Notas iniciais
Não sei se alguém irá ler, mas estou adorando escrever essa história e o vasto mundo que ela irá proporcionar.

Sonhos são cargas emocionais armazenadas no consciente, nos levam a desenvolver imagens e sons de acordo com algo vivido ou imaginado, mas o estranho seria visualizar cenários específicos de momentos não vividos por mim de maneira tão clara, como lembranças de um passado esquecido. Entretanto sinto a necessidade de me apresentar antes de contextualizar até o momento atual, eu me chamo Selene Warren, venho de um lugar conhecido por sua beleza e bela pronuncia no nome, o digníssimo San Miguel. Acho que devo acrescentar ser a filha mais nova de três cabeças de vento, Ravi, Juan e Ramon, eles praticamente são a parte braçal e administram a renda de nossa casa com serviços de carpintaria.

Confesso não saber ao certo sobre algumas funções da loja por ser considerada um desastre ambulante na questão de atração dos maus presságios e nunca estive envolvida em nenhum projeto, por isso sempre me enviam para coletar materiais na cidade ou realizar as pequenas entregas, não reclamo de designar essas obrigações, eu amo perambular pelo centro e conhecer novas pessoas, apesar de muitas delas me acharem esquisita e é algo no qual estou acostumada. Porém tudo mudou na celebração de San Antonio de Padua, conhecida pela festa de grandes atrações turísticas para a cidade, pessoas se fantasiam, utilizam máscaras e celebram o desfile de “Los Locos”, onde esbarrar com qualquer estranho pode alterar o rumo de uma história, o que no caso mudou a minha história.


— Selene, precisamos que vá à cidade comprar o que pontuei na lista. — Juan me entregava um papel amarelado e machado de tinta, sua letra era um tremendo garrancho comparada a minha. — Não me olhe desse jeito, eu escrevi da forma mais clara dessa vez.


— Certo, posso ficar para assistir o festival? — Perguntei esperançosa. — Prometo não demorar.

— Sim, mas leve Ravi, é um dia de muitos estranhos na cidade.

Juan contornava o balcão com um pequeno pedaço de madeira para chamar meu outro irmão que estava cerrando e medindo pedaços de madeira nos fundos da loja.

— Eu sei me virar. — Indagava assumindo uma postura mais firme. — Não me trate como criança


— Não sabe o bastante, conhece o pouco do mundo e tens apenas dezessete anos. — Ravi se aproximava entre a nossa amistosa conversa com os seus cabelos castanhos desgrenhados de suor, ele passava tantos dias trabalhando de baixo do sol que a sua pele possuía um bronzeado como se estivesse acabado de voltar da praia. — Nina, não saía de perto dele.


— Odeio quando me tratam como criança. — Revirava os olhos ao me dar por vencida, enquanto Ravi gesticulava com as mãos para se expressar e dizer através das línguas de sinais que os músculos adquiridos ao longo desses meses não serviam apenas para atrair garotas, mas também para defender a irmãzinha. — Você ainda é um frango, papito.



Nunca visitei outras cidades do México, na verdade sair de San Miguel parece ser um sonho distante, meus irmãos se tornaram mais protetores depois que a Mama faleceu quando era mais nova, Juan desde então assumira o cargo de pai, cuidando de todos e certificando-se de manter os negócios da família de acordo com a tradição de nossos antepassados. Eu algum dia gostaria de viajar pelo mundo, explorar novas culturas, me perder por lugares e me encontrar em outros, gosto do lugar onde habito, mas sinto que estou aprisionada, como um passarinho que tem potencial para voar e sua asa quebrada dificulta o levantar do voo, não consigo sair do lugar e por isso continuo aqui.

E não sei se tiveram a oportunidade de visitar essa cidade em momentos de celebrações e por esse motivo os informo que todos os ambientes se tornam lotados, só há o espaço no meio entre as pessoas para a passagem de desfile, pois o restante dos lugares se torna uma completo formigueiro. Ravi na primeira oportunidade esquecera o real motivo de sua vinda para me jogar a escanteio ser atraído por uma estrangeira, ela era uma loira de estatura mediana, vestia uma camisa de banda de rock e um short jeans claro acompanhado de um contorno. pouco falava espanhol ou linguagem de sinais com o seu inglês britânico arrastado de enrolação barata para o meu irmão que entendia poucas palavras e tentava se comunicar através de mim.


— Sim, Ravi. Ela não pôs os óculos hoje e está comentando que você é bonito. — Traduzia a conversa querendo cavar um buraco no chão e me enterrar pela desenrolar de uma conversa constrangedora. — Não, ela não está acompanhada do cara bonitão sentado na mesma mesa, é o seu melhor amigo.


“Pergunte se eu posso beijá-la. “


— Ele perguntou se você...

A estrangeira interrompeu meu canal de traduções para chamar meu irmão a um canto, os dois sumiram diante os meus olhos no meio da multidão, acho que as vezes poucas palavras bastão para determinadas situações. O importante nesse momento foi a liberdade em conseguir comprar o que era necessário a tempo de curtir o desfile, não era novidade que as pessoas caprichavam nas fantasias e esse ano tinham os, destaques como cidadãos trajados de chaminés ou super-heróis. Talvez seja a melhor época para ser quem você é sem julgamentos, ninguém ligará para o que estará vestindo desde que apreciem a ideia do evento.


— Com licença, Senhora. Você viu um garoto alto, moreno com uma cicatriz no olho esquerdo passando por aqui? — Um menino baixinho parava ao meu lado, ele utilizava uma jardineira repleta de desenhos com referência a uma floresta e tremia bastante quando tentava me aproximar. — Desculpe, eu não deveria está falando com você, Klaus vai me matar, eu- eu esqueci como usar o rastreador, me perdi.


— Como você se chama? E quem é Klaus? — O questionava percebendo o pânico em sua expressão ao mencionar tal nome de quem procurava. — Está tudo bem, eu posso lhe ajudar.


— Ele é meu encarregado nessa missão e eu me chamo ... — O menino misterioso mal completava a frase quando uma explosão acontecia no centro do desfile, uma figura estranha surgia em meio da multidão, as pessoas corriam por causa do fogo causado para todos os lados e não por haver uma espécie de leão com mais duas cabeças em seu corpo, uma era de um bode e outra de dragão. Eu não conseguia acreditar no que estava presenciando e como era a única a ficar abismada com a presença daquele bicho. — Pelas barbas de Merlin, chegamos tarde de mais.


— Youssef, eu disse para acionar o dispositivo quando se perdesse, treinamos o uso de equipamentos umas centenas de vezes. — Um garoto moreno com as mesmas descrições mencionadas pelo menino ao meu lado aparecia como um fantasma, me questionava como teria se aproximado em passos tão sorrateiros. — Conversamos sobre essa questão mais tarde, mas quem é essa? Não me diga que violou o código de contato e apareceu para uma civil?


— Me desculpa, Klaus. Eu estava com medo. — O menino voltava a tremer novamente, de alguma forma Klaus o intimidava a esse ponto e uma caule crescia em sua cabeça formando aos poucos uma flor no qual ele arrancava e comia.


— Não quero interromper a conversa, mas estou ficando louca ou tem um leão com duas cabeças incendiando a minha cidade? — Os dois se entreolhavam surpresos pelo fato de conseguir enxergar a criatura estranha em nossa frente. — O que foi?


— Você não deveria conseguir ver uma criatura de nível três sem o encanto de uma mago. — Klaus explicava ao me analisar de cima a baixo com certa impregnância. — Youssef não a perca de vista, irei cuidar do Quimera.



Bastou poucas palavras para que ele desse um salto e voasse na direção do monstro, do suporte em sua cintura, retirava uma espada de uma lamina vermelha, parecia desenhar um simbolo no ar que tomava uma fórmula azul e conjurava palavras em latim, entendidas por mim como "De Pulvere Venimus, in Pulverem Revertemur", o que imobilizava a criatura e Klaus em um único deferia um golpe capaz de acertar as três cabeças. O ser se desintegrava aos meus olhos e Youseef erguia uma flauta de madeira em formato de dragão e tocava algo no qual sabia a letra, mas não recordava o nome, a melodia me fazia bocejar, meus olhos fechavam aos poucos em cansado, sendo possível avistar a última coisa como um dragão azul no ar, ele envolvia os nossos corpos e rotacionava no ar abrindo uma espécie de portal.


— Vamos levá-la a Salém? — Youseef questionava Klaus — E a senhora Khaleesi ?


— Lidamos com ela depois — Klaus me carregava em seus braços e pulava no portal com Youssef — Agora temos que descobrir o que essa garota é.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.