Sofrimento de uma irmã.
1 Oneshot: Espírito quebrado.
Notas iniciais
Um pequeno raio de sol iluminou o quartinho de Lincoln pela janela, tocando sua bochecha. Seu primeiro pensamento foi se ele pudesse dizer a ela hoje…
—“Não! Definitivamente não!” — Lincoln pensou com dor. Ele não teve coragem suficiente para dizer isso à irmã mais velha. Ela estava sofrendo… Ele tinha que apoiá-la…
Grunhindo um pouco, ele se virou ligeiramente para sua mesa de cabeceira pegando seu celular, vendo que eram sete horas da manhã.
Ele bocejou um pouco, não queria se levantar, não estava com fome, então não podia se dar ao luxo de não tomar café da manhã para continuar dormindo meia hora depois e ir para a faculdade…
— Ei … — Disse uma voz feminina rouca que estava ao lado dele. — Está acordado? Estou com fome …
Isso havia tirado todo o bom humor de aproveitar a cama quentinha dele. Lincoln colocado uma expressão amarga em seu rosto. Ele se sentou na beira da cama, esfregou os olhos por um momento, era algo irritante para a garota de 24 anos que estava deitada ao lado dele sendo tão mimada.
Ela tinha seu corpo esguio um pouco mais baixo do que ele, com alguns músculos a mais que ele.
Ela estava vestindo uma camisa vermelha que provavelmente foi tirada do armário de Lincoln e roupas íntimas da mesma cor.
Seu rosto, ainda entorpecido, tinha várias sardas nas bochechas.
O cabelo despenteado cobria uma grande parte de seu rosto, Lincoln achou um pouco engraçada a expressão dela. Mas sua expressão não refletia isso, ele estava cansado.
— Você vai fazer o café da manhã ou não, irmãozinho? — Ela falou com um gemido se alongando.
— Eu pensei ter dito a você para, pelo menos, colocar algo diferente de sua calcinha se você vai dormir na minha cama. — Lincoln falou furioso. —Você tem um quarto de hóspede perfeito aqui do lado.
— E eu coloquei! — Ela respondeu divertida enquanto se sentava esfregando os olhos e bocejando. — Da última vez, eu dormi sem camisa na sua cama. Além disso sua cama é muito mais confortável e quentinha que a cama do quarto de hóspedes! E também! Você é meu irmãozinho, não é como se você contasse como “homem” neste caso! — Ela ergueu uma sobrancelha enquanto sorria, ele sabia que com claras intenções de irritá-lo.
— Ou é? —Ela falou com uma falsa cara de espanto.
— Ainda é estranho. Não somos mais crianças. Eu já disse que podemos trocar de quarto, mas você é teimosa. — Ele se levantou para colocar a calça e uma camisa branca com um colete laranja por cima.
— Você dormiu de cueca também. — Lynn falou agora rindo olhando para ele.
Lincoln ficou muito corado com esta constatação.
— Sim, mas você sabe, é a minha cama! E eu não sabia que você rastejaria aqui enquanto eu dormia novamente! É a terceira vez que você faz isso Lynn! — Lincoln falou com uma voz irritada e saiu da sala, não querendo ouvir o que Lynn tinha a dizer e deixou-a sozinha para se vestir.
Ele foi até a velha geladeira e a abriu.
Não havia nada para preparar, ele suspirou e lembrou que não tinha feito as compras no dia anterior.
— Bem, só café então. — Ele fechou a geladeira com certo aborrecimento. — Lynn, só tem café, tudo bem para você?! —Ele gritou.
— Sim, sim… Tudo bem. — Disse ela saindo do quarto já arrumada com os olhos no celular indo para a sala, sentou-se a mesa, ainda sem olhar nos olhos de Lincoln.
Lincoln pôs a chaleira para ferver e, tomando toda a coragem que pôde, dirigiu-se ao lado oposto de sua irmã, perguntando-se o que poderia dizer a ela.
Ele estava cansado… Já faziam 6 meses e ele já estava sofrendo perseguição na faculdade por alguns professores.
— Ei, Lynn … — Ele esperou que ela parasse de olhar para o telefone para prestar atenção nele para que ele pudesse continuar, ainda mais irritado. — Eu estive pensando… Você já pensou sobre o que vai fazer? Eu encontrei para você um emprego de meio período na academia de um amigo meu e… — Sua irmã suspirou de aborrecimento, voltando para o telefone dela, e Lincoln se sentiu-se mal por um momento antes de se lembrar que, na verdade, o que ele disse não era ruim.
— Eu sei o que você vai dizer, Lincoln. — Sua voz refletia algum desânimo, o que fez seu irmão se sentir um pouco mal. — Se você quer que eu vá embora… — Lynn estava com um olhar triste.
— Não é isso, Lynn! — Ele quase se levantou de sua cadeira com a implicação. — Ouça… Não me incomodo em nada se você ficar o tempo que quiser! Eu sei que você está passando por uma barra pesada! —Ele deu a volta na mesa e ficou em pé a frente dela. — Ter sido expulsa da categoria de peso pena e tido seus contratos cancelados por ter chamado um cara que se veste de mulher de cara! — Ele disse com um olhar complacente.
Lynn não disse nada nem olhava para ele.
—Mas eu estou preocupado com seu futuro, já fazem quase seis meses… Você não pode simplesmente ficar na minha cama o dia todo eu sei que você… — Tentando dizer outra coisa, ela apenas suspirou.
Assim como ele pensava, ela não valia o suficiente como estavam as coisas, pelo menos ele não terminou o que começou.
Além disso, a presença dela não o incomodava tanto, ele não se importava de ajudar sua irmã nessa situação difícil.
Embora o desânimo dela o fazia sofrer, pois o jovem de cabelos brancos sabia que ela claramente estava sofrendo de depressão depois de tudo que aconteceu. Ele tinha medo de deixá-la sozinho e ela tentar fazer…
Coisas ruins consigo mesma novamente… Na primeira semana quando ele voltou ela tomou todos os remédios do armário de remédios e teve um colapso, ele teve que levá-la ao hospital correndo. Ela pareceu melhor depois de dois meses até que ela teve um ataque e se cortou no banheiro. Foi sério, ela perdeu muito sangue, se ele não tivesse entrado para pegar seu desodorante e a visto ela teria morrido sem dúvidas…
Ela estava sofrendo… E não era culpa dela…
Cada vez mais “mulheres” que não eram mulheres entravam no mundo dos esportes e por serem homens biologicamente falando venciam todas as competições. Lynn perdeu o título e ainda estava sendo processada por discriminação ao falar “não é justo esse cara competir conosco!”.
Não era culpa de Lynn o mundo que estava de ponta cabeça aos olhos de Lincoln.
— Esqueça. — Ele se levantou e agarrou sua mochila que havia se esquecido de pegar do chão na noite anterior. — Eu irei para a universidade um pouco mais cedo, desculpe te incomodar, o café tá na segunda prateleira, entendeu? Eu te amo mana. —Ele ficou mais perto dela, deu-lhe um beijo na bochecha e se dirigiu para a porta da frente.
Ele sabia que palavras gentis ajudavam pessoas com depressão. Ele agradecia a Lucy pelas dicas.
— Não abra para ninguém enquanto eu estiver fora, ok? Tchau. — Ele saiu do apartamento sem se virar, não querendo entrar em nenhum outro confronto com a irmã mais velha.
Lynn não olhou para ele, mas em seguida seu lábio começou a tremer. Ela sabia que não teria para onde ir sem ele. Assim que ele saiu Lynn sentiu uma lágrima escorrer de sua bochecha esquerda.
— Obrigada. — Ela falou baixinho para o apartamento vazio.
Lynn estava a seis meses sofrendo, perdeu os fãs, foi processada por discriminação, ainda não estava recuperada das lesões da luta, teve que pagar uma indenização, nenhuma das irmãs pode ajudar por medo dos haters as atacarem também.
Pessoas estavam pichando a área externa do apartamento de Lincoln e as vezes ouvia pessoas gritando “Lynn preconceituosa!” do lado de fora.
Apenas Lincoln a aceitou.
A verdade é que ela não teria ninguém sem ele. Os pais estavam velhos demais para passar por isso, o pai poderia inclusive infartar devido a toda perseguição que ela estava sofrendo.
Todo dia recebia em seu e-mail e celular mensagens de ódio por ter se recusado a conceder a vitória para a "competidora" que a derrotou.
Ela era grata por ele estar com ela…
Por tê-la salvado de si mesma nestes momentos difíceis...
Fim. Continua?
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