Sobrevivente

1 Capítulo 1 Recife Infectada


Quando cheguei ao cinema minha mãe já estava na fila, a gente ia assistir ao novo filme da Angelina Jolie. Dei-lhe um abraço e um beijo, era ótimo quando ela estava de férias, pois ela é medica e sempre tinha plantões para dar o tempo todo, e nesse tempo a gente sempre ia ao cinema, restaurantes, parques etc... Assim que compramos os ingressos fomos direto para a sala, quando sentamos em nossos lugares, ela me contou uma história estranha que sua amiga tinha lhe contado pouco antes de eu chegar;

_ Lucia me ligou, ela disse que chegou um paciente na restauração agora a pouco, muito estranho, ele estava babando e do nada começou a grunhir e atacar pessoas...

_Como assim mãe, que louco – disse eu, que agora estava muito curioso – ela disse mais alguma coisa?

_Ela disse que ele mordeu algumas pessoas, as mordidas foram profundas, mas as pessoas estão bem, foi necessário cinco seguranças para segurar ele, e depois ela desligou falando eu tenho que ir, quando uma gritaria começou.

_que medo, espero que não seja contagioso – disse eu me preocupando.

_besteira, claro que não é, deve ser supostamente um viciado tendo crises de abstinência – disse ela me acalmando.

As luzes começaram a apagar quando os traillers começaram a ser refletidos no telão, colocamos nossos celulares em silencioso, e nos aconchegamos nas poltronas, o filme começou. Com trinta minutos de filme, fui checar meu celular, tinha 2.000 mensagens no meu Whatsapp, fui checar o grupo dos meus amigos da escola primeiro, eles estavam falando de engarrafamento e que parecia ser um protesto, tinha gente correndo no centro da cidade, gente caindo no chão e se debatendo, mordendo gente, na hora o meu coração parou:

_Mãe, mãe olha isso – mostrei a foto que tinha acabado de chegar no meu celular, o centro da cidade estava uma loucura uma multidão correndo, carros e ônibus parados – eu to com medo, vamos embora, quero ir pra casa.

_ quem mandou isso? – disse ela, não estava muito preocupada, pegou seu celular da bolsa e começou a ler as mensagens, enquanto eu mandava mensagens perguntando o que era isso, mas ninguém respondia, algumas pessoas se agitaram ao redor da sala, falavam assustadas umas nos ouvidos das outras, algumas se levantaram e foram embora, o celular da minha mãe começou a exibir um vídeo, inclinei minha cabeça para ver, era da sua amiga Lucia, era da parte de cima do hospital, e mostrava um amontoado de pessoas correndo na avenida Agamenon Magalhães, algumas sangrando, gritando, ela virou o celular pra trás e viu um homem todo ensanguentado correndo na direção em que ela estava, alguém do lado dela deu um tiro na cabeça do homem que caiu no chão, ela gritou e o vídeo acabou – vamos embora – disse minha mãe se levantando apavorada.

As luzes começaram a ligar, o refletor desligou e alguém falou em um microfone “Todos do shopping se direcionem para a praça de alimentação, agora” essa mensagem ficava sendo repetida, todos se levantaram, peguei na mão da minha mãe, não podia acreditar, não podia ser verdade, mas tudo indicava, eram Zumbis, ZUMBIS! Estávamos vivendo um apocalipse, não quis nem falar em voz alta, todo o meu corpo tremia e calafrios surgiam sem parar, minha mãe me guiou pra onde a multidão que resmungava hostilmente assustada seguia, saímos do cinema, o shopping parecia vazio, fomos para praça de alimentação que ficava no ultimo andar do shopping, uma multidão estava perplexa com os olhares pasmados fixados nas Tvs que ficavam espalhadas pelo teto da praça de alimentação, onde um repórter local dava a noticia à população.

... Ninguém sabe ao certo o que está acontecendo, mas parece um novo tipo de vírus, está acontecendo em todos os lugares, países de todos os continentes mandaram sinal de alerta, os voos foram cortados, fiquem em suas casas, usem mascaras, e luvas, não abram a porta para desconhecidos, estamos agora com a repórter Camila Vaz no centro da cidade – a imagem cortou para uma repórter loira com mascara e luvas, ela estava apavorada, na paisagem atrás dela a tropa de choque atirava contra “infectados” que ameaçavam ataca-los, a população estava em choque .

_Estamos no centro da cidade- prosseguiu ela — onde a situação parece incontrolável, a zona norte e sul também estão contaminadas, estamos aqui com o capitão da tropa de choque, Capitão o que o senhor tem a dizer para a população? – perguntou ela, esperando por uma resposta, pois ela não tinha a mínima ideia do que fazer ou falar.

_ Pelo o que recebemos mais cedo se trata de um vírus transmitido por mordida, mas a hipótese de ser passado pelo ar também é provável, já que não sabemos como a infecção começou – ele pegou o microfone nas mãos e disse “ Fiquem em suas casas, se tranquem, não saiam e nem abram a porta por nada. As ruas não são seguras, finquem onde estão” e voltou para o repórter local.

Alguém no meio da multidão começou a gritar:

_Jesus está voltando, irmãos, se rendam à palavra dele, ou todos perecerão em pecados.

_Olhem para baixo – gritou uma mulher.

Varias pessoas correram para perto das escadas para ver o que estava acontecendo, alguns infectados estavam entrando no shopping, meu coração gelou, lagrimas se formaram nos meu olhos, as pessoas começaram a correr e a gritar, era um caos. Ainda segurava firme na mão da minha mãe, a gente correu, foi para uma porta onde tinha escrito em vermelho “saída de emergência” e para onde dezenas de pessoas corriam.

_para onde vamos? — perguntei. A ficha ainda não havia caído, estava meio perdido.

_sair daqui — disse ela correndo entre a multidão.

A escada estava uma confusão, muita gente correndo, gente caindo, estava intransitável, paramos na frente da escadaria, pensei que talvez eles não soubessem subir nas escadas rolantes, e como elas são longes umas das outras eles podem não achar e talvez fiquem presos no térreo procurando uma saída.

_Mãe, talvez eles não consigam subir, tive uma ideia vem comigo, confia – ela ficou parada, com dúvida — vamos descer, em cada escada tem um botão que diz a direção da escada, se colocarmos todas elas descendo eles não vão conseguir subir, e no terceiro andar tem uma loja com armas de luta, como espadas, adagas essas coisas, a gente vai precisar de alguma coisa para se defender.

Ela olhou de novo para a escadaria, onde tinha gente sendo pisoteada, ela balançou a cabeça como um sim e fomos, corremos contra uma multidão desesperada que queria simplesmente sair dali. Uma mulher gorda caiu no chão e começou a chorar e pedir por ajuda, tinha gente passando por cima dela, antes de eu ajuda-la um homem lhe deu a mão e a levantou, seguimos em frente, chegamos à escada rolante e descemos, no quarto andar tinha algumas pessoas saqueando lojas, procuramos pela escada que ia até ao terceiro piso, passamos por um pequeno corredor onde tinha duas idosas tentando fazer uma ligação, passamos direto, achamos a escada, fomos ao terceiro andar. Os infectados haviam chegado ao primeiro, passamos por lojas de roupas, minha mãe parou na frente, era uma marca cara.

_Mãe a senhora quer mesmo roupa agora? – perguntei incrédulo e irritado.

_não seja burro, você tem que por uma calça e eu tenho que tirar os saltos, estamos vulneráveis assim, se essas coisas mordem, vamos colocar mais coisas possíveis protegendo nossa pele – disse ela entrando na loja que estava vazia, entrei atrás dela.

Ela foi La dentro e voltou com quatro botas de couro e duas calças também de couro. Jogou uma calça e um par de botas para mim, tirou seus saltos e sua calça de tecido, colocou sua calça de couro o mais rápido possível, fiz o mesmo, estava tão nervoso que mal pude tirar o sinto, coloquei a calça e a bota, procurei duas jaquetas, era tudo o que podíamos aproveitar dali, fomos até uma loja que era do lado, especialista em bolsas de viagem, pegamos duas mochilas resistentes, e fomos até a loja de armas marciais, a loja estava vazia, gritos e correria ainda eram audíveis, entramos na loja, só havia uma espada, e várias adagas, a espada ficou comigo, minha mãe pegou seis adagas e colocou na sua bolsa, partimos, para a escada, com a espada na mão, torcia para não ter que usa-la, meu coração congelou ao ver que infectados estavam vindo em direção a escada, ainda mais quando nos viram, minha mãe apertou o botão, a escada que subia agora descia, eles viam em direção a escada, mas eram ejetados para fora, voltamos para a escada que ia até o quarto andar, as senhoras não estavam mais lá, seguimos, subimos até o quarto andar e invertemos a escada, mas antes de subimos ouvimos gritos maiores ainda, uma pequena multidão de gente descia desesperada do quinta andar, onde ficava a praça de alimentação, nossos corações gelaram, um homem com uma filha de uns sete anos, chegou perto de nós.

_Eles chegaram, eles estão lá em cima, tem vários infectados — a sua filha estava chorando e desesperada – temos que sair daqui, como está as coisas lá em baixo?

_Eles chegaram até o segundo andar, mas invertemos as escadas, para eles não subirem.

_havia muitos? – perguntou o homem, a sua filha estava abraçada em seu braço.

_Uns oito ou dez – respondeu minha mãe.

Antes que ele fizesse outra pergunta, um barulho de porta se arrebentando, era a saída de emergência, Pessoas mordidas saíram de lá gritando por ajuda, algumas caíram no chão e começaram a espumar, e atrás deles infectados vinham na direção das pessoas que começaram a se dispersar “vamos” falei, correndo para o outro lado, eles correram, a adrenalina estava por todo meu corpo, minha mãe estava correndo lado a lado comigo e o homem e sua filha poucos centímetros atrás, chegamos em uma esquina, infectados vinham dos dois lados, estávamos encurralados.

O homem gritou, vamos para os banheiros, corremos pelo corredor, que dava para o banheiro, infectados vinham atrás de nós, o bom era que eles não corriam muito, apenas andavam depressa, mas no caminho vimos uma porta para o estacionamento, era a única saída, abrimos a porta, a saída estava vazia, saímos correndo, chegamos ao estacionamento em poucos segundos, mas o carro da minha mãe estava no andar de cima -e agora? – perguntei.

_O meu carro, está ali – disse o homem apontando para uma picape preta – vamos!

Corremos para o carro, eu e a menina ficamos atrás, ele e minha mãe na frente. Colocamos os cintos apressadamente, e ele dirigiu para fora, no caminho para a saída ele passou por cima de dois infectados, e em poucos segundos estávamos fora do shopping, onde o caos era ainda maior.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.