Solace

1 Solace


Notas iniciais
Fanfic que fiz após ficar viciada em MidoAka. Espero que gostem...

White walls surround us / Paredes brancas nos cercam
No light will touch your face again / Nenhuma luz tocará seu rosto novamente
Rain taps the window / A chuva bate na janela
As we sleep among the dead / Enquanto dormimos entre os mortos

Days go on forever / Os dias passam para sempre

But i have not left your side / Mas eu não deixarei de estar ao seu lado
We can chase the dark together / Nós podemos perseguir a escuridão juntos
If you go then so will I / Se você for então eu irei também

Anthem of the angels — Breaking Benjamin

O sol se punha exibindo um belo espetáculo aos olhos das pessoas que para o céu olhassem... estas não tinham um trajeto em específico, mas decerto estavam a retornar para suas casas...

Dia após dia era sempre assim, mas o futuro nunca é certo... Nem justo.

"Por que você ainda não retornou, Shintarou?"

Akashi estava sentado à varanda de sua modesta casa mergulhado em seus devaneios... nunca fizera questão por estar sozinho... tornara-se até um costume.

Perdera a mãe desde muito cedo e sempre sofrera o bastante com as memórias... ela não mais voltaria, mas agora tinha resolvido superar sua depressão...

Agora tinha alguém para estar consigo, e por menor e modesta que a casa fosse, nunca havia se sentido tão completo.

Por ter sido aceito pela universidade de Tóquio, o ruivo resolvera reunir seus amigos mais próximos para que pudessem saudá-lo e parabenizá-lo pelo feito — que já era uma certeza para o Imperador.

A noite chegou rapidamente, e por mais que quisesse esperar todos irem embora, Akashi se escusou, retirando-se de sua casa para ir em busca do namorado, que há tanto não via. As ruas estavam escuras e podia-se sentir a violência com que o vento chocava-se contra os corpos dos transeuntes, que mais pareciam sombras nas ruas pouco movimentadas durante aquele fim de semana.

"Por que não veio? Você me esqueceu? Talvez eu não seja tão importante como pensei..."

Sua mente cansada pedia que retornasse e se despedisse de todos que deixou para trás, mas a tentação era grande... agora que estavam na mesma cidade, não seria problema algum chegar à casa de Shintarou, mas em meio ao seu trajeto recebeu um telefonema...

— Alô? — Perguntou sentindo que algo de mal estava por vir.

A voz ao outro lado da linha lhe dirigiu mais algumas poucas palavras, que por um tempo vaguearam pela mente do ruivo antes de virem à tona por seus próprios lábios.

— O-o Shintarou? — A mulher confirmou a informação e, abalado, soltou o aparelho ao chão, fazendo com que a atendente falasse só ao outro lado da linha.

Suas pernas falharam e quase o derrubaram...

"Antes não tivesse recebido aquele telefonema... Tudo que tinha acabara por desmoronar."

E então correu, deixando para trás suas certezas e abraçando todos os medos que há tempos sanara com a presença de Midorima... a presença que muito almejara durante o dia, mas que agora necessitava de forma vital...

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Chegando ao hospital, passou pela recepção identificando-se para só então receber permissão de fazer uma visita ao outro...

Foi nesse momento que Seijuurou soube que Midorima esteve naquele local desde a manhã, quando sofrera um acidente...

O ruivo soube superficialmente, através do médico responsável, que o namorado havia resistido a um assalto e acabara levando um tiro... por não querer entregar ao assaltante o pacote que trazia.

"Por não querer entregar ao assaltante o presente que ele tinha para mim..."

Akashi fechou os olhos, encostando a cabeça contra a parede debilmente enquanto se mantinha sentado. O silêncio era cortado por sua respiração entrecortada e os sons das máquinas.

Recebeu a notícia que o amado sofrera um traumatismo craniano grave... Era óbvio que ele não o encontraria acordado agora, mas queria apenas vê-lo, segurar sua mão...

Se Akashi soubesse que isso aconteceria, nunca teria feito Shintarou vir até si. O que uma comemoração boba como essa tinha de tão importante para si? Nada... mas Shintarou acreditava que era importante, então estava tudo bem...

"Quando o assunto sou eu, para ele tudo está bem."

A sala parecia fria e tudo parecia distante... Midorima estava entubado por haver necessidade... Ele já não conseguia respirar bem por si só e isso só fazia a apreensão crescer no peito do ruivo, e este sentia seu coração apertar a cada palavra do médico que voltava a sua mente...

"Tanto fazia ele acordar agora ou nunca mais... o tempo parecia não passar."

Independente de quando acontecesse, Akashi estaria ali para ver. Passou-se um dia e, ainda ali, Seijuurou não o deixou só um minuto sequer.

Por volta da madrugada do oitavo dia, Shintarou se moveu bastante, e sua inquietude chamou a atenção dos olhos heterocromáticos de Akashi. Este se aproximou, passando a mão na testa suada do maior, que ao contato, reagiu abrindo os olhos.

— S-Shintarou! Você acordou... — Disse feliz, mostrando-lhe um sorriso de alívio que pouco se via no sempre sisudo Akashi Seijuurou...

"Mas a minha alegria se mostrou passageira."

— M-me desculpe, mas... Quem é você? — A expressão confusa de Midorima acompanhava a de decepção de Akashi.

O ruivo, hesitante, respondeu-lhe a pergunta. Isso não poderia estar acontecendo... Midorima perdera a memória? Era o que parecia, e Akashi comprovou ao passar dos dias, das semanas... dos meses.

Pelo jeito, só lhe restavam vagas lembranças de quando este ainda não o conhecia, e Seijuuro sentia-se frustrado. Será que Shintarou não o amava o bastante para esquecê-lo?

"Foi um pensamento tão mesquinho... mas eu nunca pude aceitar que a pessoa que mais amei tinha esquecido-me... e ignorei seus problemas, suas limitações por apenas me sentir esquecido."

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Passaram-se dois meses e Seijuurou havia tentado bastante cooperar com a reabilitação física de Shintarou... mas a memória ainda não tinha voltado.

Mesmo quando o menor o mostrara fotos do tempo em que estudavam em Teiko, de seus companheiros da Geração dos Milagres e do Shutoku, o rapaz de cabelos verdes não se recordava de nenhum deles. Fatos e fatos foram revelados, mas Akashi nunca contou-lhe que estiveram juntos por falta de coragem...

"Onde meu Shintarou estava?"

Sentia-se cruel por enxergar o outro apenas em seu estado de debilidade, ainda preocupando-se mais com a recuperação de memórias que a recuperação de sua saúde...

"Eu não acredito que estive a enxergá-lo como um álbum de figurinhas onde a minha deveria estar em todas as páginas... mas que faltava-lhe tudo..."

Olhava para aquela outra pessoa no leito hospitalar com indiferença, e esta apenas crescia mais e mais. Ele era o mesmo em alguns aspectos, mas sua personalidade parecia um pouco distorcida...

"Então decidi por mim mesmo que estaria melhor sozinho... e que estava na hora de ir embora."

Ele já havia tirado o bastante de Shintarou e se sentia realmente culpado pelo que havia acontecido, mas ao mesmo tempo o tinha perdido para sempre...

Então por que não deixá-lo viver sua vida como se ele, Akashi, nunca tivesse existido? Apesar de ser uma decisão difícil, Seijuurou considerava o certo a fazer.

— Shintarou, eu tenho que voltar para casa agora. — Falou beijando-lhe uma das mãos.

"Dei-lhe um beijo de adeus."

— Akashi... quando virá me ver novamente?

Estas foram as últimas palavras que ouvi de sua boca desde então, mas as deixei sem respostas.

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Quase cinco meses após a despedida no hospital haviam se passado e Akashi sentia-se culpado... enojava-se de suas atitudes. Havia estudado economia como se não houvesse nada mais nada ou ninguém em que pensar...

"Como se não houvesse mais Shintarou... Eu nunca estive tão errado em minha vida... Mas este erro que cometi foi imperdoável! Fui tão egoísta... Deixei Shintarou justamente quando ele mais precisou de mim."

O amava tanto que sentia-se como um criminoso por ter imposto tamanha distância por tanto tempo.

"Talvez o tempo tenha passado rápido demais para ele..."

Não se fez necessária a busca por endereços... ele lembrava nitidamente onde ficava a casa do amado... a casa onde Shintarou vivia sozinho e esperou o encontrar ali, mas a residência estava vazia.

Ver a poeira nos móveis fez Seijuuro deduzir que o tsundere não estava mais por lá, o que era estranho. Akashi suspirou, pegando seu celular e discando o número para que mais costumava ligar.

"Alô, você ligou para Midorima Shintarou. Após a mensagem, deixe seu recado e retornarei assim que voltar, nanodayo." — Akashi sorriu com o vício linguístico que Midorima tanto usava, e quando resolveu falar algo, a gravação continuou. "Se é Akashi quem está me ligando... saiba que eu sempre irei amá-lo."

O homem de cabelos vermelhos surpreendeu-se... Lembrava-se muito bem que a gravação da caixa postal do celular de Midorima não tinha aquele pequeno trecho do final... foi então que chegou à conclusão de que Shintarou recuperara a memória... E ainda amava-o!

"Eu senti-me tão feliz naquele momento..."

Ele nunca o dizia isso, por vergonha talvez, e quando ouviu a declaração ficou tão feliz que tudo o que pôde fazer foi sorrir verdadeiramente depois de tanto tempo.

Já que Shintarou não estava em casa, iria voltar a sua... Talvez no outro dia Midorima voltasse. Ele precisava revê-lo.

"Queria finalmente pedi-lhe perdão."

Adentrou o apartamento que ganhara do pai... o mesmo em que esteve enquanto cuidou de Midorima, e o mesmo que abandonou após sentir que não tinha mais sentido para si.

"Como pude ser tão bobo?"

Logo deu de cara com uma enorme pilha de cartas, e uma delas era de Shintarou... não era tão recente, mas ainda assim mostrava que ele esteve preocupado... ao menos esperava que Midorima o entendesse.

Sorriu e pensou em lê-la, até que alguém o ligou. Guardou então o envelope na bolsa para atender o telefonema: era a mãe de Shintarou.

— Midorima-san? — Perguntou aguardando uma resposta.

A mulher pareceu hesitar por um momento, até que resolveu responder algo.

— Akashi-kun, foi você que ligou? — Ela suspirou pesadamente do outro lado da linha e Seijuuro não pôde deixar de se sentir desconfortável com a situação.

— Hai... o Shintarou est... — A mulher o cortou rispidamente.

— O que você quer com o Shintarou depois de tanto tempo?! O-o meu filho... E-ele não está mais aqui.

— Então poderia me dizer onde ele está? Ele não estava em casa quando passei mais cedo... — Akashi parecia confuso.

A mulher passou um longo tempo sem falar nada, e Akashi teve a impressão de que ela chorava. Nervoso, aguardou uma resposta.

— Midorima-san, onde está o Shintarou? — Perguntou cautelosamente, sentindo o estresse tomar conta de si.

— E-ele está... m-morto... O meu filhinho, e-ele... — Akashi ficara estático, desligando a ligação sem ligar se havia alguém falando consigo ainda e sentou-se lentamente sobre seu sofá.

"No final das contas ele também se foi... e mais uma vez terei de me conformar com a solidão."

Pôs as mãos sobre a boca, apoiando os cotovelos sobre os joelhos, como se estivesse pensando. Era brincadeira, certo? Ele não poderia...

E então pôs-se de pé enquanto sentia seu peito estraçalhar e correu sem parar. Não sabia ao certo onde encontrá-lo... mas diferente daquela tarde onde esteve a esperá-lo, as ruas eram menores... os caminhos que o levariam até Midorima eram mais previsíveis...

"E mais dolorosos..."

E ali pareceu ser o lugar mais desagradável que pisara... isso porque... Ele não queria pensar, não queria acreditar, mas a ficha caiu quando ele encontrou o que seus olhos fizeram de tudo para não ver: a lápide com o nome de seu amado entalhado.

E então, uma vez mais, Akashi Seijuuro chorava por uma perda. Esta fora a maior derrota que sofrera em toda a sua vida. Com as mãos trêmulas, pegou a carta, a última que havia recebido.

"Seijuurou,

Eu sei que provavelmente você não chegará a ler essa carta, mas saiba que eu nunca vou deixar de escrevê-lo. Eu o amo tanto, que não posso acreditar que o esqueci... Me desculpe se eu o decepcionei, não era minha intenção... Mas saiba que sempre me lembro do quão cuidadoso você foi comigo durante meu tratamento...

Por que você teve de ir embora? Eu queria tanto estar contigo. Me perdoe se não pude te dizer o quanto o amo, mas eu nunca me senti capaz disso antes. Perdoe-me se minha letra não estiver tão bonita, mas como sempre, eu dei o meu máximo por você, do mesmo modo que você sempre fez por mim. Espero que você esteja feliz... Eu posso não ter sido o que você queria, mas eu tentei... talvez eu não tenha conseguido, ne? Você me deixou por isso? Eu não me importo, mas eu ainda estou te esperando aqui... eu já não consigo me mover direito para ir até você... Meu médico disse que foram complicações, mas quem se importa? Eu ainda estou aqui, não estou? Venha me visitar, eu quero muito ver você. Eu sinto sua falta e está tudo tão difícil... quando virá me ver novamente?"

A pergunta final ecoou várias e várias vezes na cabeça de Akashi: Fora a mesma que Midorima lhe fizera naquele dia em que tão cruelmente partira. A última vez que ele o tinha visto vivo...

Ele sentia-se tão miserável... Cada palavra naquela carta fazia com que se sentisse mais culpado e, parando o choro, tocou o nome de seu amado naquele pedaço de pedra fria: "Midorima Shintarou". Dessa vez ele não o deixaria sem a resposta...

— Me perdoe por tê-lo feito esperar por tanto tempo... E-eu sou uma pessoa terrível, que não o mereço... Mas agora é tarde demais, e saiba que você não é o único sem vida, porque eu acabo de perder a minha só de saber que você não está mais comigo... E-eu não queria tê-lo deixado sozinho, porque você foi tudo o que eu sempre quis... — Limpou as lágrimas que teimaram em escorrer por seus olhos. — Shintarou, m-me espere por favor... Eu voltei para te ver... mas acho que te fiz esperar demais... E-eu sinto tanto, Shintarou...

"E então voltei para ti naquele mesmo dia... e agora já não sinto mais nenhuma dor."

Notas finais
Espero que não tenha ficado muito trash! Trechos da música Anthem of the Angels da banda Breaking Benjamin foram usadas nessa fic.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!