Sobreviventes

3 Capítulo 3- Respostas


Estava atordoado, olhando pra todos os lado tentando processar tudo; como isso foi acontecer?

Viaturas pararam na frente do colégio e policiais se posicionaram para atirar, ainda bem que eles sabiam diferenciar os vivos dos zumbis. Tiros ecoavam para todos os lados me obrigando a tampar os ouvidos tanto por causa do barulho das armas quanto do barulho dos gritos e acidentes, tudo ao mesmo tempo era ensurdecedor. Uma mulher que vinha correndo esbarrou em mim e nós dois caímos. Ela estava "bem", pois não estava transformada, mas assim que se levantou um carro desgovernado a atropelou contra a parede

–Que droga!- digo me levantando do chão, sendo tomado por uma mistura de pânico e medo.

A porta do carro abre e um homem com o pescoço ensanguentado por uma mordida e um corte na testa, provavelmente por causa da batida, cai no chão e quando olha para mim, rosna e rasteja em minha direção. Rapidamente um policial se coloca ao meu lado e dispara um tiro certeiro na cabeça do zumbi

–O que tá esperando, garoto, corre! — grita o policial para mim e antes que eu tivesse alguma reação, uma mão me puxa e quando viro é meu amigo Marcos, o "Karbal"

–A gente tava te procurando, doido! — diz Marcos para mim me puxando pra correr

–Nunca pensei que seria tão bom ver essa cara — digo brincando

Ele aponta para um vã perto das viaturas e corremos para ela

–Acredita agora? — pergunto enquanto corremos

–Infelizmente sim — me responde sem desviar o olhar da vã

Quando nos aproximamos, a porta lateral abre e Lucas nos estende a mão para entrar e quando entramos, ele fecha a porta rapidamente. dentro da vã, contando comigo, estava Marcos, Lucas, Valéria, Giovanny e uma menina que eu não sabia o nome, exceto ela, todos eram meus amigos. No banco do motorista estava meu amigo Fábio

–Pra onde vamos? — pergunta Fábio para nós

–Minha casa — responde Lucas

–Certo — responde Fábio — se segurem

Disparamos pela rua desviando de carros e atropelando zumbis. Me pergunto onde Fábio aprendeu a dirigir, ele tem minha idade e é da minha sala.

–Vocês estão bem? — pergunto cortando meus pensamentos

–Mais ou menos — responde Giovanny, a quem chamamos de "GG"

–Como será que isso começou? — pergunta Marcos

–Eu tenho uma suspeita — responde Lucas — lembram daqueles casos na África de uma possível mutação do vírus da raiva? E se aquilo chegou ao Brasil?

Todos ficamos em silêncio, pensando nisso

–Marcos, teu celular tem televisão, veja se consegue ver alguma reportagem — digo pegando meu celular

Ligo o rádio do meu celular e consigo sintonizar e uma voz rouca fala

–Aqui é o comandante do departamento de polícia, foi declarada Lei Marcial; não saiam de suas casas, estoquem comida e água por no mínimo duas semanas — diz a voz no rádio

A mensagem ficou repetindo e eu desliguei o rádio. Marcos se aproximou com o telefone em modo televisão e estava passando uma notícia dessas de emergência. A repórter estava com uma cara horrível como se tivesse acabado de sair de uma montanha russa e estava ofegante e ela contou que a ANVISA havia confirmado que o vírus chamado "nova raiva" vindo da África tinha chegado ao Brasil e que as regiões afetadas eram a Norte e Nordeste.

Estávamos assistindo atentos quando a repórter foi atacada por um grupo de zumbis e a transmissão foi cortada. Marcos desligou o celular e o guardou no bolso; ficamos todos em silêncio, atordoados, o único que parecia um pouco calmo era o Fábio

–Pessoal, tem uma loja de ferramentas aqui perto, o que vocês acham de pegarmos algumas coisas? — perguntou Fábio nos trazendo à realidade

–Sim! — eu, Lucas, Marcos e GG concordamos unânimes

Não demorou muito e nós chegamos

–Certo pessoal, eu e o Marcos iremos pegar as coisas e vocês tentem se comunicar com nossos pais, certo? — digo sem esperar respostas e me dirijo com Marcos correndo até a entrada da loja que não era muito grande

–Achei que tinham me abandonado — disse ao Marcos enquanto corríamos

–Jamais faríamos isso, somos todos irmãos — disse Marcos

Penso nisso depois disse para mim mesmo e entramos na loja. Lá dentro estava um caos: pessoas roubando coisas, gritando, lutando

–Pegue o que for útil e o que possa ser utilizado como arma — disse para Marcos

Ele assentiu e correu para uma fileira de ferramentas enquanto eu fui para outra. Havia muitas ferramentas que poderiam ser armas, coloquei algumas facas em minha mochila e outras ferramentas pesadas numa sacola que encontrei. Rapidamente eu já estava carregando facas, machados, pés de cabra e marretas. Um zumbi veio correndo em minha direção, peguei um pé de cabra e consegui acertar a cabeça o fazendo capotar no chão com um buraco na cabeça causado pelo golpe. Lembrei de um filme de zumbis em que havia a regra do golpe duplo. Ergui o pé de cabra acima da cabeça e acertei o zumbi novamente espirrando sangue em minhas mãos e pés.

Marcos apareceu na minha frente, ele carregava outras ferramentas também

–Cara, tem cinco zumbis na entrada da loja sem contar os que se transformaram, é matar ou morrer — disse para mim já imaginando minha resposta

–Então vamos matar — respondi friamente

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.