despotado Épiro. Tessália, Grécia).
Dia 16 de Dezembro de 1297, um dia antes de meu 31º aniversário. Estavam atacando nosso vilarejo como haviam prometido. Diziam que os bárbaros já haviam desaparecido fazia muitos séculos, mas eu discordo quando vejo o que esses brutamontes fazem por conta de briguinhas sobre coisas bestiais. É simplesmente ridículo. Meu pai, Tomás I Comnenos Ducas, tinha acabado de tomar posse do trono do governante de Épiro anterior, meu avô Nicefóro I Comnenos Ducas, que faleceu por conta de uma grave doença. O fundador do Despotado Épiro foi um ancestral de minha família Miguel Comnenos Ducas, o que faz de nós uma família popular, amada e odiada por muitos. E uma das pessoas que realmente se aborreceu com certas atitudes de meu pai foi o Czar da Bulgária, por esta razão estão nos atacando.


Podia ouvir as pessoas gritando. Fui para a sacada do meu quarto, de lá avistei os moradores correndo de um lado pro outro, em completo desespero. Casas pegavam fogo, por conta das bolas de fogo que caiam das catapultas dos inimigos. Eles estavam se aproximando cada vez mais rápido. Nossa guarda e nossos soldados foram acionados. Um grande grupo de arqueiros se agrupava nos telhados e sacadas das construções mais altas, ficando em posições estratégicas. No alto de duas das torres principais do palácio guardas posicionavam catapultas e outras engenhocas letais para abater os inimigos.

Ouvi passos rápidos subindo a escada de meu aposento. Peguei minha espada que meu avô havia me dado quando era apenas uma garotinha, ele queria que eu fosse uma guerreira e eu também adorava essa ideia, ele dizia que eu tinha nascido pra isso e que tinha muito potencial e habilidade. Mas quem não gostava nada disso eram meus pais, e creio que todos os moradores de minha cidade. Isso não era muito bem visto na sociedade, mas como meu avô adorava a ideia das mulheres espartanas serem guerreiras ele me queria como uma. Eu e ele éramos muito ligados, até o dia de hoje não me sinto 100% bem. Ainda prego luto por ele. O amava muito, talvez, mais do que meu próprio pai. Ele se foi, mas ainda permanece em minha mente e em meu coração.


_ Acácia! Você está aí?! Acácia Nyx Comnenos Ducas! — minha mãe chamava por mim aflita.
_ Estou aqui, mãe!
_Você está bem, minha filha?! — entrou no quarto, apavorada — Está machucada?! tocou em meu rosto como se procurasse por algum arranhão.
_Estou bem, estou bem! Acalme-se.
_O que pensa que vai fazer com essa espada? — ela olhou assustada para a espada em minha mão.
_O que você acha, minha mãe? Vou lutar e defender minha cidade! — disse colocando minha armadura.
_O que?! Está ficando louca, minha filha?!
_Estou completamente sã, minha mãe.
_Pois não é o que parece! Você não vai lutar de jeito nenhum!
_Vou! — estufei o peito.
_Isso é o trabalho de nossos soldados, você tem que se proteger com o resto da família.
_Mas e quanto a Aidoneus, meu irmão?
_Ele é o general, o dever dele é lutar. O seu não.
_Tudo bem mãe, mas eu vou ficar preparada, caso precisem de mim... — embainhei minha espada. Acho que estava mentindo para mim mesma, sabia que não iria conseguir ficar parada e chorando de desespero junto com os outros. Não queria mentir ou enganar minha mãe, mas tinha de fazer algo pra ajudar. E foi isso que eu fiz. Fui com minha mãe pro lugar mais seguro da cidade onde quase toda a minha família estava, mas depois quando todos estavam distraídos dei um jeito e sumi dali. Prendi meu cabelo em um coque e coloquei meu elmo. Corri pra porta principal do palácio. Lá, haviam soldados posicionados atrás da porta, esperando pelo ataque. Me juntei a eles. Ninguém notou minha presença, era mais um entre muitos homens. Demorou algum tempo para a porta começar a ceder e fazer barulho. Meu coração já estava a mil, quase pulando pela boca. A adrenalina pulsava em minhas veias. A glória poderia vir a mim ou minha vida poderia acabar ali mesmo. Mas essa angústia era o que me fazia ter mais vontade de lutar por meu povo. Os soldados que estavam na linha de frente recuaram prontos para receber o ataque e responder. Era quase meia noite, iria entrar em combate no meu aniversário. Meu presente perfeito seria triunfar nesta batalha, mas sob uma ótica mais realista, não se pode ter tudo o que deseja. No entanto, estou confiante. Sinto que alguma coisa importante irá acontecer hoje, algo que mudará pra sempre minha vida. A porta cedeu, fazendo com que vários homens entrassem no recinto. Homens furiosos e com ganas de matar o máximo possível de nossa gente, ou até mesmo de dizimar-nos. Em cerca de segundos chegaram a minha linha. Preparei-me e golpeei alguns que vinham em minha direção. Alguns eliminei rapidamente com investidas certeiras na cabeça, outros não tiveram a mesma sorte. Travei luta com um gigante barbudo e de aparência suja que parecia não tomar banho por cerca de um mês inteiro, deveria ter uns 2m de altura, ou se não mais, tão alto quanto meu noivo Prometeus, que por sinal deveria estar comandando os arqueiros. Espero que ele esteja bem. O grandão nojento realmente estava me dando trabalho, quando eu finalmente lhe acerto um golpe na coxa, bem onde ficava sua artéria femoral sou surpreendida por um golpe na cabeça que me deixa sem sentido. Ouço um grito abafado:


_Cuidado, soldado! Atrás de você! — um dos soldados gritou, não consegui identificar quem era, minha visão estava turva e embaçada, minha audição nem um pouco boa e meus movimentos comprometidos. Senti uma lâmina penetrar em minha barriga, rasgando minha pele, a dor talvez fora sutilmente diminuída por conta da batida na cabeça que eu levara. Olhei para meu oponente, mas não vi seu rosto, não era mais o grandalhão, disso eu tinha certeza. Não consegui ao menos gritar de dor. Apenas desabei no chão molhado de sangue de todos aqueles homens e de armas e escudos jogados ao redor. Minha visão escureceu vagarosamente. Meus membros adormeceram. Senti minha força se esvaindo a cada respiração. Apaguei. Minha vida havia sido ceifada naquele momento?! Assim de forma tão esdrúxula? Por um descuido idiota meu? Queria eu que não.


Acordei com uma baita dor de cabeça. Abri meus olhos devagar, até o ato de abrir os olhos doía. Minha barriga doía bastante por conta do profundo ferimento que levara. Não conseguia me mexer muito, o máximo que fazia era movimentar a cabeça, os braços e os olhos. Avistei minha mãe, sentada ao meu lado da cama na poltrona.
_Filha?! Você acordou?! Graças aos Deuses! — ela falou quase que em berros. O que fez minha cabeça doer mais.
_Dá pra fechar essa cortina?! — apertei os olhos, colocando as mãos na frente do rosto. A claridade penetrava em meus olhos como uma lâmina.
_Doutor Irvryn, pode fechar as cortinas. Por gentileza?! — assim ele o fez — Grata! — nem havia reparado na presença do doutor. Quando o ambiente ficou mais escuro pude me sentir melhor e consequentemente enxergar melhor também.
_Como você está se sentindo, Acácia?! — o médico perguntou se aproximando de mim.
_Não muito bem, pra ser sincera... — quando ele estava bem perto que pude notar o quão ele era bonito, muito bonito e novo para um médico. Olhos verdes, cabelo loiro escuro e um rosto lindo. Deveria ter seus 30 anos.
_Hum... — ele botou a mão em minha testa — Ela está queimando em febre.
_Ela vai ficar bem doutor? — minha mãe perguntou preocupada.
_Estou fazendo o possível para que ela fique boa.
_E quem é você?! Onde está o velho Dr. Irvryn?
_Ele é o filho dele, minha filha. Dr. Irvryn pai está muito doente, então ele veio nos ajudar segurou minha mão.
_Mas ele não é muito novo? — se é muito novo não sei, mas que é formoso é. Não sabia que doutor Irvryn tinha um filho, ainda mais tão belo quanto.
_Tenho 33 anos, senhorita. E se você não quiser mais meus serviços, compreenderei. Mas se deixar você nesse estado sem tentar nada, bom...
_Já entendi, doutor! Eu vou morrer, eu sei...
_Não diga uma coisa dessas, filha!
_Então faça seu trabalho... fiz uma pausa e pensei — Falando nisso, o que aconteceu? — perguntei.
_Prometeus a achou caída no chão da porta principal do palácio e a trouxe até nós — minha mãe relatou.
_Prome... Prometeus — minha voz falhou — Onde...
_Ele está bem filha, está ferido, mas ainda assim, vivo.
_Mas o... O que... — a voz saia cada vez mais fraca de minha garganta.
_Acalme-se senhorita Acácia, está muito fraca. Tem de repousar. E quanto a seu noivo, eu mesmo cuidei dele. Ele está se recuperando muito bem, logo estará sarado balancei a cabeça em sinal positivo Descanse. Ficarei de plantão aqui, caso precisem de algo. Com licença ele se afastou.


Olhei para o teto por alguns segundos até as pálpebras pesarem. Caí no sono. Quando acordei já estava escuro. Olhei ao redor, não havia ninguém na poltrona ao lado, acho estavam descansando em seus aposentos, afinal todos estavam esgotados por causa da batalha. Doutor Irvryn estava mais a frente sentado em uma cadeira, apoiando-se com o braço na mesa e com os olhos fechados. De repente senti uma forte dor percorrer meu corpo, comecei a me contorcer e gemer de dor. Dr. Irvryn pulou num susto e foi correndo em minha direção. Meus ossos pareciam estar se corroendo em ácido, minha pele queimava como fogo do inferno, meus olhos ardiam. Eram as mais diversas sensações misturadas em uma só, nunca havia sentido dor pior e acredito que nunca mais sentiria. A dor era tanta que mal conseguia respirar nem gritar. Parecia que havia sido mergulhada no Rio Estige. Mexia-me freneticamente por conta da dor. Lágrimas de agonia brotavam de meus olhos e percorriam meu rosto. Dr. Irvryn me segurava o quanto podia, a expressão em seu rosto era de desespero. Senti meu corpo dormente. Minha respiração faltou, meu coração parou de bater, meu sangue de bombear. Apaguei. Após alguns segundos abri os olhos instantaneamente e sentei na cama de forma rápida, mas com uma leveza anormal. O doutor estava de costas pra mim. Ele se virou devagar e me olhou apavorado. Coloquei a mão em minha barriga e arranquei o pano encharcado de sangue, o ferimento não estava mais lá, a dor também tinha ido embora. Minha visão estava diferente, tudo em mim estava diferente, meu olfato, minha audição, meu paladar. Todos meus sentidos aumentados de uma forma sobrenatural.
_Pelo Olimpo! — ele exclamou. O olhei de forma estranha, inclinei a cabeça e sorri maquiavelicamente. Senti algo estranho em meus dentes — Pelos Deuses... — engoliu a seco — NOSFERATU!
** FLASH BACK OFF **
Trevas acordou sobressaltada, sentando rapidamente na cama, ela estava suando frio. Pôs as mãos na cabeça e colocou o cabelo molhado de suor pra trás, dando um longo suspiro.
_Mas será possível?! Toda vez que tenho que dormir de noite tenho esses pesadelos desses fantasmas do passado que insistem em me perseguir! — bradou indignada. Ela se levantou e foi caminhando em direção à sacada de seu quarto. O sol ainda estava nascendo — Já faz tanto tempo... E parece que foi ontem... — falava ao vento com o olhar perdido. Seu estômago roncou Que fome! passou a mão na barriga e foi em direção à cozinha. Em uma prateleira de copos de cristal acionou uma engrenagem secreta que fez abrir um pequeno compartimento refrigerado oculto. Lá haviam bolsas de sangue, de todos os tipos, tubos de ensaio com sangue também e algumas seringas embaladas Hum... botou a mão no queixo — A+, B+, O-, AB-, O+... Ah, vou de O- hoje! — pegou uma bolsa e bebeu rapidamente, o que fez escorrer sangue por seu queixo e sujar a camisola branca de renda que usava — Droga, de novo?! Será que vou ter que usar babador? — resmungou — Isso que dá ir com muita sede ao pote... — sorriu e fechou o compartimento secreto, descartando a bolsa de sangue vazia — Um banho agora não cairia nada mal dito isso ela foi se banhar. Vestiu-se e se equipou com suas armas e apetrechos — Mais um trabalhinho a realizar hoje... Dessa vez vou fazer de forma discreta e silenciosa, assim como me foi solicitado. O que realmente não me agrada é a ideia de ser de manhã, mas enfim... Vou logo enquanto o sol não está muito feroz. Afinal, tenho de cumprir com o que me foi passado, se quiser minha alma de volta.

Notas finais
REVIEWS PLEASE! :D