Soft Heart
19 Capítulo XVI
Notas iniciais
Beth acordou ainda cedo naquela manhã. Sabia que fazia pouco tempo desde que Daryl havia chegado, mas seu corpo dolorido exigia alguma espécie de movimento.
Desvencilhando-se dos braços e pernas do arqueiro ela se esgueirou para fora do colchonete enquanto o Dixon resmungava seu nome. Os lábios de Beth se curvaram em um sorriso orgulhoso ao perceber que ele ainda dormia profundamente, feliz por estar presente em seus sonhos.
Daryl acordou ouvindo a movimentação da casa. Ao seu lado não havia nada além de um espaço frio e se não fosse pelo cheiro da loira impregnado ali, ele jamais acreditaria que ela realmente tinha dormido com ele.
Seu cabelo estava grudado no rosto, suas roupas cobertas de sangue e fuligem. O banho do dia seguinte começava a requerer atenção e o arqueiro ficou surpreso ao perceber o pequeno monte de roupas sobre o sofá.
Carol havia exigido suas poucas peças de vestuário há alguns dias, mas ele já tinha perdido a esperança de vê-las realmente limpas. Junto delas havia uma toalha, escova de dentes e creme dental.
Algo naquele gesto teria o deixado furioso no passado, mas o simples fato de saber quem havia preparado aquilo amenizava qualquer sentimento ruim. Ele sabia, o cheiro de Beth era facilmente impregnável em tudo o que a loira tocava.
Levantando seu corpo dolorido do chão, Daryl rumou para o banheiro, escutando os risinhos de Beth na cozinha, provavelmente conversando com Maggie.
Despiu-se sem pressa, seus músculos enrijecidos protestando a cada pequeno movimento. A água do chuveiro estava fria, mas não era algo que realmente lhe incomodasse. Daryl simplesmente não se importava. Nunca teve um chuveiro quente no inverno, muitas vezes sequer se dava ao luxo de um banho, acampando na floresta com Merle por semanas a fio.
Ele esfregou sua pele com força, encontrando alguns arranhões camuflados pelo excesso de sujeira impregnados nela. Demorou-se muito mais do que previa, estava disposto a sair dali o mais limpo que pudesse.
Secando seu corpo e vestindo suas roupas limpas, o arqueiro suspirou. Um desconforto ameaçando se instalar. Não estava acostumado a se sentir tão “domesticado”. Aquela era uma realidade comum para todos os outros, exceto para o Dixon. Ele sentia como se precisasse fazer um esforço descomunal para se encaixar naquela realidade, mas sabia que Beth valia a pena.
Remexendo pelas gavetas do armário, encontrou uma tesoura e tentou aparar um pouco da barba. Um pequeno frasco de colônia pós-barba chamou sua atenção e Daryl curiosamente abriu a embalagem, espalhando algumas gotas pelo pescoço.
Sentiu-se fresco e patético, e simplesmente não sabia porque passou a se importar tanto com a forma como cheirava para os outros, então decidiu voltar para a cozinha e procurar algo para comer.
Todos já haviam se retirado da mesa, mas uma Beth sorridente ainda estava lá.
O sorriso da Greene era simplesmente radiante e Daryl ficou desconcertado com toda aquela atenção.
Quieto, ele aproximou-se dela e se sentou ao lado da loira que prontamente lhe estendeu uma xícara de café.
— Acho que já está frio. — Ela lamentou. — Não esperava que você demorasse tanto no banho, senhor Dixon — Beth disse em um tom divertido.
Daryl apenas revirou os olhos e bufou. Havia sido um desperdício e tanto de tempo, não fosse pelo fato da loira estar encaixando seu rosto na curva do pescoço do arqueiro, aspirando profundamente; seu nariz trazendo arrepios nada condizentes com a situação para o corpo do Dixon.
— Beth, pare. — Ele tentou soar convincente, mas seu resmungo rouco apenas incentivou Beth a continuar.
— Eu poderia me acostumar com isso. — Beth afastou seu rosto para encará-lo. Um sorriso travesso brincava nos lábios da menina.
Daryl engoliu um grande gole de café, desviando dos olhos azuis tentadores. Aquela garota não tinha a menor noção do que estava fazendo.
Beth ficou feliz ao perceber que tinha deixado Daryl ao menos desconcertado. Era novo para ela perceber que podia agir como uma “mulher” e que poderia despertar os desejos dele, mesmo se considerando tão inexperiente.
Ela gostaria de poder ficar ali ao lado dele por todo o dia, mas tinha afazeres esperando por ela do lado de fora da casa. A loira se levantou e Daryl acenou com a cabeça enquanto ela se retirava.
Judith brincava animada com uma das bonecas que Maggie havia encontrado em uma das fazendas vizinhas. Rick tomava conta da menor e a casa da fazenda ainda estava imersa em um estranho silêncio. Todos estavam exaustos após tanto tempo fugindo e se escondendo e agora finalmente podiam descansar, viver o luxo de uma vida quase normal.
— Xerife. — Beth cumprimentou enquanto abaixava-se para beijar a bochecha da garotinha que brincava com o pai.
— Greene. — Ele acenou de volta ainda sem tirar os olhos da pequena.
Beth continuou seu caminho até o estábulo, a fim de pegar algumas ferramentas para continuar seu trabalho com a horta, mas algo incomum chamou sua atenção em uma das cercas.
— Nelly Nervosa? — ela murmurou para si mesma, apertando o passo para que diminuísse a distância entre elas.
Como era possível que aquela égua retornasse a fazenda depois de tanto tempo? A última vez que Beth a tinha visto fora antes de Daryl perdê-la na floresta enquanto procurava por Sophia.
O movimento na fazenda devia ter chamado a atenção do animal que agora se encontrava magro e mal cuidado. A crina tomada por nós e pequenos galhos secos presos a ela.
Tocando o pescoço esguio da égua, Beth a conduziu até a porteira e a guiou até sua antiga baia no estábulo.
Rick encarou a movimentação ao longe, surpreso com a facilidade com que a Greene lidava com o animal, mas mesmo que quisesse ajudar, não havia mais ninguém que pudesse tomar conta de Judith, então preferiu deixar pra lá, afinal, Beth parecia estar totalmente segura do que estava fazendo.
Daryl empurrou alguns farelos pela mesa, sentindo-se entediado. A maioria dos ocupantes da casa parecia ter decidido dormir até mais tarde, então tudo o que se podia ouvir eram alguns cochichos indiscretos de Glenn e Maggie e uma Judith impaciente protestando com o pai do lado de fora.
Beirava o sufocante ficar preso naquela casa sem fazer nada, então catou sua besta na sala e obrigou suas pernas doloridas a levarem-no até o lado de fora. Acenou para Rick e para a Bravinha e viu Beth carregar um balde de água até o estábulo. Era quase cômico ver aquela loira tão magrela arrastando um grande balde de alumínio e algo em si o dizia para ajudar, apesar de saber que devia deixar que ela se virasse sozinha.
A curiosidade era grande demais para que ele ignorasse aquilo e seguisse em frente, então, admitindo sua fraqueza quando se tratava daquela garota, Daryl fez um caminho silencioso e distante atrás da Greene. O treinamento que ele havia lhe dado após a queda da prisão parecia não ter surtido o menor efeito, afinal, o arqueiro não tinha feito nenhum esforço para disfarçar que a seguia, mas Beth parecia totalmente inconsciente desse fato.
— Shhh... Está tudo bem agora, garota — ela sussurrou em uma voz doce.
Daryl escorou-se na porta de madeira e continuou a encarar a forma como Beth escovava aquele cavalo calmamente, com total segurança sobre o que estava fazendo. Às vezes ele simplesmente se esquecida de que além de uma garotinha mimada, Beth também era filha de um fazendeiro e crescera em meio a todo tipo de animal.
— Você é boa com isso. — Ele admitiu mais para si mesmo do que para ela.
Beth sobressaltou-se prontamente, derrubando a escova e fazendo com o que o cavalo relinchasse impaciente.
— Você me assustou. — Ela reclamou, levando uma das mãos até o lado esquerdo do peito. — Há quanto tempo você está aí?
— Pouco.
Beth lhe deu um aceno duro de cabeça antes de voltar ao seu trabalho.
— Você lembra dela? — Beth questionou enquanto o convidava a se aproximar com um gesto de mão.
— Ela quem? — Daryl retrucou parando para analisar o animal.
— Nelly. Nelly Nervosa. Você a perdeu na floresta — Beth disse enquanto desfazia alguns nós da crina da égua.
Ah, aquela égua. É claro que Daryl lembrava dela, mas parecia ser um tempo muito, muito distante.
— Ela quase me matou. — O Dixon resmungou dando de ombros.
— Não, Andrea quase te matou. — A garota soltou um risinho deixando de encarar a égua e voltando-se para o caipira.
— Eu não achei engraçado na época. — Ele trincou a testa em uma carranca quando a menor deu de ombros e se aproximou dele.
— Você é durão, Daryl Dixon — ela sussurrou de forma provocante e Daryl se perguntou o que realmente estava acontecendo para que Beth agisse daquela forma.
Algo parecia ter mudado nela e ele realmente não sabia definir ao certo o que. Ela parecia mais segura e menos tímida, sem realmente ter noção do estrago que estava causando apenas pela forma que dizia seu nome.
Beth cruzou o espaço entre eles e encostou seus lábios nos do arqueiro de forma breve e delicada. Para Daryl, foi como jogar gasolina em um incêndio.
— Merda, garota. — Daryl rosnou antes de segurar Beth firmemente contra si e tornar a beijá-la.
Das duas, uma. Ou Beth não fazia a menor ideia do quão provocativa estava sendo, ou realmente queria deixar o caipira de joelhos.
Quando se tratava daquela menina, tudo parecia ser urgente, imediato. Como se não houvesse tempo a perder, porque realmente não havia.
Beth sentia seu corpo febril com tanta proximidade. Era tudo tão novo, tão quente. Ela só queria o arqueiro para si como naquela noite, sentir Daryl tão entregue e estranhamento vulnerável a ela. Segurando firme nos cabelos da nuca do homem, Beth foi recuando e trazendo-o consigo, adentrando na baia vazia do estábulo.
O local estava escuro e estranhamente quente, pouca iluminação adentrava pelas frestas da madeira envelhecida, mas o feno espalhado pelo chão parecia um lugar extremamente convidativo para estar sobre Beth e foi exatamente o que o Dixon fez. Com a urgência da garota, era impossível esperar um segundo a mais. As mãos dela estavam a todo vapor, correndo pelo corpo dele, antes de terminarem abrindo seu zíper, de forma desajeitada e apressada.
Daryl não queria esperar mais nenhum segundo, de modo que apenas retirou a calça jeans e a lingerie de Beth o suficiente para que pudesse alcançar sua intimidade. Sem delongas, ele investiu contra ela com todo o seu desejo.
Beth jogou a cabeça para trás, arfando e trincando os dentes. Ainda doía um pouco, não podia negar, mas o desejo que sentia por ele era quase selvagem, doentio. Era diferente da noite anterior, que fora calma, sensível. Agora era tudo mais intenso e rápido. Daryl não estava mais tão cuidadoso e apenas isso a fazia corar enquanto contia alguns gemidos vergonhosos.
Uma das mãos do arqueiro sustentava as costas da loira, enquanto a outra explorava a pele macia da barriga de Beth, subindo para seus seios, debaixo do sutiã. Ele jamais pensou que pudesse chegar a esse ponto com a garota, mas agora que havia cruzado essa linha, beirava o viciante. Estar com ela, dentro dela, era como estar em uma dimensão diferente. Sabia que estava terrivelmente condenado, aos pés dos encantos daquela mulher.
Sim, mulher. Beth já demonstrava há tempos que já não era uma menina, mas a forma com que enlaçava as pernas esguias entorno do quadril do Dixon, um pedido claro para que fosse mais fundo, mostrava o quão adulta ela já havia se tornado àquela altura. Por um breve momento ela abriu seus olhos azuis e o fitou diretamente. As bochechas coradas, a boca vermelha no momento em que mordia o lábio inferior com malícia, os olhos marejados e cobertos com uma luxúria diferente, havia também um carinho profundo, uma confiança quase cega que fez com que Daryl se sentisse tonto.
Aquele olhar durou apenas alguns segundos, apesar de parecer que o tempo havia parado. A Greene soltou um suspiro rendido, entregue, amolecendo em seus braços. Daryl arqueou-se ainda mais sobre ela, alcançando o pescoço alvo com sua boca sedenta. Sabia que deixaria marcas, mas estava embriagado com o cheiro de suor e sexo. Uma, duas vezes, três investidas mais e Daryl chegou ao seu limite, jogando seu corpo cansado ao lado da loira.
Respirar parecia impossível, o coração como se estivesse batendo em sua garganta. Vergonhoso, ele pensou enquanto Beth descansava em seu peito.
— Eu te amo, Daryl Dixon — ela sussurrou em um fio de voz.
Silêncio. Profundo e constrangedor silêncio. Daryl não sabia como dizer, ou o que dizer, mas esperava que Beth, com todo o seu entendimento sobre sentimentos e baboseiras melosas, soubesse exatamente o que ele estava sentindo.
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