Sofia
5 Desafiando a coragem!
Notas iniciais
Levanto-me e saio correndo em direção ao quarto. Paro no corredor. Está chovendo. Ah chuva... Doce chuva que fazia meus dias serem felizes, mas agora nada pode me fazer feliz. Há um segredo que todos escondem de mim, minha mãe se foi e eu estou longe de casa.
Um pensamento passa pela minha cabeça e corro para o meu quarto buscar uma coisa que pode mudar meu dia.
Já no quarto abro uma mala que ainda não havia sido desfeita e lá pego meu caderninho de poesias e pensamentos. Saio porta a fora e vou para o campo, mas antes pego um guarda chuva na portaria.
–Ei menina está chovendo! Por que quer ir pra lá? – Falou um segurança da escola.
–Porque está chovendo! – Falei sorrindo. Não perco mais tempo, corro para o meio do campo. Apoio o guarda chuva aberto na grama, tiro o meu casaco e ponho em baixo do guarda chuva, na grama molhada e por cima ponho meu caderninho. Deixo a chuva cair sobre mim, me encharcar. Minhas mãos começam a folhear o caderno que eu não abria desde a morte de minha mãe.
“Viver é o que me resta, vou estar acompanhada, mas solitária, seria melhor se não me restasse vida, seria melhor se eu tivesse ido ao lugar dela”.
–Ei... – Vinha Melissa atrás de mim.
Fecho rapidamente meu caderno e me viro para ela.
–O que faz ai? Vai pegar um resfriado! – Ela se abaixa e me protege com o guarda-chuva.
Não respondo apenas olho para baixo.
–Venha vamos conversar – Ela fala me ajudando a levantar.
Ponho o casaco e guardo o caderno no bolso dele que ainda estava seco.
Fomos ao quarto para que eu pudesse tomar um banho e agasalhar-me.
–Podemos conversar? – Dizia Melissa com outra roupa fechando as janelas.
Sentamos juntas na minha cama. Melissa me oferece chocolate quente.
–Você não sabe por que está aqui né? – Ela me perguntou e logo em seguida tomou um gole do chocolate.
–Não, não sei. – Digo entre um gole e outro.
–Olha, foi bom sabermos disso, você vai descobrir na hora certa e é indicado que fique junto a nós o tempo inteiro.
–Mas por quê?
–Porque assim ninguém atrapalha sua preparação!
–ARGH! Preparação para que? Eu não sei nem o que estou fazendo aqui!
–Olha eu sei que está tudo muito confuso, mas logo tudo se esclarecerá !
–Logo? Quando?
–Olha eu não sei de certo, mas acho que vai ser no outono!
–Então no outono minha vida se esclarece!
–Mas me conte como chegou aqui! Estou curiosa! – Ela falou com muita empolgação.
–Tá eu vou contar! Eu morava com a minha mãe...
Contei tudo detalhadamente para ela.
Logo que acabamos a conversa resolvi descansar que amanhã as aulas começariam!
*Dia Seguinte
Dormi das 18:00 horas até 6:00! Doze horas dormindo!
Levantei e as meninas já estavam acordando. Tomei um rápido banho e pus meu uniforme.
–Pronta? – Perguntou-me Mariah.
–Sim – Respondi abrindo a porta.
Todas já estavam acordadas e uniformizadas, agora iriamos tomar café da manhã.
–Hoje no intervalo vou ver se consigo te mostrar o colégio – Disse Melissa
O sinal toca e corremos para sala de aula.
–O primeiro tempo é de filosofia não se assuste com o professor – Sussurrou Mariah.
–Está bem – Respondi.
Os alunos rapidamente ocupam as carteiras e logo o professor entra. Ele era tão...
–Ele parece legal – Sussurro no ouvido de Mariah.
–Hora hora.... O que temos aqui? – Ele perguntou andando em minha direção – Venha cá senhorita. – Ele me levanta pela mão e me leva ao tablado dele.
Eu gelei, meu coração disparado parecia que ia saltar pela boca.
–Seu nome? – Ele perguntou.
–Sofia
–Qual é... – Ele é interrompido por Melissa.
–Ela ainda não sabe – Ela afirma – Não descobriu – Ele faz um sinal para ela que responde com outro afirmativo.
–Então, pode se sentar.
Obedeci. Fiquei encarando o professor a aula toda. Seus cabelos soltos que batiam no ombro... Sua pele branca e macia.. Seus olhos verdes...
–Sofia acorda! Sofiaa! – Bianca me sacudia. Eu estava dormindo na carteira da sala.
–Oi? Já acabou a aula? – Pergunto confusa.
–Sim, o professor ia te mandar para a coordenação mas eu falei que estava passando por momentos delicados e que não havia dormido desde que chegou – Respondeu.
–Ah!Obrigada! – Respondo sem graça.
Ela revira os olhos e sai. Levanto-me e vou para... Sei lá meio sem direção!
–Onde vai menina – Uma garoto meio feinho diz ao tropeçar em mim.
–Ah me desculpe! – Peso envergonhada.
–Tudo bem!
Continuo andando em linha reta ou pelo menos tento. Afinal eu vou passar o “resto” da minha adolescência aqui, tenho que conhecer o colégio. Subo uma escada estranha e estreita que há no primeiro corredor em que virei. Não há lâmpadas apenas tochas presas há parede, o chão é rochoso e as paredes também. Há uma grande escuridão entre as tochas, elas me faziam temer do que iria encontrar. Subi sem parar, não sabia onde daria. Tive a impressão de ter passado por portas, mas não voltei, continuei. Logo, poucos degraus acima havia uma tocha diferente. Não sei como, mas a chama era azul, decidi subir mais rápido para ver onde aquilo estava me levando.
“ANDAR 30 CUIDADO!”
Uma placa bem grande, com letras enormes. Sem pensar li em voz alta:
“Andar 30 do colégio Birth Of Power”
Uma porta se abriu e fez um ranger que machucou meus ouvidos. De lá saiu uma fumaça iluminada por outra luz azul. Decido entrar. Começo a andar atrás de algo ou alguém, mas não vejo nada penas fumaça e a luz azul.
–Acho que há alguém aqui – Ouço uma voz sussurrando.
–Pode ser que venha para cá, ou seja, de outro andar – Ouço outra voz dessa vez mais fina sussurrar.
–Eu sou Sofia, vim do andar 15, poderiam me guiar para a saída – Falo em alto bom tom girando sem enxergar nada nem se quer a porta que entrei.
–Sofia! – Falou a voz mais fina empolgada, mas logo ouço um chiado pedindo silêncio a outra pessoa.
–Sim Sofia! – Falei encorajada – Algum problema?
Não sei como, parece que pisquei e apareci em outro lugar. Mas foi realmente em menos de um segundo que estava lá agora me encontro caída no corredor central.
–Sofia! – Ouvi uma voz doce me chamar.
–Meli..-Fui interrompida por uma tosse.
–Deixe-me ajuda-la- Ela se abaixa e me levanta pelos braços – O que houve?
–Não sei... Eu estava subindo uma escada que fica logo ali e fui parar em um lugar estranho cheio de fumaça azul...
–O que?
–É era tal de andar 30!
–SOFIA VOCÊ FOI NO ANDAR 30? – Ela estava tensa.
–Sim, algum problema com isso?
–Venha – Ela me puxou rapidamente e corremos por um gigantesco corredor.
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