Solare e Luana
15 Sra. Sheerslonsky / Alisson Albani?
Notas iniciais
Confesso que desde o dia do roubo do cajado, não consigo pensar em nada mais do que na luta que teremos contra aqueles seres malignos. Vai ser legal? Não. Vai ser fácil? Nunca. Concordo que estou andando muito em meus devaneios, quase esbarrei hoje na Sophia sem querer, quando eu ia Solare íamos treinar. Falando em treinamento... Como isso é chato. Sei que, como qualquer pessoa normal eu odeio estudar, mas não acho correto que eles nos deixem só treinando e nem ao menos aprendemos coisas básicas do primeiro ano do ensino médio. Eu até agora não sei se a Solare está estudando por conta própria. Ela pode até ser uma cê dê éfe assumida, mas não é pra tanto.
Eu estava treinando o meu controle sobre a minha manipulação de água. E, olha, vou falar logo: foi um desastre. Eu acho que a Solare só consegue dominar o fogo tão bem porque aquela droga não está em estado líquido, porque se estivesse – e se tivesse como fogo ficar em estado líquido – ela veria o quão difícil que é.
Enfim, depois do nosso treinamento, fomos até a cozinha. Eu fui de escada junto com a Solare, porque da última vez que eu entrei naquele elevador ele parou bem no meio do caminho e tive que esperar umas horas para ele voltar a funcionar. Mas eu sei que, de qualquer forma terei que entrar de novo.
Dentro da cozinha tinha tipo uma “mini-lanchonete” com um robô que nos atendia. Lá há algumas opções do que comer, caso você não saiba cozinhar ou esteja com preguiça. Mas o cardápio não é lá muito variado. Falei para o robô que queria um pão-palito e um refrigerante, e ele rapidamente pegou e me deu.
Sentei-me na grande mesa que se encontrava no centro, dividindo a cozinha da mini-lanchonete. Solare pegou o que queria e sentou-se na cadeira que ficava na minha frente. Ela havia pegado o que ela mais gostava: um pão de mel tamanho gigante – tá, não sei de onde tirei isso – e um refrigerante. Ficamos conversando coisas bobas que eu nem preciso citar. “Por favor, todas as pessoas que estão pela primeira vez na torre, compareçam ao auditório!” ouvimos, e decidimos ir logo para ver o que a diretora queria dizer. Entramos no elevador e a Solare apertou para irmos ao décimo terceiro andar. Quando chegamos lá, vimos algumas pessoas e uns três ou dois soldados ali.
Sentamos na frente, pois ainda havia cadeiras vazias. Esperamos alguns minutos e logo a diretora apareceu, com um enorme sorriso no rosto.
— Creio que ainda não me apresentei decentemente a certas pessoas... – Falou, olhando para a Solare e depois para mim. – Me chamo Filipa Yanarika Sheerslonsky. Sou filha de teorinies com duzilianos. Porém, nasci em Yanaris, um país pouco falado que fica perto do trópico de Câncer.
Oi? Duzilianos? Yanaris? O que é isso?! Nunca ouvi falar de nenhum país chamado “Yanaris” em minha vida! Cutuquei a Solare e olhei de olhos arregalados para ela. Ao mesmo tempo, me belisquei. A Sra. “Sheerslonsky” deu algumas risadas curtas e voltou ao seu discurso.
— Yanaris fica em outro planeta, igualzinho a Terra. Minha família conseguiu vim para cá, porém demoraram alguns anos, então, quando cheguei aqui, eu já tinha vinte e nove anos. Isso mesmo: eu passei metade da minha em uma nave, desde o nascimento. Quando chegamos aqui, minha mãe me contou que a gravidade era menor que lá em Fylis e que aqui também tinha mais oxigênio.
Já estou vendo que a história é longa... Mas eu fiquei prestando atenção, era algo que me prendia o olhar. Sempre gostei de jogos que se passassem em outros planetas, acho que é por isso. Ou, talvez não.
— De acordo com a minha mãe, a Terra era muito diferente de seu planeta natal. Ela achou estranho aqui não ter uma língua universal, nem vários países com sistemas totalitários. Tivemos que aprender alemão, já que acabamos parando na Alemanha. Com quarenta anos consegui um emprego como recepcionista e acabei me apaixonando pelo Sr. Sheerslonsky, um russo que na época estava passando por um divórcio complicado. Acabamos nos apaixonando e casando depois de três anos juntos. Porém, em 2010 meu querido Sheerslonsky e minha mãe morreram, esta com noventa e quatro anos. Meus parentes acharam estranho, pois normalmente filyaneses morriam por volta dos cento e quinze, cento e trinta anos, por conta de sua ótima alimentação, acho que é porque aqui na Terra há várias "besteirinhas" que vocês, adolescentes, amam comer. Depois que alguns anos se passaram, dois para ser mais exata, eu encontrei um projeto antigo da minha mãe, de uma escola que ficaria em algum país na Terra, abrigando jovens de todos os países e nacionalidades, e lá haveria um tipo de magia em que todos falariam a mesma língua no país em que ficasse a escola, por isso, todos entendem todos, e cada um tem um nome diferente! – Explicou, dando uma piscadela. – Em memória de minha mãe, eu criei a escola. O nome da minha mãe era Althea, acharam alguma semelhança com o nome da escola? "Colégio Althris".
Quando ela acabou, várias pessoas bateram palmas e a Solare olhava meio confusa. Eu também olhava confusa, mas eu não estava "meio" confusa, eu estava TOTALMENTE confusa! Então... Estávamos fazendo amizade com pessoas de outros países? E se o Nicolas for... De sei lá... Estados Unidos?! Eu sou péssima em inglês! Depois, ela explicou mais sobre a torre, mas eu ainda estava confusa demais para ouvir o que ela estava falando. A Solare vai me explicar depois mesmo...
Então ela se despediu e eu e a Solare saímos do auditório, juntamente com outras pessoas. A Dalila veio imediatamente falar comigo, parece que ela tinha sentido toda a minha confusão de longe.
— Não acredito Luana, que você não sabia disso! – Exclamou ela, colocando todo o seu peso em cima dos meus ombros. Aliás, como ela sabe que eu não sabia? – Eu sou colombiana, sabia? A Sophia e a Cat são da Nova Zelândia e o Nicolas... Bem... Eu não me lembro.
Eu senti uma imensa vontade de esganar a Dalila... Ela me deixou totalmente curiosa! Ela perguntou com tamanha euforia de onde eu e a Solare éramos. A Solare cutucou-a para olhar para ela e falou que nós viemos do Brasil, e que nunca ninguém havia nos avisado sobre essa magia ou algo parecido. Bom, pelo menos eu era boa em espanhol...
E se o Nicolas for de um país com uma língua super estranha, como a Alemanha? Eu não sei onde ele está, mas com certeza quando eu encontrá-lo irei perguntar a ele. Quando entramos no elevador tentei puxar assunto.
— Solare, você percebeu que nós não vamos estudar até conseguirmos afastar as Trevas?
— Na verdade, não... Você não ouviu o que a Filipa falou? Começaremos a ter aulas em uma sala de aula improvisada no lado de fora da torre. – Se intrometeu Dalila.
— O quê? Meio perigoso, não? Do jeito que a barreira que nos protege foi meio que... Hã... Quebrada?
— Aí eu já não sei isso é com a Filipa.
Quando chegamos ao décimo andar, fui direto ao meu dormitório e liguei o computador, entrando no meu e-mail e checando os meus e-mails. Entre os spams, uma mensagem me chamou a atenção:
“Garota é sequestrada na Califórnia, novo maníaco a solta!
Uma garota de apenas nove anos fora sequestrada dia 1º de Maio de 2017. Encontraram sangue em cima da cama da garota, vão fazer exames de DNA para ver se é da garota. Policiais dizem que tudo indica que a garota não fugiu, mas acham que ela deve ter sofrido violência física e psicológica. A mãe de uma garota de 9 anos que mora a aproximadamente nove quilômetros da casa da sequestrada se pronunciou, dizendo que esses dias sua filha quase fora sequestrada por uma mulher alta encapuzada, só não a levou pois a ela estava bebendo água na cozinha e ouviu os barulhos.
Policiais suspeitam de uma nova gangue que rapta crianças para trabalho escravo ou para tráfico de órgãos.
Quem encontrar a garota abaixo com alguém, por favor, avise à polícia! Isso ajuda para que isso não aconteça com mais crianças, e ajuda a encontrar Alisson Albani. Lembre-se: amanhã pode ser alguém próximo a você!”
Em baixo havia a foto de uma garota muito parecida com o Nicolas, tinha cabelos castanhos claros, o formato do rosto era igual... Eu tenho que perguntar imediatamente para o Nicolas! Estou ficando preocupada... Gritei para a Solare vir ao meu dormitório – os nossos dormitórios ficam colados – e ela veio alguns minutos depois e mostrei a notícia. Ela fez uma cara de assustada e ficou um tempo pensando, e logo depois soltou a bomba:
— Eu... Já vi essa menina naquela festa que fomos à casa do Nicolas!
Fale com o autor