Sol da meia-noite: Midnight Sun

77 ( T-Final- Nessie) A vida sem Bella


Notas iniciais
Oiee gente A inspiração voltou, será que ainda tenho leitoras?

Há quatro anos, minha vida mudou de formas que eu jamais poderia imaginar. Voltei a Forks para o casamento da minha irmã Bella com Jacob mas depois de muitas reviravoltas Bella se casou com Edward. Ela parecia tão feliz, tão certa de que estava tomando a decisão certa. No dia da cerimônia, era impossível não sentir a alegria dela, como se cada sorriso fosse uma promessa de que, finalmente, ela teria sua felicidade.

Mas a felicidade durou pouco.

Depois que Bella e Edward se casaram, eles viajaram para a lua de mel. Um destino paradisíaco, cheio de sol e promessas de um futuro juntos. Só que Bella nunca voltou da mesma forma que partiu.

Lembro-me do dia em que o caixão chegou a Forks. A notícia veio como um golpe: Bella havia sido infectada por um vírus que estava se espalhando pelo mundo, a mesma pandemia que deixou tantas famílias em pedaços. Eles disseram que não havia nada que pudesse ter sido feito. A

Queria acreditar, mas uma parte de mim não conseguia aceitar. Algo naquela história não fazia sentido. Bella sempre foi forte, sempre lutou contra o impossível, ela se casou com um vampiro. Como poderia um vírus tê-la vencido?

Depois de sua morte, a pandemia mudou tudo. Não apenas a vida em Forks, mas o mundo inteiro. Perder Bella foi como perder uma parte de mim, mas, estranhamente, sua partida trouxe uma nova luz para minha vida: Clara Black.

Clara chegou até nós como um mistério, algo que nem eu nem Jacob sabíamos explicar. Ela era diferente, especial de formas que ninguém conseguia definir. Não sabíamos de onde ela vinha ou quem realmente era, mas era impossível ignorar o brilho que ela trouxe para nossas vidas. Com dois anos Clara aparentava ter 8 e agora com 3 parece ter 12, em alguns momentos tenho medo de que ela fique pouco tempo conosco.

Jimmy, o fruto do meu amor com Jacob, era outro presente inesperado. Nosso filho, com seus olhos curiosos e a risada que iluminava qualquer ambiente, fez com que tudo valesse a pena. Ele completou um ano recentemente, e cada dia ao lado dele é um lembrete de que, mesmo nas piores circunstâncias, a vida pode florescer novamente.

Esses últimos quatro anos foram um teste de resiliência. Eu perdi Bella, ou ao menos acredito nisso, mas ganhei algo que nunca esperei: uma família. Clara e Jimmy são o centro do meu mundo agora, e Jacob, mesmo com todos os desafios, é meu parceiro em tudo.

Por mais que as dúvidas sobre a morte de Bella ainda assombrem meus pensamentos, sei que ela teria ficado feliz por mim. Onde quer que esteja, sua força continua a me guiar. Afinal, mesmo em sua ausência, ela ainda é uma parte de tudo que construí.

O sol ainda mal iluminava o horizonte quando acordei naquela manhã. Jacob ainda dormia profundamente ao meu lado, a respiração ritmada, o braço jogado de forma desleixada sobre o travesseiro. Sorri ao olhar para ele, lembrando da noite anterior. Apesar de todas as dificuldades, ainda encontrávamos tempo para nós, e momentos como aquele me faziam perceber o quanto éramos abençoados.

Levantei com cuidado, tentando não fazer barulho. Peguei minha camisola que estava jogada na poltrona e a vesti, ainda sorrindo. Após me certificar de que Jacob não havia se mexido, fui ao quarto de Clara.

Ela estava encolhida em um canto da cama, o rosto enterrado no travesseiro. Inclinei-me e soprei suavemente em seu ouvido.

— Clara... Hora de acordar, dorminhoca.

Ela resmungou algo ininteligível, virando-se lentamente. Seus olhos entreabertos me encararam com um misto de sono e irritação, e eu ri baixinho antes de sair do quarto.

No quarto ao lado, Jimmy já estava de pé em seu cercado, as pequenas mãos agarrando as grades. Seus olhos brilhavam de alegria ao me ver entrar.

— Mamã! — ele exclamou, balançando os bracinhos.

— Bom dia, meu amor — disse, me aproximando e pegando-o no colo. — Você acordou cheio de energia, hein?

— Bá... bá... carro! — ele apontou para o caminhãozinho de brinquedo no chão.

— Ah, sim, seu caminhão! — Ri, ajeitando-o em meu colo. — Vamos tomar café antes de brincar com ele, combinado?

— bom! — ele respondeu, mesmo que as palavras ainda saíssem um pouco arrastadas.

Enquanto saíamos do quarto, encontrei Clara no corredor. Ela estava bocejando, o cabelo desgrenhado caindo sobre os ombros. Sorri, inclinando-me para beijar sua testa.

— Bom dia, pequena. Vamos, se apresse. Seth está vindo te buscar.

Os olhos dela brilharam imediatamente ao ouvir o nome de Seth. Sem dizer nada, ela deu meia-volta e correu para o banheiro, fechando a porta com um estrondo.

— Clara! Devagar, ou vai acordar o Jake! — adverti, mas não pude deixar de rir da empolgação dela.

Jimmy riu também, imitando meu tom de voz. — “Clala!”

— Isso mesmo, Jimmy. Clara está animada. — Apertei meu pequeno contra o peito enquanto seguíamos para a cozinha.

Por mais caótica que fosse nossa rotina, momentos como aquele faziam tudo valer a pena. Eu tinha minha família, e, apesar das perdas e dúvidas, sabia que aquele era o lugar onde sempre deveria estar.

Terminei de arrumar a mesa com o café fresco enquanto Clara devorava seu cereal, e Jimmy, na cadeirinha, balançava as pernas enquanto assistia ao desenho na TV. A manhã seguia tranquila, quase rotineira, até que Jacob apareceu na cozinha, os cabelos ainda um pouco bagunçados, mas com aquele sorriso despreocupado que fazia meu coração aquecer.

— Bom dia, família. — Sua voz soou calorosa enquanto ele caminhava até Clara, inclinando-se para beijar a testa dela. — Dormiu bem, pequena?

— Aham! — Clara respondeu com a boca cheia, o que me fez levantar uma sobrancelha para ela.

Jacob foi até Jimmy, bagunçando seus cabelinhos com carinho. — E você, campeão? Está assistindo o quê?

— Boi! — Jimmy apontou animado para a TV, onde um desenho de animais passava.

— Um boi? Uau, que incrível! — Jacob riu, antes de vir até mim.

Sem dizer nada, ele passou os braços ao meu redor, me puxando contra seu peito. Seu rosto se inclinou até meu ouvido, e ele sussurrou com a voz baixa e provocante:

— Você me abandonou na cama.

Ri, tentando me afastar, mas ele me segurou firme.

— Você parecia confortável demais para ser acordado — provoquei.

— Hm, isso não é desculpa — ele rebateu, beijando meu pescoço rapidamente.

— Vocês dois podem parar? — Clara reclamou, revirando os olhos enquanto mastigava o cereal. — É muito cedo pra essas coisas.

Eu e Jacob trocamos olhares antes de rirmos juntos.

— Um dia você vai entender, pequena — Jacob disse, piscando para ela, o que a fez bufar.

A campainha tocou, e, antes que eu pudesse dizer algo, Clara já estava pulando da cadeira.

— Seth! — ela exclamou, correndo para abrir a porta.

— Bom dia pra você também, Clara! — ouvimos a voz de Seth do lado de fora. Ele entrou sorrindo, cumprimentando Jacob com um aperto de mão e me lançando um aceno amigável. — E aí, prontos pra mais um dia?

— Mais ou menos — Jacob brincou. — O que te traz aqui tão cedo, Seth?

— Ah, vim buscar a Clara pra escola, claro. Mas, depois da aula, será que eu posso levá-la ao penhasco? Ela tem pedido isso há dias.

Clara, que estava ao lado dele, fez a famosa "cara de pipoca" — os olhos arregalados, o lábio inferior ligeiramente empinado. Eu e Jacob trocamos um olhar rápido antes de assentirmos.

— Tudo bem, mas tome cuidado, tá? — avisei.

— Oba! — Clara pulou de tanta empolgação, mas a força quase derrubou a cadeira atrás dela.

— Clara! — exclamei, colocando a mão na testa. — É o quinto móvel da casa que você quase quebra!

— Desculpa! — ela disse rapidamente, olhando para mim com um sorriso culpado antes de correr para pegar a mochila.

— Vamos, Seth! — Clara se despediu com um abraço rápido em mim e Jacob antes de sair apressada.

Quando a porta se fechou, suspirei, sentando-me na cadeira ao lado de Jimmy.

— Você acha que um dia ela vai aprender a ser mais... cuidadosa? — perguntei, olhando para Jacob.

Ele deu de ombros, sorrindo. — Acho que é parte do charme dela.

Mas por dentro, eu sabia que não era tão simples. Clara não era uma criança comum. A força dela era algo que beirava o sobrenatural, além do fato de se alimentar de sangue. Era um mistério que nunca conseguimos desvendar completamente, e, mesmo assim, ela parecia tão... humana.

— Ela vai ficar bem, Nessie — Jacob disse, apertando meu ombro como se pudesse ler meus pensamentos.

Assenti, olhando para a porta onde ela havia saído. Por mais que eu me preocupasse, sabia que Clara estava em boas mãos. E, no fundo, eu esperava que um dia o mundo nos revelasse quem ela realmente era.