Sobrevivendo
2 Diário - 2
Notas iniciais
Segundo dia escrevendo, ainda estamos na mesma casa, vivendo uma vida normal por enquanto, Lyu pegou algumas placas de absorção de luz solar e as conectou com um gerador, sendo assim, espero continuar escrevendo por mais tempo. Acho que devo uma explicação melhor de tudo que está acontecendo, pois bem, aqui está:
Há cerca de 1 ano, em plena tarde, o céu ficou escuro, mais preto que durante a noite, e isso pelo jeito no mundo todo, então esqueletos, zumbis, cavaleiros, harpias e mais todo tipo de criaturas das trevas surgiram, atacando as populações das principais cidades no mundo: Paris, Londres, Washington, Nova York, Cairo, São Paulo, Brasília, Hong Kong, Tókio, etc.... E digamos que minha cidade (Guarulhos), talvez pela proximidade de SP ou por ter o aeroporto internacional de SP, também foi atacada. Já contei como sobrevivi, e foi o mesmo com quase todos os outros, protegidos por “entidades de luz” e conseguindo fugir, acabamos nos encontrando e andamos por aí, saqueando mercados abandonados, tentando não ser achados, sobrevivendo. Mas o foco disso é como tudo aconteceu, verdade. Bem, um grupo de pessoas que se autodenominou “A Irmandade”, conseguiu transmitir ao mundo todo uma mensagem, esta que dizia: “Libertamos o Senhor das Trevas, o pior mal que a humanidade já enfrentou, mas desta vez, não sobreviverão, a menos que se aliem a nós, caso contrário, sofrerão a morte pelo exército sombrio de Drácula.”
Não vou dizer que adoramos saber disso, mas pelo menos descobrimos o que estava realmente acontecendo, o que permitiu às forças militares internacionais defenderem seus presidentes e governantes, mas não creio que consigam que isso dure muito mais tempo.
De alguma forma, os dias parecem mais curtos, quando comentei isso com Lyu, ele disse que também andava notando que tínhamos menos tempo de sol, o que, bem, prejudica nosso fornecimento de energia, sendo que as principais redes foram cortadas. Ao menos alguns de nós fomos abençoados no dia do ataque, alguns com armas, outros com poderes mágicos, alguns com os dois, como eu, embora não consiga ser muito bom em magia, quando acho um tempo, treino esgrima com a Lorenna ou o Alex, e um pouco de magia com Thalles e Yash, mas duvido que consiga chegar no nível deles algum dia, mas consigo ajudar nas lutas e reforçando as barreiras. Falando nisso, daqui a pouco é hora de caçar comida, quase literalmente, o GPS da Luma diz que tem algum shopping por perto, e além de comida, quem sabe conseguimos algumas roupas novas também... Estão abastecendo o carro e minha moto, uma raridade, uma Harley Davidson The One, muito leve e rápida, uma pena que nas buscas por alimentos eu tenho que ir na mesma velocidade que eles, que vão num trailer estilo americano, que comporta bem todo mundo e mais algumas armas, como pistolas, metralhadoras e fuzis, todas enfeitiçadas pra terem real efeito sobre os monstros, que são afetados somente por magias ou metais místicos, como minha espada, a lança de Alex, o machado da Log e o da Luma e o arco e as flechas do Lyu.
Partimos, mas ainda faltando uns dois quilômetros pra chegar no shopping, vemos algo impressionante e assustador: vários esqueletos e zumbis indo em direção a uma garota... E ela matando todos! Com uma metralhadora na mão direita e uma pistola na esquerda, ela lança tiros e mais tiros em direção a eles, sem nem recarregar as armas. Isso somado ao fato das criaturas sofrerem danos consideráveis só mostra que são armas mágicas. Não encantadas como os fuzis ou pistolas que carregamos, mas mágicas MESMO!
Mas ela está distraída que nem nota o que vem por trás dela: Harpias e Retalhadores – Parecidos com zumbis, porém mais rápidos e lâminas enormes no lugar das mãos.
Nesse mesmo momento, Lyu desce do trailer já com uma flecha carregada e apontada para as harpias, com Log, Alex e Luma logo atrás empunhando suas armas. Eu desço da moto e saco Primus. Olhamos-nos por um segundo e já sabemos o que fazer. Lyu atira sua flecha acertando uma harpia e o resto de nós corre em direção aos Retalhadores. Odeio lutar contra essas coisas. Alex vai na frente e pula em cima do primeiro cravando sua lança bem no meio das costas do bicho, que tenta derrubá-lo de lá, vez ou outra quase conseguindo, até que enfio minha espada pelo queixo da criatura até atravessar sua cabeça. Enquanto isso Log já decepou um e Luma está desviando dos ataques de outro, ma um vem logo atrás dela e quando a ataca, paro sua lâmina com a da minha espada, iniciando um confronto que acaba em 10 segundos com ele caído no chão, me viro e Luma também matou o dela, olho para cima e resta somente uma harpia que teima em desviar dos tiros do Lyu, mas acaba morrendo pra algo que com certeza não esperava, uma faca que se alojou bem no meio do seu peito, olho para a frente e bem do lado de uma pedra enorme surge ela, baixinha, loira e com um olhar de satisfação por ter acertado com uma faca um alvo que fez Lyu desperdiçar várias flechas. Beatriz Batistão.
Nesse momento, todas as criaturas viraram pó e desaparecem, restando só nós e a garota com as armas que olha para nós com raiva, ela não aparenta ter mais de 14 anos, retirando pela altura, é magra, meio morena de pele, com cabelos cacheados que passam um pouco dos ombros.
– Eu poderia ter cuidado de todos eles sozinha! Vocês não precisavam ter feito nada. – Diz ela, para logo depois fazer um biquinho.
– Ah, claro, desculpa, da próxima vez vamos deixar você ser retalhada e comida viva. – Digo com impaciência. – Acabamos de te salvar, um obrigado seria bem vindo, sabia? E qual seu nome? O que faz aqui?
– De nada. – Ela diz com ironia, mas sinto uma ponta de sinceridade, vendo como ela olhou para os Retalhadores no chão, sem vida. – Meu nome é Samara, mas podem me chamar de Sam, eu vivo escondida e sozinha desde o Dia Escuro e estava à procura de comida, quando os zumbis e esqueletos me atacaram, achei que daria conta deles.
– Sozinha é? Quer vir com a gente? Vamos até um shopping procurar suprimentos e roupas, pode vir junto.
– Sério?! Seria o máximo, obrigada! – Ela exclama e me abraça.
O resto da busca foi normal, só com uns zumbis aqui e ali. Conseguimos achar uma boa quantidade de alimentos e até que algumas roupas boas, pegamos também umas pilhas e baterias, tendo em vista que as nossas estavam acabando e voltamos para casa, agora com mais um membro na nossa equipe, ou como disse o Yash quando chegamos: “Mais uma boca pra comer” o que fez todos rirem.
Fale com o autor