O destino em suas ordens inarráveis de acontecimento cria seus lapsos, dimensões paralelas e logo, num fato nada tardio, encontrei-me absorto num mundo azul, por dentro e por fora consumido por corpos celestes.

Não tardou perceber, o mundo se resolver e num piscar descobri estar dentro de belíssimos olhos azuis. Perdido numa profundidade inefável, inefável beleza.

Já conheci espelhos inversos, a estética exterior não se refletindo na interior. Acima de um pico de neve na cor dos seus dentes , muito mais alto do que aparenta ser, encontrei uma reflexão digna dum esteta. Não trabalhei com a falácia de que a sinuosa curva de percepção não se reflete para dentro.

As pessoas me inspiram, já escrevi sobre a dor e o amor, a pena cansada pedia mais poesia, encontrei-me numa gruta com o Sol estampado no rosto e o céu me lembrando...

Um homem piegas olhando através dum vidro d’água, frágil, aproximando corpos e mentes através de jargões quebradiços.

Indivíduos ilusórios ditam que três dias são curtos para conhecer alguém, posso não tê-la conhecido, mas minhas palavras conhecem, e confie em mim, elas não mentem.

Numa terra de gigantes toda forma de poder almeja corromper aqueles simples de coração, um refrão de bolero toca num bar e nesta highway ao invés de tentarmos fugir do mundo, tentamos entendê-lo. Rasurando a criação.

A promessa está concluída, mas ainda assim escreveria mesmo sem pedir, afinal este é o prazer dos escritores.

FIM

10/09/15

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