Depois do café da manhã peguei minhas coisas e fui para a faculdade. É claro que Isaac estava rodeado de pessoas quando me aproximei. Revirei os olhos para aquelas idiotas que achavam que tinham chance com o MEU homem.

— Hum... — Murmurei me aproximando. — Que cheirinho... De vadia! — Elas me olharam ofendidas é claro e eu fiquei seria. — Saiam daqui!

Isaac sorriu e abraçou meu corpo. Passei meus braços pelo seu pescoço.

— Ciumenta.

— Uma dia elas vão entender que você é meu. — Ele sorriu antes de beijar meus lábios. — Ou eu terei que usar a força bruta.

— Não quero estar aqui para ver isso. — Sorri e voltei a beija-lo.

Nós seguimos para a aula enquanto conversávamos. Sua mão estava na minha cintura e eu sentia seus dedos tocar minha pele por baixo da regata.

— Derek volta amanhã, eu acho. — Comentou.

— Alexandre vai voltar para o meu aniversario.

— Você ainda não quer festa.

— Entenda eu nunca comemorei meu aniversario. Jesse sempre me deu um presente e tal. Alguns amigos também. Mas eu nunca comemorei entende.

— E vamos fazer a melhor festa de aniversario para você. — Sorriu.

— Você comemorava suas festas?

— Não.

— Pelo menos alguma coisa temos em comum.

— Seu pai é um cara bom.

— É por que ele liberou nosso namoro. — Isaac riu.

— Você ainda esta fumando?

— Eu disse que tentaria parar. E parei.

— Então por que carrega isso? — Ele perguntou e eu olhei para o isqueiro que ele pegou de dentro da minha mochila.

— Eu posso precisar. Acredite Isaac você não é a única criatura sobrenatural da terra. Tem varias. E muito perigosas.

— E o que um isqueiro pode ajudar?

— A maioria das criaturas morrem com fogo. — Falei antes de guardar meu isqueiro dentro da mochila de novo. — E se algum dia eu precisar fazer uma fogueira também pode ajudar.

— Você sabe fazer uma fogueira?

— Sou uma garota multifuncional. — Sorri e ele sorriu mais.

Ele foi me beijar, mas o professor entrou na sala de aula e nós nos afastamos. Tínhamos que ser profissionais.

Naquele mesmo dia Alexandre arrumou suas coisas e foi caçar com Allan.

Encontrei com Isaac em um campo de futebol da faculdade mesmo.

— Vai me ensinar lacrosse? — Perguntei e ele sorriu.

— Não. Só achei que gostaria de assistir ao jogo de hoje.

— Não sou muito fã disso, mas... Posso ficar sentada por algumas horas ouvindo gritos de vaias e de torcidas. — Riu antes de me beijar.

— Se não fosse tão difícil voltar a Beacon Hills nós poderíamos ir um dia para você conhecer o lugar.

— Acho que para mim também não é uma coisa muito boa ir lá. — Ele ficou me encarando. — Não saberia lidar com pessoas que Kate fez tanto mal. E também não saberia lidar com pessoas que amavam Alisson.

— Como você conseguiu lidar comigo?

— Eu não sei. Foi meio que automático. Sei lá... Não tenho explicação. Eu sabia que não poderia mata-lo. No começo achei que fosse por causa da Alisson. Mas depois vi que era eu. O desejo latente estava lá e eu não sabia. — Seu rosto ganhou um tom avermelhado.

— Eu sabia. Sabia disso no minuto que você me ajudou no elevador.

— Ou no momento em que olhou para os meus seios? — Riu.

— Nesse momento eu sabia que você era gostosa para caramba.

Ficamos em silencio por um segundo, mas eu o quebrei.

— Tenho que te agradecer.

— Pelo que?

— Por não desistir de nós. Por insistir ate quando eu te afastei. Você me libertou.

— E eu tenho que me desculpar.

— Pelo que?

— Você deixou tudo para trás por causa de mim.

— Não foi só isso. Eu vi que aquilo não valia a pena. E eu gosto de lutar por coisas que valem a pena. E você Isaac Lahey vale a pena. — Sorriu e me beijou.

— Como anda as coisas na Caçada?

— As mesmas de sempre. — Respondi e ele ficou me encarando.

Demorei um segundo para entender que eu tinha caído na armadilha dele.

— Você anda conversando com Jesse então.

— Você sabe que mantenho contato com ele. Apesar de tudo somos amigos, Isaac.

— Você sim, mas ele é?

— Acho que ele já superou isso. E entendeu.

— Como você sabe?

— Ele já esta namorando uma garota. Ela sempre foi apaixonada por ele. Vai dar certo.

— Assim espero.

— Você fica lindo com ciúmes.

Voltamos para casa e fiz comida enquanto Isaac terminava um trabalho da faculdade. Fiquei um tempo observando ele.

Ele era o sonho de consumo de qualquer garota. Era o típico cara certinho e tímido, mas tinha uma pegada boa. Era estudioso e esforçado, mas também era o atleta do time. Era o meio termo perfeito. Lindo. Gostoso. Chamava atenção onde passava. E no momento era só meu. Tinha um sorriso lindo e uns olhos azuis brilhantes que cativavam qualquer pessoa.

— Tudo bem? — Ele me encarou confuso e eu sorri.

— Você é perfeito sabia?

— Sou muitas coisas, mas perfeito não é uma delas.

— Mas você é.

— Por que esta pensando isso?

— Por que você de algum jeito é demais para mim.

— Demais para você?

— É... Isaac eu... Olha eu nunca fui uma pessoa muito boa. Eu era cega pelos meus objetivos e ensinamentos. Matava qualquer coisa que atravessasse meu caminho. E você é tão bom.

— Você também é, Katrina. — Levantou e veio ate a mim.

Isaac tirou meus cabelos do meu pescoço e beijou minha nuca enquanto fazia uma massagem nos meus músculos.

— Não sou.

— Você é. Você fez o que fez por que estava salvando pessoas.

— Isso é só desculpa. — O encarei por cima do ombro.

— Você sabe que é verdade. Que você morreria por quem ama. Que você defende como uma leoa quem ama. Isso te faz uma pessoa boa. Todos cometem erros. É normal. Mas você tem que saber o que é certo e errado. E você sabe, Katrina. Você mudou. Eu vejo isso cada dia que passa e tenho orgulho da mulher que você era e mais orgulho ainda da mulher que você se tornou.

Me virei para ele e o beijei me apertando contra ele.

Éramos tão diferentes. Mas de algum jeito o diferente era completamente aceitável. Era ótimo.

Sábado acordei com beijos nas minhas costas. Olhei por cima do ombro e Isaac estendeu uma caixinha azul escuro na minha frente.

— Feliz Aniversario! — Ele murmurou.

Com as mãos tremulas abri a caixinha e vi um par de brincos e um anel solitário. Ambos com uma pedra de safira. — Fiquei observando as joias e lancei um olhar para Isaac.

— Como você conseguiu...

— Tenho minhas economias. E queria comprar algo bonito. Gostou?

— É lindo. Mas eu não posso aceitar. É caro Isaac.

— É presente. E presente não se devolve.

— Isaac...

— Não discuta comigo. — Ele resmungou antes de me beijar. — Tenha um ótimo dia.

— Onde você vai? — Perguntei depois de largar a caixinha fechada em cima do criado mudo.

— Tenho que encontrar com Derek.

— Que pena que você tenha que ir correndo para o Derek. Queria outra presente, mas... — Virei de costas para ele deixando a bunda bem empinada.

Eu gargalhei quando o senti voltar para a cama.

— Você é o demônio. — Ele murmurou.

— Tenho certeza que você ama isso em mim.

— Esse fogo todo?

— Isso.

— Você tem razão. Eu amo mesmo. — E o senti me penetrar. — Vou te dar um presente bem gostoso. — Sussurrou no meu ouvido e eu gemi.