Sobrevivente

4 Capítulo 4 - Separação


A história de Gabriel sobre o rádio chegou a todos e começou a formação dos grupos, contra e a favor de seguirem viagem. Para alegria de minha mãe os 4 decidimos que seria bom irmos.

Já havia se passado 1 mês, minha mão não estava forte o bastante para andar muito, isso nos preocupava, mas se fosse o caso faríamos nosso próprio grupo, não tinha motivos para seguirmos em um grupo maior, iriamos no ritmo dela, nós 4. E assim iniciou a maior separação, muitos seguiram em viagem, mas em grupos diversos. Nosso grande grupo do abrigo se dividiu em centenas. Nós seguimos próximos a outros grupos, normalmente conseguíamos nos unir a noite para dormir, isso facilitava para achar comida e abrigo, assim como preparar as coisas. Não demorou 1 semana para Liam começar com questionamentos outra vez, principalmente depois de termos tido que erguer alguns entulhos para conseguirmos deixar o abrigo mais seguro e não desmoronar tudo, e segundo ele, Luca ergueu muito mais peso do que o normal e não machucou as mãos como os demais. Olhei para Luca como quem diz, eu avisei, e ele ignorou Liam e disse que não era hora para brigas por lugares na família, nenhum irmão era melhor que outro, apenas tínhamos habilidades diferentes. Liam ficou nervoso por ser colocado como ciumento e saiu, minha mãe riu mas disse que devíamos ter cuidado, que não era apenas Liam que estava falando coisas, e não era apenas de Luca, e na hora eu engasguei e eu olhei para o chão como quem diz, eu sei, de mim também, ainda bem que não fui ajudar nos entulhos.

Luca não gostou do conselho e também saiu. Eu preferi me deitar e também sai. Fiquei no meu canto pensativa, sobre os comentários de Liam e o conselho e olhares de mamãe, não conseguia dormir, fiquei pensando em quem mais estava falando e o que, acho que havia acabado de pegar no sono quando acordei com Liam se deitando, parecia nervoso, estava esbaforido, ia perguntar se estava tudo bem, mas só de fazer menção de me virar, ele já tratou de dizer um “me deixa em paz”, e imediatamente engoli seco e fiquei no meu canto. Não ouvi Luca chegar, minha mãe disse que ele deve ter dormido fora para não nos acordar, já Liam me ignorou novamente e seguiu para tomar café. No café tampouco encontrei Luca, e mamãe já demonstrou uma certa preocupação em seus olhos atentos, fui caminhar e perguntar por ele para alguns conhecidos, mas além de caras feias não encontrei nada e segui caminhando, ao regressar vi minha mãe no meio do caminho me fazendo sinais que não entendi nada. Ao nos aproximarmos vi sangue em suas roupas e apenas depois de um tempo que consegui entender o que dizia e percebi que ela me empurrava para trás.

– Corre, vá embora, vá para longe, corre. Dizia minha mãe

Eu arregalei os olhos e ela continou:

– Corre, te amo muito, corre, se salve, não posso perder mais um.

Ouvi um tiro e me agarrei a ela, e ela novamente disse:

– Não posso ir com você, corre, para o seu bem, corre, vá para longe deles, corre, eu vou ficar bem, corre para longe.

Ela me empurrava com tamanha força e chorava, que eu nem pensei em tudo, apenas corri para o sentido contrário como ela me pediu, e depois, quando já estava longe e sozinha, voltei a recordar do sangue e das palavras dela, “não posso perder mais um”, isso e mais o que ela havia dito ontem à noite e o sumiço, me fez entender claramente de quem era o sangue, era de Luca, havíamos perdido Luca. Aquele sangue só podia ser dele. Chorei por horas até me recompor e seguir em frente, logo iria escurecer novamente e eu não havia comido mais nada e não tinha aonde dormir, estava completamente sozinha. Dias se passaram, eu segui rumo ao hemisfério norte, sempre com o cuidado de não esbarrar em nenhum grupo, tomei a decisão de que era melhor seguir sozinha, não sei o que exatamente nosso grupo estava pensando quando tomou a decisão de nos matar, e não sei o que os demais grupos poderiam estar fazendo também, afinal Gabriel estava com um grupo pequeno e deixou claro que cada um fazia o que achava mais seguro para si, e neste momento não sinto segurança em ninguém além de mim mesma, prefiro seguir sozinha e esperar que minha mãe e Liam estejam bem.

De um abrigo gigante, para subgrupos, e agora totalmente sozinha, e eu que achava que nada poderia ser pior que o 1º mês que passamos desesperados e sem esperanças. Esse 2º mês está ainda pior, estou completamente sozinha atrás de uma esperança que já nem sei se vale a pena.