Sobre leões e vermes
1 Prólogo
Notas iniciais
—Não foi nada. -respondi com um sorriso no rosto ao homem que claramente me viu, mas me achou insignificante o bastante para não desviar, mesmo ele não me pedindo desculpas.
Achava que Deus era como aquele homem: me notava, mas me achava muito insignificante para mostrar que o fazia. Ouvi, algumas vezes, que Deus não dava asas à cobra, então me perguntava constantemente como havia tanta escória com poder de fazer definhar suas boas, e por sua culpa, indefesas ovelhas. Haviam, sim, cobras que tinham asas, a ponto de dar rasantes em águias e falcões, e eu me sentia como uma cobra que estava fadada a rastejar-se esperando a boa vontade do todo poderoso.
Eu queria ter o poder de fazer desse homem que me achou insignificante um exemplo. Não apenas matá-lo, mas fazer dele um exemplo para que outros como ele não menospreze os menores. Pois a sociedade é como um ferro, que se torna uma lâmina apenas com calor e pancadas.
Mas eu não tinha como fazer isso. Eu não tinhas as asas necessárias, o calor necessário, o poder necessário. Porquê tudo isso era sobre poder. Leões e vermes comem da mesma carne, mas apenas de um nós temos medo.[...]
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