Sobrevivente

7 Capítulo 7 - A Fuga


Mike sabia que só sairíamos vivos trabalhando em equipe, mas assim como eu, ele tinha dificuldades de confiar em alguém, acho que o último ano não foi nada fácil para ele também.

Focamos em checar com poderíamos escalar o fosso e atacar no momento exato. Sabíamos que esperar virem pegar a próxima comida não era a opção, tínhamos que aproveitar o período que só ficava um guarda, mas como sairíamos sem ser notados a tempo do guarda chamar ajuda, tínhamos que planejar muito bem, algo que parecia que nenhum de nós dois tinha paciência para fazer.

Contamos com a ajuda de Carlos, foi difícil no começo mas depois aceitamos que ele era mais calmo para descrever as coisas, então Mike dizia o que sabia eu rapidamente via as falhas e preocupações e Carlos mapeava o que sobrava e revisava tudo de novo com todos, acabamos formando uma boa equipe, mas claro que Mike assim como eu deve ter pensado em alternativas para caso algo de errado, alternativas para se salvar. Não é maldade, é que assim como eu ele não confia mais nas pessoas, sejam elas quem forem, então ele pensa em alternativas solitárias.

Todos concordaram com as suas responsabilidades na versão final do plano, e todos sabiam das consequências se algo desse errado, era nossa única chance de sobreviver.

No dia seguinte esperamos até o final da tarde e começamos a agir. Primeiro Mike me ajudou a escalar, atrás dele vinha Carlos e em seguida os outros 3 caras. Sem fazer nenhum barulho, todos ficaram segurando na beirada do fosso enquanto eu saí e caminhei vagarosamente até o guarda, que de início se levantou rápido e apontou a arma para mim, mas antes dele chamar apoio tive tempo de chamar a atenção dele. Minha mãe sempre disse para os meus irmãos não serem homens burros, que não deveriam deixar as mulheres enrolarem eles apenas com uma piscada, mas não, não dei apenas uma piscada para o guarda, fiz o que meus irmãos respondiam para minha mãe, “uma piscada não, mas quando elas abrem de vagar o botão da blusa, ai não tem calça que não se abra”, me lembro até hoje de começar a rir e minha mãe bater neles com o que tivesse nas mãos, falava que ali era uma casa de respeito, mas eles tinham razão e a falta de respeito me valeu muito.

O idiota ficou parado com a arma na mão enquanto eu caminhava lentamente até ele com as mãos abrindo botão por botão da minha blusa vagarosamente, quando cheguei bem perto, ai sim dei uma piscada, foi o toque final para ele soltar a arma e me agarrar, o que ele não contava é que enquanto se distraia me agarrando, Mike já havia saído do fosso e em segundos estava com a arma na cabeça dele.

– Olha, não achei que o plano fosse funcionar, não me parecia nada feminina para fazer este grandalhão se distrair, parabéns pela atuação, vale um oscar – disse ele enquanto batia com a arma na cabeça do guarda.

– Mike, não vou te responder porque estou agradecida por não ter feito o que imaginava que faria, e com isso não tive que matar ele com minhas próprias mãos com a força que nem sei se realmente tenho.

– O que achou que faria? Achou que não tinha a rapidez de nosso novo DNA?

– Não Mike, na verdade nem pensei nisso, mas pensei que como um solitário marrento e encrenqueiro como parece ser, você se aproveitaria do momento da distração para fugir e me largaria aqui.

– Até parece que sou como os demais, eu cumpro as promessas, eu falei que ia parar o cara e parei, agora quanto ao resto do plano temos um problema, acho melhor você também ser rápida, porque vamos ter que correr daqui, não vamos mais poder pegar o grupo e evitar novas capturas.

– Que?

– Olha pra trás malandra, os outros, incluindo o Carlos, já se mandaram. Eles só estavam preocupados em não serem comidos, se vão capturar outros ou torturar alguém eles não querem nem saber. Sugiro fazermos o mesmo, não quero voltar para o fosso.

– Não acredito. Como podem nos largar aqui, e se você não conseguisse parar o cara, ele teria feito o que?

– Bom, o que ele teria feito acho que você sabe – ele soltou um sorriso falso novamente e seguiu andando – Não vai vir? Não vou ficar te esperando, acho melhor correr logo.

Estava com tanta raiva, mas ele estava certo, tínhamos que correr, sair dali rápido, não sabíamos se nossas forças seriam o suficiente para render este grupo todo, seria loucura.

O problema é que não incluímos no nosso plano que eles poderiam ter colocado armadilhas no caminho caso alguém escapasse, e agora minha raiva até passou. Descobrimos as armadilhas quando vimos os 3 patetas fujões presos nelas, só que além de ficarem presos alertaram o grupo com seus gritos por socorro, e lá estamos nós outra vez com as armas apontadas para nós.

Naquele momento vi o maior banquete deles, iriam fazer os 5 de churrasco de uma única vez, e eu nem queria pensar no que mais fariam comigo quando o grandão acordar e contar os detalhes da fuga, acho que agora estamos realmente ferrados.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.