Sobre flores e fogo
2 Sobre flores e fogo
Notas iniciais
Reunidos em torno da fogueira, a trupe observava como Lis levantava com facilidade duas sacas de grãos com quase seu tamanho. Era ainda uma menininha pequena e delicada, alguns comentavam em tom de piada que mal havia deixado as fraldas, o que não era muito diferente da realidade. Lis havia manifestado dons cedo.
Os primeiros sinais foram sonhos compartilhados, com a capacidade de entrar, interagir e sair de sonhos como quando se faz um passeio despretensioso por um bosque. A habilidade não durou muito tempo, somente o bastante para chamar atenção dos adultos e aborrecer alguns com birras infantis. Contudo do dia para a noite a menina trocou o sonho conjunto pela força de um homem adulto.
Os mais velhos que antes já observavam com atenção deram-lhe um título, um número e ensinaram como atuar e prender a atenção da platéia. Dia após dia ela aprendia tudo aquilo, aprendeu inclusive a não gostar daquilo, mas fazia pela família e pelo irmão que ainda era visitado em sonho. Sempre brincavam num campo florido acompanhados de uma ave de fogo. Era um segredo entre eles de que Lis ainda podia entrar em sonhos e que Jade podia evocar os fogos de artifício.
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