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Capítulo 5 — O Grupo Se Separa

Kyra estava do lado de fora da unidade, em uma área quase vazia, de onde se podia ver as estrelas. Ela estava seria olhando para os homens que trabalhavam na área baixa, cuidando dos ajustes das maquinas que mantinham as naves acopladas na unidade. Jeremy a encontra depois de procurar por algum tempo. Ele se aproxima pelas suas costas cuidando para não bater com a cabeça em nenhum dos ferros que cruzavam a estrutura. Era um lugar escuro, com iluminação que vinha apenas da área abaixo.

Ela estava debruçada sobre as barras de ferro olhando pra baixo.

_Kyra. –ele a chama-

Ela vira o rosto, não completamente para vê-lo. Mas não responde.

Ele da mais alguns passos indo ate ela, fitando-a.

Debruça-se sobre a mesma barra de ferro que ela e continua:

_É minha nave Kyra. Não posso simplesmente deixá-la pra trás...

_Se veio tentar me convencer que vou ficar melhor sem você, ta perdendo seu tempo. –ela responde seria, e em tom firme- Já ouvi esse discurso antes... E da primeira vez não me convenceu, não vai ser agora que vai.

_Não to abandonando você Kyra... Mas alguém precisa ficar... Você vai se virar bem sem mim.

_Não gasta sua saliva Jeremy. –ela retruca irritada- Já tomou sua decisão, não precisa do meu consentimento. –ela se afasta das barras, e passa pelas costas de Jeremy pra sair dali-

_Pára com isso Kyra. –ele a segura pelo braço- Eu não sou seu irmão. –ele diz serio – Não vou desaparecer. Quando vocês voltarem, eu vou estar aqui.

_Se você não for comigo Jeremy. –ela fita-o nos olhos- Eu não vou voltar. Eu tenho boas razoes pra acreditar que meu irmão esteja na terra. Mas se eu não o encontrar, vou continuar procurando, com ou sem sua ajuda...

_Esse não é o único motivo pra irmos pra lá Kyra.

_O outro motivo é problema seu Jeremy. –ela continua firme- Eu não tenho interesse algum na garota a quem vocês buscam.

_Essa é a questão Kyra. –ele diz em tom firme e ainda mais serio – Somos um grupo. Não estamos atrás dos seus interesses, e sim dos interesses do grupo. É assim que funciona. Nós trabalhamos juntos.

_Não Jeremy. Somos eu, você e o SEU grupo. Não meu. Você é o único em quem confio. E se eu não posso contar com você. Prefiro seguir sozinha... –ela se solta das mãos de Jeremy e se vira-

_Os outros precisam de você Kyra...

Ela pára no meio do caminho, então se vira e volta a discutir com Jeremy.

_John disse que ficaria. –ela se indigna- Kelly volta pra casa, vê sua família. Danna e Alex a mesma coisa. Você segue comigo, nós dois encontramos a garota e pegamos a recompensa. Depois encontramos Riddick. Por que você não segue com o plano? Por que você tem que ficar pra trás?

_Tem gente atrás da Oberón. Não posso deixar ela pra trás correndo o risco de perdê-la de vez. É a minha nave Kyra... Minha responsabilidade. Não posso deixar ela em mãos de terceiros.

_Então faça como o Riddick. Fique com a sua nave. Eu to fora...

Agora Kyra se vira decidida a voltar para o alojamento deixando Jeremy pra trás. Ela segue para dentro da unidade. Jeremy permanece ali, sem saber o que fazer. Por um lado, ele tinha razão, não poderia deixar Oberón pra trás. Mas por outro, ele tambem não queria que Kyra se afastasse. Ele se sentia responsável por ela de alguma maneira. Queria estar com ela, como ele mesmo prometeu que estaria.

[...]

Kyra se separa dos outros...

Ela consegue uma carona em uma espécie de ônibus espacial, que era o único jeito de chegar aos limites da terra, com autorização do governo. Ela estava em comum acordo com o piloto.

Assim os dias se passam, no caminho da longa viajem ate a terra. Kyra assim como os outros passageiros foram mantidos em capsulas de sono. Local que os mantinha em estado de sono profundo, ate que chegasse o final da viagem. Dias antes da chegada a terra, alguns passageiros começavam a despertar, quando as capsulas iam perdendo seu efeito sonífero. Mas estes permaneciam em suas capsulas ate que fossem liberadas.

Kyra desperta um dia antes da chegada a terra. Mas permanece em sua capsula, onde lembranças de seu passado surgem a sua mente como flashbacks...

Já na data prevista, o ônibus espacial chega a base localizada no deserto dos Estados Unidos da America. Sob a supervisão dos generais e do próprio vice- presidente. Kyra passa por uma porção de recomendações para sua estada no planeta. Era a primeira vez que ela visitava tal lugar. Kyra não conhecia a terra. Jamais conhecera nada sobre, a não ser as historias que ouvia do pai quando era menina. Tudo era muito diferente do que ela imaginava. Era normal a primeira vista, porém o restante do planeta é que a surpreenderia.

Um ônibus leva Kyra e os outros passageiros para fora da base.

Todos são levados ate uma base militar, onde passariam por exames que verificariam se estavam limpos, de qualquer doença que pudesse ser contagiosa, trazida de seus supostos planetas.

Depois de quase dois dias recebendo todas as especificações, e fazendo todos os exames exigidos. Kyra e os outros são finalmente liberados. Levados até um hotel em Nova York. A partir dali, Kyra estava por conta própria.

[...]

Jeremy estava no interior de Oberón sentado na frente dos controles da cabine. Logo após a partida de seus amigos com destino a terra, assim como Kyra havia ido antes. Ele soube dias depois da partida de Kyra, que havia outros caçadores de recompensa interessados na mesma garota que seu grupo.

Ele se recosta sobre a cadeira e sem querer começa a relembrar o momento em que conheceu Kyra.

**FLASHBACK ON (JEREMY)**

Jeremy dirigia seu carro, um pick-up de guerra pelas ruas de Arcádia.

Ouvindo musica em seus fones de ouvido, como de costume e fumando seu cigarro.

Ele passara por entre alguns prédios velhos abandonados.

Quando de repente algo cai sobre o teto do pick-up, fazendo um barulho alto. Chamando sua atenção. Rasgando o couro que cobria –o. Jeremy olha assustado pra traz, mas não vê muita coisa. Ele quase perde o controle da direção, mas logo se endireita na direção reta. Ela muda as marchas para parar e ver o que o atingira, mas ouve alguém, uma voz de mulher que vinha do banco de trás.

_Por favor, continue dirigindo...

Ele deixa o cigarro cair da boca em seu colo. O retira para não se queimar, e olha pelo retrovisor e vê apenas os olhos da garota de cabelos cor de laranja, meio sujos, com o rosto machucado. Ela parecia assustada. Então ele pergunta:

_Você ta bem moça? Ta machucada? –ele mantém os olhos azuis fixos no espelho-

_Não... –ela diz em voz baixa, quase sussurrante- Por favor, não pare o carro...

_De onde foi que você surgiu? – ele vê ela olhando pelo rasgo no teto-

_Eu cai...

_Caiu? De onde?

_Era o único jeito de escapar deles...

_Deles? Quem? Você ta encrencada? Por isso decidiu cai em cima do meu carro?

_Por favor, me ajuda a sair daqui. Eu faço o que você quiser, mas me ajuda... –ela praticamente estava implorando-

_Tudo bem, mas me diz que não ta fugindo da policia... Não quero encrenca pro meu lado...

Ela permanecia em silencio, apenas olhando pelo rasgo no teto do carro como se esperasse que alguma coisa acontecesse. Ela estava assustada e provavelmente ferida, por que seus lábios estavam cortados, e ele não podia ver o resto do corpo dela, mas ela estava com cara de quem sentia dores.

Logo Jeremy avista um grupo de carros escuros o seguindo. Ele pergunta:

_Amigos seus? –ele franze a testa-

_Não deixa eles pararem agente, por favor... –ela se encolhe no banco de trás-

Jeremy pensa um tanto quanto desconfiado. Mas acaba decidindo ajudar a moça desconhecida.

Ele pisa no acelerador e matem os olhos fixos no retrovisor, para calcular a distância certa, para despistar os carros que o seguiam. Ele corre o mais rápido que pode, vendo o desespero nos olhos da garota. Depois de alguns km/s rodados eles entram em um vilarejo, onde Jeremy para o carro, depois desce se dirigindo ate a garota, e retirando do carro às pressas para que eles se escondam em um dos prédios vazios. A moça estava bem machucada, e mal podia caminhar. Jeremy passa o braço ao redor de sua cintura, e joga o braço dela em por cima do pescoço dele para dar-lhe apoio. Eles correm ate um pedaço, mas ela não consegue seguir com uma perna machucada. Então ele a carrega no colo ate estarem no interior de um prédio velho, praticamente coberto por areia. Jeremy vê um bando de garotos brincando no interior, e em seguida ouve as vozes dos sujeitos na rua. Os garotos saem do prédio, mas antes Jeremy faz sinal para um deles, para que não entregasse sua localização.

Os meninos chegam à rua e encontram os homens que imediatamente perguntam:

_Hey garoto... Viu uma garota de cabelo laranja, com um soldado? –pergunta sério e autoritário-

O garoto não responde com palavras, apenas balança a cabeça negativamente. O homem olha para os outros meninos, que fazem o mesmo. Então ele se afasta fazendo sinal para os colegas procurarem em outro lugar.

Dentro do prédio Jeremy estava com a garota encolhida em seus braços, assustada. Eles estavam escorados contra uma parede, de onde Jeremy podia ver por uma pequena fissura, o lado de fora. Ele vê os homens se afastarem então olha pra garota, e diz:

_Eles estão indo embora...

Depois olha novamente para a rua. A garota estava muito fraca, pelos ferimentos que estavam por toda sua perna, e corpo. Isso a fez desmaiar nos braços de Jeremy. Ele se vira notando que ela ficava mais pesada, e vê ela desacordada em seus braços.

Ele a pega novamente no colo, e se dirige em direção a rua tomando cuidado. Encontra um dos meninos, e pergunta:

_Sabe onde posso achar uma enfermeira, ou algo do tipo?

O garoto gesticula. O que mostra a Jeremy que o menino era mudo. Ele faz sinais pedindo que Jeremy o siga pela rua ate uma casa no fundo de um corredor estreito. O menino abre a porta e pede que Jeremy entre. Ele coloca a moça deitada em um sofá pequeno, enquanto o menino se retira para chamar alguém. Logo ele volta acompanhado por uma mulher que devia ser sua mãe. Ela caminha ate Jeremy que vai logo se explicando:

_Desculpa invadir sua casa assim, mas a garota precisa de cuidados...

_Ah sim... –diz a mulher logo indo ate a moça- Ela parece muito machucada, veio ao lugar certo.

Ela faz sinal para que o menino busque coisas para os cuidados dos ferimentos da garota. Enquanto conversa com Jeremy perguntando sobre como ela se machucou daquele jeito:

_Eu não tenho idéia... –ele explica olhando para a garota- Ela simplesmente caiu em cima do meu carro.

_Devia estar fugindo de alguém... –ela analisa os cortes no corpo da garota- Parece ter entrado em uma boa briga. Vou buscar uma bacia com água, e panos limpos. Vamos limpar esses cortes... você fica com ela...

Ela sai da sala, deixando Jeremy com a moça desconhecida. Depois volta e cuida dos ferimentos da moça. Já quase terminado, ela olha pra Jeremy e diz:

_Ela estava sendo perseguida. É uma fugitiva... E ta na cara que não é de Arcádia.

_Como sabe disso?

_A tatuagem no punho dela... –ela estica o braço da moça ainda desacordada mostrando uma tatuagem estranha no pulso- Não dava pra ver antes, por conta de todo o sangue misturado com areia.

_Como sabe que é uma tatuagem de prisão? –ele olha atento-

_Meu marido tinha uma igual. Ele escapou da prisão de UV6... Mas ele cometeu o erro de vir ver a família. Foi o primeiro lugar onde o procuraram. Isso nos custou à vida dele, e de um de nossos filhos... –ela diz com expressão amarga-

_Sinto muito.

_Tudo bem... –ela se levanta e avisa- Vamos esperar ela acordar, ela vai precisar de um banho. Vou arrumar roupas limpas, e inteiras. As dela estão todas rasgadas e sujas. Enquanto isso, vou preparar algo pra comermos...

_Agradeço...

[...]

Horas mais tarde, Jeremy estava sentado ao lado da garota observando-a. Ela ainda dormia. Ele passa os dedos sobre o cabelo de cor bem diferente dela. Ela abre os olhos, e vê aquele homem a tocando, e da um tapa afastando a mão dele. Depois se senta no sofá bem depressa franzindo a testa e diz:

_O que ta fazendo?

_Hey calma! –ele arregala os olhos erguendo as mãos para o alto- Amigo...

_Quem é você?

_Você caiu em cima do meu carro lembra?

Ela olha ao redor, então se levanta. Sente sua perna repuxar e se inclina ringindo os dentes. Jeremy levanta-se para ajudar, mas ela o afasta.

_Não toca em mim, não conheço você... – ela diz seria-

_Ta bem... –ele dá três passos pra trás- só tava querendo ajudar.

Ela olha mais uma vez ao redor e começa a lembrar o que aconteceu. Ela estava fugindo de um grupo de caras, armados que a caçavam. Estava no topo de um prédio velho, quando viu um carro se aproximando na rua de baixo. Era uma péssima idéia, mas era o único jeito dela escapar dos caras que lhe apontavam armas. Então ela se atirou do topo do prédio em direção ao carro.

Ela olha para Jeremy e diz:

_Você me tirou de lá não é?

_É, mas to começando a me arrepender... –ele responde com as sobrancelhas erguidas-

_Sinto muito, eu não reconheci você... Obrigado.

**FLASHBACK OFF**