Notas iniciais
Os 11 se reúnem, e o segredo do delegado é revelado!

Voltando ao recinto, encontro, finalmente, o corpo de Funatsu. O Quinto havia feito um grande estrago com uma faca, que preferi nem chegar perto.

-Finalmente me livrei de você, sua peste. Arda. –Dou uma pequena risada e volto a encontrar a Akise-san no recinto.

-Bom... Omekata-sama... –Começa ele, mas o interrompo rapidamente.

-Por favor, me chame de Tsubaki-san, você não é um seguidor. E por falar em seguidor... –Tiro o diário da clarividência da manga do vestido, me viro de costas, sob o olhar curioso do garoto, e consulto o diário. –Meus seguidores chegarão em meia-hora, é o tempo que temos para conversar.

-Como você sabe? –Pergunta ele, surpreso.

-Eu que agendei essa passeata, provavelmente eles estejam oferecendo doações a instituições de ajuda comunitária, como algum orfanato por aí. –Digo, sorrindo.

-Aaah. Bom, como eu ia dizendo, Tsubaki-san, eu sou um detetive “júnior”, e houve relatos de gritos do Templo Omekata há pouco tempo, então, eu decidi dar uma olhada. –Ele começa a olhar ao redor, como se quisesse encontrar sangue ou marcas estranhas.

-Eu estive a manhã inteira dentro do Templo e não ouvi grito nenhum, o local estava deserto o tempo todo. –Afirmo, mas com plena consciência dos gritos do Funatsu e dos pais do Quinto, quando ele os matou, e até dos meus próprios.

-Hm... E por que a fechadura do seu recinto está arrombada? –Pergunta ele, examinando a tranca que Ai-chan forçou para abrir.

-A fechadura emperrou e o segundo em comando no culto teve de arrombá-la para que eu conseguisse sair. –Minto, novamente.

-Hm... –Ele parece desconfiado, mas aceita essas explicações inventadas e totalmente fora da realidade.

-Você conhece o delegado? –Pergunto, repentinamente.

-Kurusu-san? Claro. Ele tem o dom de prender todos os criminosos que aparecem pela cidade. É quase como se pudesse prever onde os crimes vão acontecer. –Diz ele, sonhador. –Dizem que a única que escapou dele foi uma terrorista que explodiu o prédio onde uma autoridade religiosa estava.

“Prever? Será que o delegado é um portador de diário do futuro? E o chamei aqui, completamente indefesa?” –Penso, começando a me desesperar, mas lembro que ele é delegado, e não pode cometer nenhum crime, e me acalmo um pouco.

-Bom, eu preciso ir, Tsubaki-san. –Diz ele, se direcionando à saída.

-Eu lhe acompanho. Preciso receber meus seguidores na porta, mesmo. –Digo, e juntos, saímos do meu recinto, e com cuidado para que nós não encontrássemos nenhum corpo no caminho, eu o levei até a saída do templo.

-Obrigado pela atenção e... –Ele começa a falar, mas é interrompido quando ouve uma sirene. –Nossa, o que será que aconteceu?

-Ah, vai saber. –Dou de ombros, indiferente.

-Bom, preciso mesmo ir. Preciso voltar pra escola.

-Você estuda aonde? –Pergunto, pensando em como seria estudar em uma escola.

-No Colégio de Sakurami. –Ele responde. –Perto de onde tem ocorrido todos aqueles ataques a mulheres.

-Ah, claro. Obrigada. –Respondo.

Nesse momento, o delegado entra nos jardins do Templo e segue em nossa direção.

-Kurusu-san? O que ele faz aqui? –Pergunta Akise-san, olhando pra mim com cara de dúvida.

-Ah... Bem... –Tento explicar, mas Kurusu nos interrompe.

-Quem foi quem ligou para a delegacia? –Pergunta ele.

O delegado me era familiar, esses ombros largos, esse jeito imponente... Kurusu estava usando um terno azul, uma gravata preta, calça social azul, sapatos pretos, e exalava autoridade. Imagino que os criminosos tremam diante dele.

-Fui eu. –Respondo. –Akise-san chegou agora há pouco.

-Qual a situação? –Ele pergunta, colocando a mão na cintura, onde sua arma estava guardada.

-Três dos meus monges foram assassinados dentro do meu Templo enquanto eu fazia relatórios em meu recinto. –Respondo-o, meio tensa.

-E você não ouviu nada? –Pergunta ele, olhando pra mim como se eu fosse suspeita.

-Eu estava concentrada, não estava prestando atenção. –Replico, começando a me irritar. –Acha que eu matei eles?

-Não, de modo algum, é que é estranho três pessoas serem assassinadas e a pessoa que estava mais perto não ouvir nada. –Defende-se ele.

-Akise-san, gostaria de ir conosco, vou mostrar os... –Começo a falar, mas o garoto havia sumido. –Ué, onde ele foi?

Olho para os lados, mas nem sinal dele.

-Isso não importa agora. –Responde o delegado. –Leve-me aos corpos.

-Claro, claro. –Entramos no Templo e eu o conduzo em direção aos corpos dos pais do Quinto, e logo depois, ao corpo do Funatsu. Ele liga para a delegacia e pede uma ambulância para levá-los ao hospital para ser feita a perícia.

-Lhe manteremos informada, Kasugano Tsubaki. –Ele diz, quando, no final da tarde, os corpos haviam sido retirados e os seguidores que aguardavam ansiosamente na porta do Templo puderam finalmente entrar.

-Muitíssimo obrigada delegado. –Faço uma reverência e o delegado vai embora. –Hoje à noite, descobriremos se você é mesmo um portador de diário. –Resmungo pra mim mesma, e entro no Templo.

Depois de explicar os incidentes aos seguidores, e de nomear um monge velho como segundo em comando do culto, finalmente me retiro para meu recinto.

-Finalmente paz. –Tiro meu diário e vejo o que meus seguidores estão fazendo, antes de dormir.

“Monge nº1: Organiza os outros membros do culto para dormirem”.

-Ótimo, ele que cuide disso. –Eu então, enrolo o pergaminho, guardo na manga do vestido, e me deito no colchão.

02\\07, Segunda Catedral da Casualidade, 1600.

Os treze círculos estavam exatamente iguais, exceto que o lugar onde o Primeiro deveria estar está vazio, e no lugar onde o Quinto deveria estar, está escrito, em vermelho, flutuando “Dead End”.

-Ainda bem que dessa vez estou de óculos. –Eu havia esquecido de tirar os óculos para dormir.

-Disse alguma coisa Sexta? –Pergunta Deus, olhando pra mim.

-Oh, não senhor. –Digo, me curvando.

-Ótimo. Como podem ver, dois portadores não estão presentes aqui hoje. O Primeiro, pois não consegui convocar a consciência dele, e o Quinto, que já foi eliminado do jogo.

Eu então olho para a plataforma a minha esquerda, esperando ver Marco-san, mas dessa vez era Ai-chan, que sorri pra mim.

-Deus? Quem matou o Quinto? –Pergunta um homem com uma cabeça surpreendentemente redonda, ao lado de Deus.

–A Primeira aliança desse jogo. A Sexta e a Sétima. –Deus responde, e eu sinto que todos estavam nos olhando. –Alianças podem ser formadas, mas lembrem-se, só um pode sobreviver.

–Deus, como elas mataram o Quinto? –Pergunta um homem ao lado da plataforma vazia e desolada do Quinto.

Eu olho para o Quarto e vejo os mesmos ombros largos do delegado, a mesma imponência, a mesma autoridade na voz. Eu então, penso, desesperada “eu convidei um adversário com grande poder para me matar para dentro do meu templo!”

–Não poderei lhe falar Quarto, sinto muito. Que graça teria? Com o Quinto fora, apenas 11 jogadores restam. Que os jogos continuem. –Deus diz, e balança a mão.

Somos então todos envolvidos por uma luz azul e nossas consciências voltam a nossos corpos.