Soft Heart

9 Capítulo VIII


Notas iniciais
Então gente, eu sei que estou mega atrasada. Acontece que o meu trabalho tá tirando o meu couro. Na cidade de vocês a Vigilância Sanitária faz o controle da Dengue? Se faz, vocês devem saber que a coisa essa época é uma LOUCURA. Bom, eu sou uma daquelas agentes doidas de campo que saem pela rua olhando o pátio de vocês que aposto que todo mundo detesta, mas é suado pra caramba. Hsiheiahka' Gente, desculpa o desabafo. É que estou realmente quebrada. Só quero chegar em casa e dormir. Apesar de estar me lamentando, trouxe capítulo novo, escrevi nas horas de almoço, antes de dormir... Enfim, não sei, gostei dele como uma mãe gosta dos filhos, e espero que vocês também gostem. Prometo um capítulo maior e mais bonitinho semana que vem. Me cobrem. Amo vocês, boa leitura. ❤ (Ah, e se tiver erros de digitação me avisem, porque minha internet pifou e tive que postar no celular mesmo, via 3G e sem conseguir revisar no Word.)

Beth roía as unhas nervosamente. Seus olhos estavam bem abertos e atentos a paisagem que passava rapidamente pela janela da picape.

Daryl a encarou pelo retrovisor e Glenn pescou o olhar do caipira, fazendo com que ele voltasse seus olhos mais que depressa para a estrada a frente. Carol soltou um risinho anasalado, enquanto o Dixon resmungava um xingamento e encarava a mulher com o canto de seu olho.

Carol parecia ser a mais atenta aos sentimentos conturbados entre Daryl e Beth. Nenhum deles havia tentado definir em palavras o que era aquilo, mas ambos estavam bem próximos, o que era inegável. A mulher mais velha era perspicaz o suficiente para perceber, mas sinceramente não queria interferir naquilo.

Daryl sabia disso. Sabia que Carol o conhecia suficientemente bem para notar que algo entre ele e a pequena Greene havia mudado, contudo, estava feliz por Carol não ter tocado no assunto. Ao menos não com ele.

Um pensamento estúpido passou pela mente do arqueiro: e se ele perguntasse a Carol o que Beth achava daquilo tudo? Não. Aquilo era ridículo demais. Ele definitivamente pareceria uma adolescente do colegial, cheio de hormônios e conversa para dar. Daryl chutou aquela ideia de merda para o fundo da sua mente e se concentrou unicamente no trajeto.

Beth percebeu que Carol e Daryl estavam trocando um tipo de contato visual. Ela sabia que os dois se comunicavam muito bem sem palavras e sentiu uma picada de ciúmes cutucar seu estômago.

Era inevitável, Beth sabia que o que sentia pelo Dixon era forte e terrivelmente possessivo, mas, se Daryl e Carol quisessem ficar juntos, já teriam ficado, não é?

Ela remexeu-se desconfortavelmente com aquele pensamento. Carol era sua amiga, sabia que Beth nutria um carinho profundo pelo arqueiro, muitas vezes até havia tocado no assunto com ela, mesmo que a loira tenha se esquivado das perguntas da melhor forma que podia.

Beth gemeu frustrada e fechou os olhos, apertando suas têmporas. Glenn a enviou um olhar questionador e ela apenas negou com a cabeça, indicando que não era nada demais. Maggie dormia profundamente no ombro do coreano e o carro estava imerso em um silêncio sepulcral.

Vezes e vezes mais a cabeça da Greene voltava para sua batalha particular entre admitir ou não, mesmo que apenas para si que estava irrevogavelmente apaixonada por Daryl. E se estivesse? Que diferença aquilo faria? Ele era completamente diferente de Jimmy ou Zacky. Não era como se Beth pudesse simplesmente ter uma conversa aberta sobre sentimentos ou apenas trocar alguns beijos com o Dixon. Era totalmente fora do que ela estava habituada, mas era mais intenso do que tudo o que ela já havia sentido.

— Estamos quase chegando — Glenn finalmente quebrou o silêncio, acordando Maggie gentilmente.

Beth trocou um olhar animado com a irmã sonolenta, sentindo seus ânimos renovados. Era como se a atmosfera do lugar tivesse mudado drasticamente.

— Abram as porteiras, garotas da fazenda — Glenn continuou animadamente e risos nervosos ecoaram pelo carro.

Maggie estendeu a mão para a irmã que a pegou rapidamente.

— Pronta?

— Claro — Beth respondeu sorridente e então as duas desceram da picape e abriram a primeira porteira de acesso à antiga casa.

A energia da Greene menor estava totalmente revigorada. Voltar para casa era voltar para a parte mais acolhedora de sua vida. Era como voltar pro campo depois de uma longa viagem a cidade grande. Ela agarrou o pingente de coração em seu pescoço e pensou em seu pai. Hershel definitivamente gostaria de estar de volta. Apesar de não estar fisicamente, ela sabia que as melhores memórias de seu pai sempre estariam ali.

A primeira visão parecia desanimadora. O antigo celeiro era apenas um grande monte de cinzas escurecidas. Ela lembrou-se amargamente do dia em que um pedaço da sua inocência fora brutalmente arrancado de si. Apesar de que tudo aquilo fora necessário para que ela entendesse que aquelas não eram pessoas doentes; que aquela que havia a atacado não era mais sua mãe.

A casa grande de paredes brancas estava perfeitamente intacta. Beth não fez cerimônias para descer do carro e ignorando a dor em seu tornozelo, correu animadamente em direção a ela.

— Ei, loira. Devagar — Daryl a advertiu após um assovio alto e ela apenas revirou os olhos.

— Ok, senhor Dixon — ela riu e esperou que ele tomasse a frente com o procedimento padrão de bater na janela e esperar alguma reação no interior da casa.

Beth estava afoita como uma criança. Ela não via a hora de cruzar aquela porta. Era como se pudesse sufocar todas as coisas ruins que havia vivido até ali com as lembranças boas.

Ele fez um aceno sem jeito para que ela tomasse a frente, segurando a porta da casa aberta. Naquele momento o restante do grupo já estava lá, compartilhando aquele sentimento.

— Uau — Abraham assoviou em aprovação.

— O sofá é meu — Daryl resmungou jogando sua mochila sobre ele.

Beth ficou feliz em perceber que todos pareciam a vontade ali e não perdeu tempo para começar a abrir as janelas da casa.

— Lar, doce lar — Maggie disse enquanto se juntava a ela.

Carol estava silenciosa, mas acompanhava as duas em suas tarefas. Havia muitas lembranças ruins para ela naquele lugar. Sophia, sua garotinha… Ela engoliu a vontade de chorar. Aquilo tudo havia acabado, Sophia estava em um lugar muito melhor agora. Seu anjinho não precisou viver naquele mundo podre por tanto tempo.

— Ei, eu tenho uma cama a mais no meu quarto — Beth a surpreendeu, segurando sua mão e a arrastando pelos corredores conhecidos da casa.

Carol percebeu que Beth estava renovada. Havia aprendido a reconhecer e estudar os sentimentos daquela menina, tendo um afeto especial por ela. Beth tinha cuidado dela no hospital, mesmo que Carol não precisasse. Ela tinha visto Beth crescer e amadurecer em meio ao caos sem nunca perder o brilho nos olhos. A garota havia fraquejado, mas aos poucos voltava a ser uma presença refrescante e jovem naquele grupo.

O dia acabou por passar depressa e Carol sentiu-se feliz por poder ajudar com os afazeres da casa. Por muito tempo tudo o que ela sabia ser era dona de casa e agora, depois de tantas coisas, pegar uma vassoura e remover algumas teias de aranha parecia especialmente divertido.

— Você acha que esses tomates tem salvação? — Beth questionou, erguendo um dos frutos ainda verdes do chão.

A antiga horta dos Greene agora era uma grande bagunça. Ramos se espalhavam desordenadamente por todos os lados, frutos secos e podres cobriam o solo. Os pepinos estavam amarelos e pequenos e o que um dia fora uma plantação de alface, se tornara apenas um pedaço de chão seco.

— Beth — Maggie chamou. — Você não precisa fingir o tempo todo.

— Sobre o que? — a pequena se esgueirou, abaixando-se para checar se havia alguma muda nova debaixo de toda aquela bagunça.

— O que aconteceu em Shirewilt… Daryl… — Maggie iniciou cautelosamente. — Eu sei, eu vejo, Beth. Nós estivemos afastadas por muito tempo, mas eu consigo ver aquele brilho nos seus olhos quando olha pra ele.

— Eu só… Me desculpe, Maggie. Eu não sei o que dizer. Nunca fomos as "melhores amigas do mundo" — a loira fungou. — Quando você foi pra faculdade, eu fiquei aqui. Eu só tinha o Shawn e ele não queria falar sobre namorados comigo. Papai não queria sequer pensar no assunto. Quando essa droga começou, você estava aqui, mas... não estava. Então veio o Glenn… Eu sei que você se importa comigo, Maggie, mas nós nunca falamos sobre isso antes.

Maggie permaneceu por um longo tempo em silêncio vendo Beth trabalhar com algumas mudas de tomate. Ela estava certa, elas sempre foram o total oposto uma da outra, mas Maggie a amava. Agora ela podia perceber o quanto perdeu, Beth havia crescido, se tornado uma adolescente sozinha em meio a uma família extremamente rígida e religiosa, e ela não estava lá para conversar. Depois que o apocalipse chegou, Maggie nunca teve tempo para pensar nas questões amorosas que não fossem as suas. A resposta de Beth era mais do que merecida, contudo, a mais velha estava disposta a mudar, disposta a ser a irmã mais velha que deveria ter sido para Beth há muito tempo.

— Eu… Eu sinto muito — Maggie resmungou, abaixando-se ao lado de Beth para ajudá-la com a horta. — Eu estou aqui. Eu vou estar, a partir de agora. Eu prometo.

Beth sorriu daquele jeito doce que Maggie tanto admirava.

— Agora, me conte sobre o Daryl — ela continuou, sorrindo também.

Notas finais
Por favor, comentem. Digam que não me odeiam pela demora. ❤